A proposta apresentada nesta quinta-feira, 5, pela Fenaban ao Comando Nacional dos Bancários de reajuste de apenas 6,1% (reposição da inflação prevista) sobre os salários, os pisos, a PLR e demais verbas de caráter salarial foi rejeitada pelos representantes dos bancários. Num total desrespeito às reivindicações da categoria, os banqueiros não apresentaram nada de aumento real de salário, nada de aumento real sobre os pisos, nada de melhoria da PLR, nada de garantia de emprego, nada de avanços para a saúde dos trabalhadores e para as condições de trabalho, nada que aponte para o fim das metas abusivas e do assédio moral, nada para melhorar a segurança bancária e nada para promover a igualdade de oportunidades.

Questionados pelos representantes dos bancários se essa era a última proposta, os negociadores da Fenaban responderam que “é a proposta final, pra fechar acordo”, e que não há mais como avançar porque a categoria bancária já tem a melhor Convenção Coletiva do país.

Além de rejeitar a proposta já na mesa de negociação, o Comando Nacional aprovou um calendário de lutas com a realização de assembleias na próxima quinta-feira, dia 12, em todo país para deliberar sobre greve a partir do dia 19, se até lá os bancos não apresentarem uma nova proposta que contemple as expectativas da categoria.

Banco do Brasil e CAIXA começam mal as negociações da Campanha Nacional 2013

O Banco do Brasil está tentando confundir e desmobilizar bancários com nota mentirosa publicada em seu site nesta quinta-feira, 5, após a reunião entre a Fenaban e o Comando Nacional dos Bancários. A notícia afirma que a proposta apresentada pelos bancos será discutida e avaliada pelas confederações e que nova reunião deve ser realizada já na próxima semana.

O Sindicato alerta os bancários de que esta é uma informação falsa, publicada para confundir a categoria, e que em nenhum momento a Fenaban sinalizou que haverá outra proposta em uma nova reunião.

Já a direção da CAIXA, após ter sido cobrada pelos representantes dos empregados, que exigiram empenho à pauta de reivindicações debatida durante as ultimas rodadas de negociação, até hoje não se manifestou. Apesar de ter sinalizado, durante a reunião com o Comando Nacional na ultima terça-feira, 3, que iria apresentar uma proposta global nesta semana, o banco recuou e não apresentou nada aos representantes dos empregados.

O presidente do Sindicato, Cardoso, ressaltou a importância da mobilização diante do descaso e da desonestidade dos bancos. “A atitude desrespeitosa da CAIXA e o seu total desprezo em relação às nossas justas reivindicações é prova de que temos que intensificar ainda mais a mobilização. Está claro que tanto a CAIXA quanto o BB tentam esvaziar nosso movimento e desmobilizar os bancários através de informações falsas e sinalizações vazias. A categoria deve ficar atenta e acompanhar as negociações através dos nossos informativos e do nosso site e não se deixar envolver por notícias falsas. O bancário sabe muito bem que a nossa união e a nossa mobilização são os nossos maiores instrumentos de luta”, afirmou.

As reivindicações dos bancários

> Reajuste salarial de 11,93% (5% de aumento real mais inflação projetada de 6,6%)
> PLR: três salários mais R$ 5.553,15.
> Piso: R$ 2.860,21 (salário mínimo do Dieese).
> Auxílios alimentação, refeição, 13ª cesta e auxílio-creche/babá: R$ 678 ao mês para cada (salário mínimo nacional).
> Melhores condições de trabalho, com o fim das metas abusivas e do assédio moral que adoece os bancários.
> Emprego: fim das demissões, mais contratações, aumento da inclusão bancária, combate às terceirizações, especialmente ao PL 4330 que precariza as condições de trabalho, além da aprovação da Convenção 158 da OIT, que proíbe as dispensas imotivadas.
> Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) para todos os bancários.
> Auxílio-educação: pagamento para graduação e pós-graduação.
> Prevenção contra assaltos e sequestros, com o fim da guarda das chaves de cofres e agências por bancários.
> Igualdade de oportunidades para bancários e bancárias, com a contratação de pelo menos 20% de negros e negras

A proposta da Fenaban

> Reajuste – 6,1% (previsão da inflação pelo INPC) sobre salários, pisos e todas as verbas salariais (auxílio-refeição, cesta-alimentação, auxílio-creche/babá etc.)
> PLR – 90% do salário mais valor fixo de R$ 1.633,94, limitado a R$ 8.927,61 (o que significa reajuste de 6,1% sobre os valores da PLR do ano passado).
> Parcela adicional da PLR – 2% do lucro líquido dividido linearmente a todos os bancários, limitado a R$ 3.267,88.
> Adiantamento emergencial – Não devolução do adiantamento emergencial de salário para os afastados que recebem alta do INSS e são considerados inaptos pelo medico do trabalho em caso de recurso administrativo não aceito pelo INSS
> Prevenção de conflitos no ambiente de trabalho – Redução do prazo de 60 para 45 dias para resposta dos bancos às denúncias encaminhadas pelos sindicatos, além de reunião específica com a Fenaban para discutir aprimoramento do programa.
> Adoecimento de bancários – Constituição de grupo de trabalho, com nível político e técnico, para analisar as causas dos afastamentos.
Inovações tecnológicas – Realização, em data a ser definida, de um Seminário sobre Tendências da Tecnologia no Cenário Bancário Mundial.

Calendário de luta

O Comando Nacional, reunido após a reunião com a Fenaban, aprovou o seguinte calendário de luta:

12 de setembro – Assembleias em todo o país para deliberar sobre a proposta e greve por tempo indeterminado a partir do dia 19.
17 – Todos a Brasília para pressionar os deputados federais durante a audiência pública sobre o PL 4330 no plenário da Câmara.
18 – Assembleia organizativa para encaminhar a greve.
19 – Deflagração da greve nacional dos bancários por tempo indeterminado.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT

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