O Bradesco divulgou na segunda-feira, 22 de outubro, um lucro líquido ajustado de R$ 2,893 bilhões no terceiro trimestre de 2012, o que representa alta de 1% sobre o mesmo período do ano passado. Até o mês de setembro, o banco já acumula lucro de R$ 8,605 bilhões, alta de 2,1% em comparação com o mesmo intervalo de 2011 e o quarto maior lucro da história entre os bancos de capital aberto no Brasil, segundo dados de levantamento da consultoria Economatica.

Apesar dos números positivos, resultado do esforço dos bancários, o Bradesco realizou mais cortes de empregos no trimestre. O banco fechou 431 postos de trabalho entre julho e setembro, a exemplo do trimestre anterior, quando foram eliminadas 571 vagas, totalizando 1.002 cortes de empregos nos últimos seis meses. Com isso, o quadro caiu para 104.100 funcionários. As despesas de pessoal caíram para R$ 3.118.878, queda de 7,69% em relação a R$ 3.378.538 em setembro de 2011, quando o banco tinha mais funcionários.

O Bradesco também não tem oferecido aos seus empregados condições dignas de trabalho, de acordo com o funcionário do banco e diretor do Sindicato, Carlos Augusto. “Existe muita cobrança por metas dentro das agências, mas apesar disso, os funcionários do Bradesco continuam sem um Plano de Cargos e Salários (PCS) e sem auxilio-educação. Avaliamos, também, que o banco poderia pagar uma melhor Participação nos Lucros e Resultados (PLR) a seus empregados”, denuncia.

Carlos Augusto ressalta que, em 2009, o banco recusou um acordo proposto pela representação dos funcionários para a instituição do Programa de Remuneração Total. “O programa garantiria melhoria nos salários com base nas vendas de produtos efetuadas por cada empregado. O Bradesco recusou a proposta e afirmou que continuaria com a mesma política salarial, sendo hoje o único grande banco privado que não tem um programa de remuneração variável”, explica.

Outra prova de que, apesar dos lucros exorbitantes, o Bradesco não investe naqueles que são os principais responsáveis pelo crescimento do patrimônio do banco é a falta de segurança, que coloca em risco a vida de bancários, clientes e usuários. “As agências não possuem biombos instalados na frente dos caixas, apesar de já estar em vigor, desde junho de 2011, a Lei Municipal Nº 10.200/11, que dispõe justamente sobre a obrigação das agências bancárias em oferecer esta proteção. Muitas vezes, nem mesmo a porta de segurança é instalada”, afirma Carlos.

PDD

No trimestre, conforme análise do Dieese, o Bradesco voltou a usar a manobra contábil das elevadas provisões para devedores duvidosos (PDD). O montante provisionado foi de R$ 3,303 bilhões de julho a setembro, alta de 18,9% contra o mesmo período de 2011.

Em relação ao segundo trimestre deste ano, houve diminuição de 3,1%. No acumulado de 2012, em comparação a igual período de 2011, houve crescimento de 29,4%.

Já o índice de inadimplência superior a 90 dias apresentou uma pequena queda, encerrando setembro em 4,1%, o que representa 0,1 ponto percentual a menos em relação ao trimestre anterior.

O diretor Carlos Augusto explica que “os lucros seriam ainda maiores se não fosse a manobra utilizada na PDD, com valores que não se justificam diante do índice de inadimplência”.

 

Fonte: SEEBBH e Contraf-CUT

Compartilhe: