Como se não bastassem as pressões e o assédio moral que funcionárias e funcionários do Bradesco sofrem diariamente nas unidades de trabalho, o banco tem encontrado formas de sobrecarregar ainda mais os trabalhadores. Desde dezembro de 2016, produtos relacionados a consórcios passaram a ser vendidos pelos bancários, ao invés da venda através de corretores.

A situação de sobrecarga é ainda mais grave tendo em vista o fato de que os funcionários não têm um programa de remuneração variável e não recebem comissões pelos produtos vendidos. Além disso, os trabalhadores não contam com a experiência dos corretores de seguros e não têm treinamento adequado para efetuar este tipo de venda.

E as pressões tendem a aumentar em março, quando os corretores não poderão mais realizar vendas de VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre) e PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre) e estes produtos também passarão a ser comercializados por bancárias e bancários.

Base Prioritária

Outra situação que tem gerado estresse entre os funcionários está relacionada à Base Prioritária (BP), chamada também de “Bola Preta – Melhor Oferta”. Apesar de se destinar apenas a classificar algumas ações no sistema AFVD (Automação Força de Venda), ela tem sido usada para muitas outras ações que, para os gestores do Bradesco, se tornaram prioritárias. Entre elas estão a revisão financeira, revisão cadastral, rentabilização, CDC veículo e outras.

Os funcionários são obrigados a realizar contatos diários com clientes para a venda de produtos, sendo oito contatos por dia para gerentes de Pessoa Física e sete contatos para gerentes de Pessoa Jurídica. Com isso, os bancários do Bradesco têm vivido sobrecarregados em meio a diversas atribuições e cobranças sem que haja o devido reconhecimento.

A pressão é grande, já que os gerentes perdem pontos no Programa de Avaliação de Desempenho (PADE) se não conseguirem realizar os contatos obrigatórios.

Além disso, o Bradesco incorporou a prática de avaliação pós-venda que era feita no HSBC e a matriz do banco entra em contato com os clientes, através de telefone ou SMS, para avaliar o contato feito pelos funcionários. Caso o cliente afirme que não houve contato, o gerente é chamado à Regional e passa por constrangimentos, além de não ter direito de resposta, já que não lhe é informado o caso específico que está sendo tratado. Em alguns casos, quando há incidência de não conformidade referente ao contato com o cliente, o gerente é demitido.

Metas de agências

Outro problema observado nas unidades de trabalho está ligado às metas das agências. Muitas vezes, a pedido da Diretoria Regional, gerentes regionais obrigam agências que já bateram suas metas a compensar metas não batidas de outras unidades. É o chamado “plus”, que também vem sobrecarregando os trabalhadores.

Uso do celular pessoal

O Sindicato denuncia, também, que o Bradesco tem obrigado que funcionárias e funcionários utilizem o seu próprio aparelho celular (m-token), vinculado à sua conta corrente pessoal, para ter acesso ao sistema do banco. Além da invasão de privacidade dos bancários, que têm que utilizar um dispositivo pessoal para a realização de seu trabalho, a situação gera constrangimento diante de clientes, já que os trabalhadores são obrigados a manusear seus celulares durante o atendimento, o que pode gerar interpretações errôneas.

Para denunciar estes casos e tratar de outros temas ligados ao dia a dia dos funcionários, o Sindicato já está cobrando uma reunião com representantes da matriz do Bradesco.

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