A CAIXA anunciou, nesta quinta-feira, 22, por meio de circular enviada às unidades de todo o país, mais um plano de demissão, agora denominado pelo banco de Programa de Desligamento de Empregados (PDE). Como nas vezes anteriores em que houve esse processo, a meta é reduzir ainda mais o quadro de pessoal e extinguir funções gratificadas, ao mesmo tempo em que fica clara a não reposição das vagas deixadas pelos que aderirem e saírem do banco.

O prazo para aderir ao PDE começa nesta sexta-feira, 23, e seguirá até 5 de março, com os desligamentos ocorrendo entre 1º e 12 de março. Conforme o comunicado, estão aptos a aderir os aposentados pelo INSS ou que podem se aposentar até 31 de dezembro deste ano. Também podem aderir trabalhadores com no mínimo 15 anos de efetivo exercício de trabalho, além daqueles com adicional de incorporação de função de confiança, cargo em comissão ou função gratificada até a data de desligamento.

“Essa ação faz parte do projeto para enfraquecer o caráter 100% público da CAIXA e os interesses dos empregados, com a retirada de direitos. Fica nítido ainda que a abertura de novo plano de demissão se mistura a medidas como fechamento de agências e áreas meios, mudanças no Saúde Caixa, revogação do RH 151, ataques à Funcef e ao FGTS e a menor oferta de crédito. Tudo muito parecido ao proposto para os bancos públicos nos anos 90. Resistimos lá e o faremos agora também”, afirmou o presidente da Fenae, Jair Pedro Ferreira.

O retorno do plano de demissão à rotina de trabalho dos empregados é motivo de muita apreensão Brasil afora. Trata-se de mais uma decisão unilateral da direção do banco, que causará a piora das condições de trabalho dos empregados que permanecerem nas unidades, afetando também o atendimento à população.

Para fazer frente a essa situação caótica, Jair Ferreira aponta a solução de o banco retomar as contratações, repondo ao menos as vagas deixadas pelos trabalhadores que saírem. “É cada vez mais urgente intensificar a defesa da CAIXA 100% pública e seu papel de agente primordial na execução de políticas públicas, lutando ainda pela contratação de número suficiente de trabalhadores para resolver o problema da carência de pessoal”, destacou.

Mais ataques ao FGTS

Segundo informações veiculadas pela imprensa, o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), atualmente com gestão centralizada na CAIXA, é outro importante instrumento de políticas públicas no país que poderá ser colocado a serviço da rede bancária privada pelo governo de Michel Temer. O argumento é o mesmo: melhorar o capital do banco, tornando-o mais eficiente.

O jornal O Estado de S. Paulo publicou, nesta quinta-feira, 22, em sua Coluna do Broadcast, um texto confirmando que os bancos privados têm interesse em operar recursos do FGTS da linha Pró-Cotista, destinada ao financiamento de imóveis. Saiba mais aqui.

Jair Pedro Ferreira reforça: é fundamental que a gestão do Fundo de Garantia continue sob a responsabilidade da CAIXA. “Trata-se de um banco 100% público e a serviço do Brasil e de cada cidadão. A resistência é o único caminho para enfrentar mais esse retrocesso. A CAIXA 100% pública é a única ferramenta capaz de atender às necessidades do povo brasileiro, a quem cabe escolher o projeto de governo a ser implantado no país”, afirmou o presidente da Fenae.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Fenae

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