Foto: Jailton Garcia – Contraf-CUT

Assim como aconteceu com os temas de saúde, condições de trabalho e segurança bancária, os bancos também não fizeram propostas para as reivindicações sobre igualdade de oportunidades defendidas nesta quinta-feira, 28, pelo Comando Nacional dos Bancários, no encerramento da segunda rodada de negociações da Campanha 2014. A presidenta do Sindicato, Eliana Brasil, representou a entidade na mesa e o diretor Wagner Nascimento participou da negociação como coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB.

Os bancos voltaram a negar que haja discriminações de gênero, raça e orientação sexual nos locais de trabalho e protelaram mais uma vez a apresentação dos resultados do II Censo da Diversidade realizado entre 17 de março e 9 de maio.

Os negociadores da Fenaban disseram que o resultado do Censo ainda não foi concluído e que se reunirão na próxima semana com a consultoria que coordenou a pesquisa, comprometendo-se a trazer os resultados na primeira quinzena de setembro.

Os representantes dos bancários cobraram as informações pois elas são fundamentais para que seja feita a comparação com os dados do primeiro Censo, de 2008, e para avaliar se as discriminações foram corrigidas.

Em 2008, as mulheres ganhavam 78% dos salários dos homens e encontravam mais obstáculos para a ascensão profissional. Além disso, apenas 19,5% dos bancários eram negros ou pardos, com ganho médio de 84,1% do salário dos brancos. E a categoria tinha somente 8% de mulheres negras.

Dados da Rais (Relação Anual de Informações Sociais) de 2012 revelam que a presença de pretos e pardos na categoria bancária era de 17,1%, o que demonstra que houve uma redução da população negra trabalhando nos bancos.

Cota de 20% para negros

Por causa da discriminação, o Comando Nacional reivindicou um percentual mínimo de 20% de negros nas contratações dos bancos. Os negociadores da Fenaban, no entanto, foram enfáticos em afirmar que não gostam e não aceitam nenhuma política de cotas.

Mulheres são discriminadas

As mulheres são metade da categoria, há vários anos, e possuem escolaridade superior aos homens, mas ganham menos e enfrentam barreiras na ascensão profissional.

Contra as alegações dos bancos de que não há discriminações, o Comando apresentou os dados do Caged do primeiro semestre deste ano, mostrando que as mulheres já entram no banco ganhando 24% menos que os homens, na média.

Se observados os cargos de auxiliares e assistentes administrativos, a diferença aumenta para 29%. E na gerência de marketing, por exemplo, as mulheres ganham 22% menos que os homens contratados.

Os representantes dos trabalhadores também apontaram a ausência de mulheres nos altos cargos executivos de quase todos os bancos. Os negociadores da Fenaban não contestaram as informações, mas não apontaram soluções para combater as discriminações.

PCS

Os bancários reivindicam que os bancos disponibilizem a relação de cargos com suas definições técnicas, assim como os critérios necessários para essas funções.

Os negociadores da Fenaban alegaram que os grandes bancos já disponibilizam suas “trilhas” na intranet à disposição dos bancários e que, portanto, não haveria necessidade de incluir esse tema na Convenção Coletiva de Trabalho.

Assédio sexual

Os bancos admitiram que o assédio sexual é uma prática inaceitável e que deve ser combatida, porque prejudica o ambiente de trabalho. No entanto, se recusaram a incluir qualquer aspecto desse tema na Convenção Coletiva. Concordaram, apenas, em fazer uma campanha de combate conjunta com os sindicatos.

PCD

Os bancos rejeitaram, ainda, a reivindicação apresentada pelo Comando de abono das ausências para reparo, conserto, manutenção e aquisição de órtese e prótese dos trabalhadores com deficiência (PCD).

Os representantes dos bancários consideraram essa posição uma discriminação contra os trabalhadores com deficiência, uma vez que qualquer bancário que sofra alguma contusão e necessite ir ao médico, por exemplo, terá a ausência abonada via atestado médico, ao passo que os PCD não possuem nenhum instrumento similar que os proteja.

Os banqueiros alegaram que não é necessário incluir o assunto na Convenção Coletiva porque não existe demanda, uma vez que, segundo eles, quando algum trabalhador com deficiência necessita se ausentar, ele tem a anuência.

Calendário de negociações da Campanha 2014

Agosto
29 – Segunda rodada específica com a Caixa

Setembro
1º – Começa o plebiscito popular sobre a reforma política
1º – Segunda rodada de negociação específica com o BB
2 – Negociação específica com o Santander
3 e 4 – Terceira rodada de negociação com a Fenaban
10 e 11 – Quarta rodada de negociação com a Fenaban
12 – Terceira rodada de negociação específica com o BB

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT

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