Foto: Arquivo Sindicato

Os bancos voltaram a fugir dos debates e negaram respostas à categoria na terceira rodada de negociações da Campanha Nacional 2013, que tratou do tema remuneração. A reunião foi realizada nesta segunda-feira, 26, em São Paulo, entre o Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban. O presidente do Sindicato, Cardoso, fez parte da mesa.

O Comando iniciou a mesa de negociação com o relato do grave assalto ocorrido em agência do Santander em Angra dos Reis, no estado do Rio de Janeiro, para o qual os representantes dos bancos apenas demonstraram ciência sem fazer qualquer outra consideração. Durante o assalto, foram mortos o funcionário do Santander, Igor Henrique Batista Alves da Silva, de 22 anos, e a vigilante Verônica Soares, de 24 anos.

Dando prosseguimento, os representantes dos trabalhadores cobraram respostas para as questões pendentes nas mesas anteriores, relacionadas à saúde, segurança e emprego. Os bancos afirmaram apenas que darão as respostas em futuras mesas de negociação.

O Comando apresentou dados do Dieese à Fenaban que apontam bons resultados dos bancos, com crescimento de receitas com tarifas, crescimento dos ativos e das carteiras de crédito. Ao mesmo tempo, porém, o salário médio da categoria não cresce, o número de funcionários por agência cai em todos os bancos e diminui a porcentagem de bancários com mais que cinco anos de banco.

A Fenaban questionou a análise dos dados, afirmando que cada banco trabalha com uma diferente forma de preencher as informações enviadas ao Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do governo federal. O Comando acusou os bancos de falta de transparência na divulgação das informações, e que o Caged é o único banco de dados público pelo qual o movimento sindical pode se pautar.

Após serem colocados na parede, os representantes dos bancos assumiram que os dados precisam ser analisados novamente e se comprometeram a marcar reunião na próxima semana para tratar do tema.

Para o presidente do Sindicato, Cardoso, só a mobilização conseguirá quebrar a intransigência dos banqueiros. “A categoria precisa estar unida e ir às ruas para exigir dos bancos que atendam nossas reivindicações. A falta de respostas nas mesas de negociações mostra que teremos uma Campanha Nacional difícil e por isso é essencial fortalecer a luta para garantirmos conquistas”, afirmou.

Aumento real

O Comando Nacional ressaltou a importância de recompor o poder de compra dos trabalhadores bancários através de aumento real no salário, que foi definido na Campanha Nacional 2013 em 5%.

A representação dos bancos afirmou que levará a questão para ser discutida entre as instituições financeiras, mas que terão “bastante dificuldade” em reproduzir o que foi realizado nos anos anteriores.

Piso

Na Campanha Nacional 2013, os bancários reivindicam piso salarial de R$ 2.860,21, baseado no salário mínimo calculado pelo Dieese. Os bancos negaram a reivindicação e sinalizaram que o índice de reajuste do piso deve ser o mesmo que o das demais verbas.

Os bancários reagiram e o representante dos bancos afirmou que levará o tema para discussão interna para ser debatido em nova reunião.

Em tentativa de desqualificar o piso reivindicado, a representação dos bancos questionou a base do Dieese e afirmou que a mesma é calculada sobre jornada de oito horas. O argumento absurdo foi prontamente rebatido pelos bancários, que afirmaram que a jornada de trabalho não define o valor das necessidades básicas do bancário durante o mês.

PCS

Sobre a reivindicação do Plano de Cargos e Salários, os bancos afirmaram que ela é um pedido disfarçado de anuênio, correndo do debate e tentando descaracterizar a pauta dos trabalhadores.

Afirmando com todas as letras que os bancários tentam realizar uma “interferência insuportável na gestão dos bancos”, a Fenaban não deu resposta à reivindicação.

Adiantamento do 13º salário para afastados pelo INSS

Os representantes dos bancos não deram resposta e ficaram de analisar a possibilidade junto aos bancos para responder futuramente.
Salário do substituto

O Comando reivindica que o bancário que substituir outro em função com mais responsabilidades receba salário equivalente.
A Fenaban negou a reivindicação e ainda foi desrespeitosa com os trabalhadores ao afirmar que é justo o bancário substituto não receber o mesmo salário, já que esta é uma oportunidade para que o banco avalie sua capacidade para assumir outra função

Vale-cultura

A cláusula 29ª da minuta de reivindicações trata do programa do vale-cultura instituído pelo governo federal, no qual as empresas recebem incentivos fiscais para pagar a seus funcionários um valor mensal que pode ser gasto com bens culturais, como cinema, teatro, compra de livros e outros.

Os bancos afirmaram que qualquer discussão sobre o assunto deve ser realizada após a regulamentação da lei, prevista para setembro deste ano, e que qualquer decisão teria um prazo de validade, já que os incentivos oferecidos pelo governo também têm um prazo para acabar. Por fim, a Fenaban ficou de retomar o tema depois de nova discussão com os bancos.

Segundo dia de negociações

Nesta terça-feira, 26, o Comando continua as negociações com a Fenaban para tratar de temas importantes da pauta, como os auxílios refeição, alimentação, creche e babá, 13ª cesta e PLR.

Calendário de Mobilização

Agosto

26 e 27 – Terceira rodada de negociações entre Comando e Fenaban
28 – Dia do Bancário, com atos de comemoração e de mobilização
29 – Terceira rodada de negociação específica entre Comando e BB
29 – Terceira rodada de negociação específica entre Comando e CAIXA
30 – Dia Nacional de Mobilização e Paralisação das centrais sindicais pela pauta da classe trabalhadora

Setembro

3 – Previsão de votação do PL 4330 da terceirização na CCJC da Câmara

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