Os cinco maiores bancos que atuam no Brasil – BB, CAIXA, Bradesco, Itaú e Santander – gastaram R$ 1,6 bilhão em publicidade no primeiro semestre de 2017. Em geral, as propagandas dessas instituições financeiras vendem a imagem de respeito às mulheres.

Porém, na vida real, é bem diferente: uma das propostas apresentadas pela Fenaban, na rodada de negociação realizada nesta quarta-feira, 21, retira das bancárias em licença-maternidade o direito ao pagamento integral da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), tornando-o proporcional aos dias trabalhados.

O mesmo ocorreria para trabalhadores afastados por doença ou acidente de trabalho. Neste caso, é importante lembrar que os bancos criaram apenas 1% dos empregos no Brasil, entre 2012 e 2017, mas foram responsáveis por 5% dos afastamentos por doença nesse período.

“Os bancos tentam vender para a sociedade uma imagem, mas na realidade discriminam as mulheres. Nesse caso ainda mais grave, discriminam as bancárias mães. É inaceitável e já dissemos isso aos negociadores da Fenaban na mesa de negociação”, criticou Juvandia Moreira, presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários.

A presidenta do Sindicato, Eliana Brasil, ressalta que é absurdo que os bancos, diante de uma realidade que já é dura com as mulheres, queiram puni-las por serem mães ao impor a redução do valor da PLR, que é uma importante conquista da categoria.” Não aceitaremos que as mulheres sejam discriminadas e, por isso, deixamos claro que a igualdade de oportunidades é uma prioridade em todas as nossas campanhas nacionais”, destacou.

Bancos reforçam a desigualdade

Na categoria bancária, as mulheres ocupam 49% do total de postos de trabalho. Porém, recebem, em média, salários 23% menores que os dos homens. Além disso, têm menos oportunidades de ascensão profissional.

A injusta realidade das mulheres bancárias fica ainda mais evidente quando se observa que elas têm escolaridade maior que a dos bancários: 80% das trabalhadoras dos bancos têm nível superior completo, enquanto entre os homens esse percentual cai para 74%.

Em seus Relatórios Anuais de Sustentabilidade, os bancos apresentam algumas informações que ilustram a desigualdade com a qual as mulheres são tratadas nestas instituições. No Bradesco, por exemplo, o salário médio das mulheres da área de Supervisão/Administrativa representa apenas 85% do salário médio dos homens que trabalham na mesma área.

Além da diferença salarial, a injustiça se expressa também no acesso aos cargos mais altos: o Santander, por exemplo, tem 161 homens diretores e apenas 33 mulheres no mesmo nível de cargo. Nos cargos gerenciais, são 655 homens e apenas 234 mulheres. E isso em um banco que tem em seu quadro 59% de mulheres. No Itaú, a situação não é diferente. A diretoria tem 94 homens e apenas 13 mulheres.

Ainda mais preocupante é que, mesmo nos bancos públicos, a discriminação de gênero é latente. A diretoria estatutária do Banco do Brasil tem 36 homens e apenas uma mulher. Na CAIXA, apenas 7% dos cargos de dirigentes são ocupados por mulheres.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT

 

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