“Isso é normal”. Essa foi a principal resposta dos banqueiros para as denúncias apresentadas pelo Comando Nacional dos Bancários, durante a primeira rodada de negociação da Campanha 2012, realizada nos dias 7 e 8 de agosto, em São Paulo. Mesmo com a exposição de fatos como a redução de média salarial devido à rotatividade, o assédio moral e as metas abusivas, os representantes dos bancos bloquearam a dicussão, reduzindo os problemas e transformando-os em questõe naturais do dia-a-dia do trabalhador.

“Não existem metas abusivas nos bancos. Elas são apenas desafiadoras. O assédio moral, quando existe, é resultado do desvio de caráter de alguns gestores. As reclamações que existem nos locais de trabalho são normais, parecidas com as dos filhos que se queixam das cobranças dos pais, dos alunos que protestam contra exigências dos professores e dos atletas que reclamam do rigor dos técnicos”, disseram os banqueiros durante o segundo dia de negociações.

Diante da resposta intransigente dos bancos, o coordenador do Comando Nacional dos Bancários, Carlos Cordeiro, ainda propôs uma pesquisa interna para ouvir a opinião dos trabalhadores. Mas os representantes dos bancos recusaram qualquer tipo de consulta de satisfação dos bancários, pois, segundo eles, isso significaria submeter a gestão dos bancos a uma espécide de “prova”feita pelo trabalhador.

A apresentação das reivindicações da categoria foi baseada em dados da 14ª Pesquisa do Emprego Bancário. Segundo o documento, os bancos geraram apenas 2.350 novos empregos no primeiro semestre de 2012, o que representa um recuo de 80% em comparação ao mesmo período do ano passado, quando foram criadas 11.978 vagas. A pesquisa revelou, também, que os bancos usam a rotatividade para reduzir a massa salarial e que discriminam as mulheres, que não têm estabilidade de emprego e ganham menos que os homens.

Mesmo confrontados com números e casos reais, os banqueiros soltaram mais uma afirmação absurda: “Os bancários não estão preocupados com o emprego”, disseram. Os representantes dos bancos rejeitaram todas as reivindicações da categoria sobre emprego, negaram que haja rotatividade e fechamento de postos de trabalho nos bancos e admitiram que “estão fazendo ajustes”.

Os debates sobre saúde e condições de trabalho continuarão na segunda rodada de negociação, que ocorre nos dias 15 e 16 de agosto, em São Paulo. Também serão discutidas as reivindicações sobre segurança bancária, igualdade de oportunidades e remuneração.
Veja alguns temas específicos discutidos na primeira rodada de negociações:

Terceirização e correspondentes bancários
Os representantes sindicais denunciaram a sobrecarga de trabalho e a troca de bancários por correspondentes. Mostraram que há dois mil municípios sem agência e que alguns bancos se recusam a prestar atendimento, empurrando clientes para os correspondentes. Durante a negociação, o Comando Nacional dos Bancários defendeu a transformação do corresponde bancário em agência ou posto de atendimento, mas a Fenaban insistiu na terceirização e disse que os correspondentes bancários estão atuando dentro do que permite a legislação.

Outra proposta apresentada pelos representantes dos bancários foi a isenção de tarifas e juros menores para os bancários, que arcam muitas vezes com as taxas maiores de crédito consignado que os clientes. A resposta da Fenaban foi que isso faz parte da política interna de cada banco e não deve fazer parte da negociação coletiva.

Os dirigentes sindicais também reivindicaram o abono-assiduidade, que é o direito a cinco folgas abonadas por ano como forma de compensar os dias trabalhados sem remuneração. Mas, novamente de forma intransigente, a Fenaban se recusou a discutir a questão.

Cumprimento da jornada de 6 horas
O respeito à jornada de seis horas, instituida na década de 1930, foi outra reivindicação importante defendida na mesa de negociações. Com o crescimento do setor, o bancário trabalha intensamente, sem descanso e extrapolando sua jornada. A Fenaban se recusou a discutir o cumprimento da jornada de seis horas para todos os bancários.

Melhoria do atendimento
O Comando Nacional defendeu, ainda, o controle do tempo de espera nas filas e a ampliação do horário de atendimento, das 9h às 17h, com dois turnos de trabalho. Mas a Fenaban afirmou que esse não é um assunto trabalhista e se recusou a incluir o horário de atendimento, assim como o controle das filas na convenção coletiva.

Combate ao assédio moral
O Comando Nacional cobrou dos bancos uma reavaliação do combate ao assédio moral. A estratégia utilizada hoje tem se mostrado insuficiente, uma vez que as reclamações de abusos só têm aumentado, assim como o número de bancários doentes.
Programa de Reabilitação profissional
Os bancos foram questionados em relação à adesão ao Programa de Reabilitação Profissional, presente na Convenção Coletiva desde 2009. Pelo acordo, cuja a implementação é opcional, os bancos devem instituir programas de reabilitação ao bancário com diagnóstico de adoecimento. Nenhum deles até agora abraçou a proposta.

A Fenaban tentou fugir do questionamento, mas diante da pressão dos representantes dos bancários, ela se comprometeu a fazer reuniões com os bancos e procurar resolver o assunto.

 

 

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