Foto: Jailton Garcia – Contraf-CUT

Na abertura da segunda rodada de negociação da Campanha 2013, realizada nesta quinta-feira, 15 em São Paulo, antes de entrar na discussão do tema emprego o Comando Nacional dos Bancários cobrou respostas para as reivindicações sobre saúde e condições de trabalho apresentadas na primeira rodada, mas a Fenaban rejeitou as demandas da categoria sobre o fim das metas abusivas e avanços no combate ao assédio moral e à insegurança. O presidente do Sindicato, Cardoso, participou da reunião.

Em relação ao emprego, os bancos recusaram o fim das demissões imotivadas e da rotatividade e o respeito à jornada de 6 horas. As negociações continuam nesta sexta-feira, 16, às 9h30, incluindo as demandas sobre igualdade de oportunidades.

Houve apenas um avanço na segunda rodada de negociação, diante da proposta do Comando de fazer uma pesquisa sobre o adoecimento crescente da categoria. Os bancos propuseram criar, ao final da campanha deste ano, um grupo de trabalho bipartite com a participação de especialistas para discutir o afastamento dos bancários por razões de saúde.

O Comando propôs que o GT seja criado já, com a realização da primeira reunião durante a campanha para começar a discussão e com prazo fixado para concluir os trabalhos, buscando soluções para acabar com o adoecimento. Os representantes dos bancos ficaram de dar resposta na terceira rodada de negociações, a ser marcada nesta sexta-feira.

Saúde e condições de trabalho

O Comando Nacional insistiu nas reivindicações sobre saúde, condições de trabalho e segurança para reiterar aos bancos que não fechará a campanha deste ano se não houver solução para essas importantes demandas da categoria.

Os representantes dos trabalhadores ressaltaram que as metas abusivas e o assédio moral são os problemas graves enfrentados pela categoria e estão provocando uma epidemia de adoecimento. Por isso, antes de entrar no tema emprego, que estava agendado para a segunda rodada de negociações, os representantes dos bancários exigiram dos bancos respostas para as reivindicações apresentadas na primeira rodada, destacando:

– proibição de torpedos e emails enviados pelos gestores aos bancários para cobrança de metas.
– reduzir de 60 para 40 dias o prazo para os bancos responderem às denúncias de assédio moral encaminhadas pelos sindicatos.
– medidas de prevenção contra sequestros.
– melhoria da assistência às vítimas de assaltos e sequestros.
– manutenção do plano de saúde e odontológico para aposentados.
– folga de cinco dias por ano (abono assiduidade).
– acabar com o prazo de 120 dias para adiantamento de salário aos bancários com alta do INSS, mas considerados inaptos pelos bancos.
-Os representantes dos banqueiros não apresentaram respostas, dizendo que essas reivindicações não estão “no radar” dos bancos.

O Comando também denunciou o descumprimento da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) em relação às cláusulas sobre proibição de transporte de valores pelos bancários, não exposição do ranking individual dos funcionários e não reabilitação de trabalhadores afastados por motivos de saúde. A Fenaban ficou de atuar junto aos bancos para que a CCT seja cumprida.

Segurança bancária

Após cobrança do Comando Nacional, a Fenaban agendou uma reunião da mesa temática de segurança bancária para a próxima terça-feira, dia 20, em São Paulo, para apresentação da estatística de assaltos a bancos do primeiro semestre de 2013, conforme estabelece a CCT.

Fim das demissões e da rotatividade

O Comando denunciou a estratégia principalmente dos bancos privados de melhorarem o “índice de eficiência” reduzindo postos de trabalho e cortando custos com a prática da rotatividade.

De acordo com dados do Caged, no primeiro semestre houve corte de 4.890. Entre junho de 2012 e junho de 2013, este corte chegou a 10 mil postos de trabalho no sistema financeiro.

Nos bancos múltiplos, houve 15 mil admissões e 20 mil desligamentos no primeiro semestre deste ano, sendo que a redução da média salarial entre os admitidos e os desligados foi de 36%, evidenciando a rotatividade em busca de reduzir custos. Na economia como um todo, a diferença entre o salário médio dos admitidos e dos desligados é de 7%.

Depois de mostrar os números, o Comando cobrou o atendimento das reivindicações, como garantia de emprego, proibição das demissões imotivadas conforme estabelece a Convenção 158 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), fim da rotatividade, respeito à jornada de 6 horas para todos e manutenção da remuneração em caso de descomissionamento ou perda de gratificação. Os bancos, no entanto, rejeitaram todas essas demandas.

A segunda rodada de negociações continua nesta sexta-feira, 16, com a discussão das demais reivindicações sobre emprego. Também são debatidas as demandas sobre igualdade de oportunidades, como a criação de uma cota de no mínimo 20% de negros e negras nos bancos.

Calendário de luta

Agosto

16 – Continuidade da segunda rodada de negociação entre Comando e Fenaban
19 – Segunda rodada de negociação entre Comando e CAIXA
22 – Dia Nacional de Luta, com passeatas dos bancários
28 – Dia do Bancário, com atos de comemoração e de mobilização
30 – Paralisação nacional das centrais sindicais pela pauta da classe trabalhadora

Setembro

3 – Previsão de votação do PL 4330 da terceirização na CCJC da Câmara

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT

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