Na mesa de negociação realizada nesta terça-feira, 27, entre o Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban, mais uma vez os bancos fugiram das respostas objetivas sobre as questões ligadas à remuneração. Foram discutidas reivindicações importantes para a categoria, como o auxílio refeição, cesta alimentação, auxílio creche/babá, previdência complementar e PLR.

Ao final da reunião, os representantes dos bancos se comprometeram a apresentar uma “proposta global” para as reivindicações dos bancários na próxima semana, no dia 5 de setembro. O Comando ressaltou que as propostas dos bancos devem abordar os três blocos temáticos abordados durante as rodadas de negociação: condições de trabalho, saúde e segurança; emprego e igualdade de oportunidades e remuneração.

Parcelamento do adiantamento de férias

O Comando reivindicou que o desconto do adiantamento de férias possa ser parcelado, e não descontado integralmente no pagamento seguinte.

A Fenaban tentou desviar a discussão, afirmando que deseja discutir o fracionamento das férias como um condicionante ao adiantamento. O Comando destacou que a demanda não está na minuta de reivindicações e não foi levantada em conferências estaduais ou na Conferência Nacional. Os bancos ficaram de apresentar resposta posteriormente.

Gratificação semestral

Os bancos alegaram que a gratificação semestral não deveria mais existir a partir do momento em que foi instituída a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), argumentação que foi prontamente rebatida pelos bancários, já que nunca foi acordado que a PLR seria instituída em substituição à gratificação.

Auxílio refeição, cesta alimentação e 13ª cesta

A pauta dos bancários reivindica reajuste destes direitos para o valor de R$ 678 cada um, o valor do salário mínimo nacional. Os bancos alegaram que o valor é alto e que já vêm corrigindo as cestas com aumento real, mas ficaram de discutir a questão para definir a proposta de reajuste.

O Comando cobrou ainda que seja extinto o limite de 180 dias de recebimento da cesta alimentação pelos bancários afastados, já que não faz sentido alegar que o bancário adoecido não tem necessidade de arcar com os custos de alimentação.

Auxílio creche/babá e 13ª cesta alimentação

O Comando reivindica também para estes benefícios o reajuste para o valor do salário mínimo nacional (R$ 678).

Os bancos afirmaram que irão verificar a questão para apresentar uma proposta aos bancários, mas adiantaram que o reajuste deve seguir o mesmo que for dado aos salários e ao piso.

Auxilio para filho em período escolar e filho com deficiência

Os representantes dos bancários reivindicaram auxílio equivalente ao de creche/babá para bancários com filhos que cursem o ensino fundamental ou o ensino médio. Os bancos negaram também esta reivindicação.

Em relação aos filhos com deficiência, questão já presente na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), o Comando reivindica o reajuste para o valor de R$ 678. Os bancos afirmaram que a proposta será apresentada e que o reajuste deverá ser igual ao que for dado ao auxílio creche/babá.

Auxílio educação

Os bancos se negaram a discutir a questão do auxílio educação, afirmando que esta compete a cada banco e não deve ser tratada na CCT.

Previdência complementar

O Comando destacou a importância de colocar na CCT os parâmetros mínimos para a previdência complementar, já que a composição da remuneração da categoria tem se modificado e parte do que os bancários recebem (auxílios, PLR, cesta) não se reflete na aposentadoria.

Além disso, os dirigentes lembraram que a preocupação com a questão tem crescido na categoria de acordo com as últimas consultas nacionais.

Os bancos também não deram resposta objetiva e tentaram fugir da discussão, afirmando que esta é uma questão referente à gestão de cada um dos bancos que não pode ser clausulada na Convenção.

Os dirigentes criticaram a gestão de lucros empreendida pelos bancos, tratando os funcionários como consumidores de seus próprios produtos e lembraram que os altos executivos têm previdência complementar garantida pelas instituições financeiras.

PLR

O Comando cobrou dos bancos que as regras da PLR sejam simplificadas, com critérios objetivos e transparentes que permitam aos trabalhadores bancários ter exata noção do que irão receber. A reivindicação aprovada para a Campanha Nacional 2013 é de pagamento de três salários mais uma parcela fixa de R$ 5.553,15.

Os dirigentes criticaram as limitações impostas pela regra atual. Quando foi instituída a PLR, os bancários ficavam com 12% dos lucros dos bancos, mas hoje esta parte é de apenas 5%, já que os tetos impostos pela regra não permitem que a PLR acompanhe o crescimento dos lucros.
Os bancos afirmaram que a discussão é complexa e deve ser realizada fora da Campanha Nacional, com mais tempo para que as propostas sejam debatidas. Uma proposta dos bancos para a PLR deve ser apresentada no dia 5 de setembro.

O Comando deixou claro que ainda devem ser tratados três pontos: o valor distribuído à categoria, que está descolado do crescimento dos lucros exorbitantes dos bancos, a influência das provisões para devedores duvidosos (PDD) nos valores distribuídos e a discussão mais aprofundada sobre a regra da PLR.

Calendário de mobilização

Agosto

28 – Dia do Bancário, com atos de comemoração e de mobilização
29 – Terceira rodada de negociação específica entre Comando e BB
29 – Terceira rodada de negociação específica entre Comando e CAIXA
30 – Dia Nacional de Mobilização e Paralisação das centrais sindicais pela pauta da classe trabalhadora

Setembro

3 – Previsão de votação do PL 4330 da terceirização na CCJC da Câmara

5 ? Apresentação de propostas da Fenaban

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