Os bancos fecharam 10.680 postos de trabalho no país entre janeiro e julho de 2017, segundo levantamento realizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) com base nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED). A análise foi divulgada nesta quarta-feira, 16.

Em julho, o número de contratações foi pouco maior do que o de demissões, gerando um pequeno saldo de 72 postos a mais no setor bancário do país, após dezessete meses de saldos negativos.

“Esse pequeno saldo positivo é insignificante frente ao grande número de postos bancários perdidos nos últimos anos. Infelizmente, não representa uma mudança nos rumos da economia. Trata-se apenas da afirmação da política dos bancos de redução das agências físicas e aumento das operações eletrônicas e digitais. Os atendimentos são cada vez menos realizados presencialmente por bancários. Os clientes precisam ligar para centrais de atendimento ou se virar para fazer ele mesmo suas transações bancárias pela internet, ou em máquinas. Mas, pagam cada vez mais caro pelo serviço que eles mesmos realizam”, disse Roberto von der Osten, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT).

Fechamento de postos de trabalho na CAIXA

A CAIXA foi responsável pela redução de 4.543 postos de trabalho fechados no setor, o que representa 42,5% do total. Itaú Unibanco, Bradesco, Santander e Banco do Brasil fecharam, juntos, 5.857 postos no país.

“Dias atrás, o ministro da Fazenda (Henrique Meirelles) admitiu que o grande desemprego é o principal responsável pela demora na retomada do crescimento econômico. Mas, o maior banco público do país, controlado pelo governo, é responsável pelo aumento do desemprego”, observa o presidente da Contraf-CUT.

Os desligamentos atingiram principalmente trabalhadores entre 50 a 64 anos, com o fechamento de 7.903 postos de trabalho durante o período. O saldo positivo foi apenas para pessoas com faixa etária até 24 anos. Os números são reflexo dos planos de demissão voluntária e incentivo à aposentadoria realizados na CAIXA, no Banco do Brasil e no Bradesco.

A desigualdade entre homens e mulheres também é observada. As 11.963 mulheres desligadas dos bancos entre janeiro e julho de 2017 recebiam, em média, R$ 6.449,22, o que representou 78,4% da remuneração média dos 11.757 homens desligados no mesmo período.

Veja a íntegra do levantamento do Dieese.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT

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