arcebispo

É com grande pesar que o Sindicato anuncia o falecimento, nesta quarta-feira, dia 14, de Dom Paulo Evaristo Arns, o grande arcebispo da liberdade e da dignidade humana. O Cardeal estava internado, no hospital Santa Catarina, desde o dia 28 de novembro com broncopneumonia.

Ao longo da vida, o frade franciscano Paulo Evaristo Arns recebeu muitos epítetos. Foi chamado de cardeal da liberdade, bispo dos oprimidos, cardeal dos trabalhadores, bispo dos presos, bom pastor, cardeal da cidadania, guardião dos direitos humanos e tantos outros. Mas já ao final da vida, quando lhe perguntaram como gostaria de ser lembrado, deu uma resposta singela: “amigo do povo”.

Como padre, bispo e cardeal, lutou pela liberdade, ficou ao lado dos trabalhadores e dos oprimidos, combateu em defesa dos direitos humanos, mas foi, sobretudo, exatamente como gostaria de ser lembrado, um amigo do povo.

Nesta condição, subiu morros, frequentou favelas, incursionou pelas periferias e enfrentou os generais da ditadura para dar proteção a perseguidos políticos —de religiosos a operários, de advogados a jornalistas.

Dom Paulo tinha 95 anos, 71 anos de sacerdócio e 76 anos de vida franciscana. Ele era cardeal desde 1973 e foi arcebispo metropolitano de São Paulo entre 1970 e 1998. O trabalho pastoral de Arns foi voltado principalmente aos habitantes da periferia, aos trabalhadores, à formação de comunidades eclesiais de base nos bairros e à defesa e promoção dos direitos humanos.

Era o bispo dos oprimidos, o cardeal dos trabalhadores, da liberdade e da cidadania. O guardião dos direitos humanos. Bravamente enfrentou os generais da ditadura militar para dar proteção a perseguidos políticos, religiosos, operários, jornalistas e profissionais de diversas áreas.

Em março de 1973, ele presidiu a “Celebração da Esperança”, em memória do estudante Alexandre Vannucchi Leme, morto pela ditadura. No ano seguinte, acompanhado de familiares de presos políticos, apresentou ao general Golbery do Couto e Silva um dossiê relatando os casos de 22 desaparecidos.

Em outubro de 1975, no ano em que o jornalista Vladimir Herzog foi assassinado por agentes do governo, Dom Paulo comandou, na Catedral da Sé, um culto ecumênico que, reunindo milhares de pessoas, acabou se transformando num dos atos públicos mais significativos da luta contra o regime militar instalado 11 anos antes no país.

Anos depois, defendeu o voto popular na campanha Diretas Já.

Entre outras lutas de sua trajetória, destacam-se também sua atuação contra a invasão da Pontifícia Universidade Católica (PUC), comandada pelo então secretário de Segurança Pública de São Paulo, coronel Erasmo Dias, em 1977, e o planejamento da operação para entregar ao presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter, uma lista com os nomes de desaparecidos políticos.

Em outubro deste ano, ele foi homenageado no Teatro da Pontifícia Universidade Católica (Tuca), na capital paulista, pelos seus 95 anos de vida, e pela sua atuação política. A cerimônia foi marcada por relatos de ações de Arns contra a ditadura militar, nas décadas de 60 e 70, e em defesa dos direitos humanos. O papa Francisco enviou uma mensagem especialmente para a comemoração. O cardeal compareceu e fez uma breve fala de agradecimento ao final.

Durante toda a sua vida o cardeal abraçou a palavra esperança, força motriz para as suas ações em defesa dos oprimidos.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT

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