Foto: Jailton Garcia – Contraf-CUT

Na quinta rodada de negociação específica com a CAIXA dentro da Campanha Nacional 2018, a direção do banco apresentou uma proposta de renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) que ignora dezenas de direitos atualmente garantidos pelo ACT. A presidenta do Sindicato, Eliana Brasil, participou da negociação, que ocorreu nesta terça-feira, 7, em São Paulo.

Dentre os direitos garantidos pelo ACT atual que não foram citados na proposta apresentada, estão: horas extraordinárias, adicional de trabalho em horário noturno, PLR Social, isenção de anuidade cartão de credito, juros do cheque especial diferenciado, tarifas em conta corrente, ausências permitidas, escala de férias, jornada de trabalho, saúde caixa, suplementação do auxílio doença (licença caixa), adicional de periculosidade e insalubridade, intervalo para descanso NR 17 homologação das rescisões, GT saúde caixa, GT saúde do trabalhador, negociação permanente, incentivo a elevação por escolaridade, Incorporação REB, GT contencioso Funcef, mais contratações e abrangência do ACT.

“Recebemos a proposta com grande espanto porque, além de não atender as reivindicações dos empregados pela manutenção de direitos com a consignação de novas cláusulas, como designação efetiva das funções e a incorporação aós 10 anos, ela ainda ignorou diversas cláusulas garantidas historicamente”, avaliou Dionísio Reis, coordenador da Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa). “O debate dos empregados da CAIXA e a cobrança que fazemos em mesa vem sendo não de ampliação dos direitos e sim de manutenção das conquistas históricas que os trabalhadores, cada dia mais sobrecarregados e sempre comprometidos com a CAIXA 100% pública, merecem. Nada mais, nada menos”, afirmou o dirigente.

Os representantes dos trabalhadores explicitaram a insatisfação com relação à minuta apresentada na mesa de negociação e pressionaram por uma nova rodada de negociação, que será realizada no dia 17, na sequência da próxima negociação com a Fenaban.

Bancárias e bancários de BH e região realizam Assembleia nesta quarta-feira, 8, para debater propostas e a mobilização do dia 10 de agosto (Dia do Basta).

PLR Social ameaçada

Com relação a PLR, os representantes do banco disseram que seguirão a regra Fenaban. Já PLR Social não foi citada. Nas negociações anteriores, os representantes do banco não garantiram seu pagamento. “Deixamos claro que a nossa PLR Social tem o objetivo de reconhecer o trabalho executado pelos trabalhadores e por isso eles querem e devem ser recompensados. Defendemos que o Acordo Coletivo de trabalho tem que avançar e não retroceder”, afirmou Dionísio.

Direção do banco se pautará pela reforma trabalhista

Durante a negociação, os representantes do banco, mais uma vez, afirmaram que se pautarão pela reforma trabalhista – lei que modificou dezenas de artigos da CLT e acabou com uma série de direitos dos trabalhadores.

A direção do banco também não garantiu a incorporação de remuneração de função, direito histórico dos empregados retirado pela direção do banco, antes mesmo da aprovação da reforma trabalhista, e que está mantido por liminar obtida na Justiça pela Contraf-CUT.

A CAIXA mantém a designação de função exclusivamente por minuto dos caixas, além de ameaçar utilizar com avaliadores e tesoureiros. A CEE/Caixa cobra o fim do Caixa Minuto, que significa a uberização do trabalho, e o banco apenas mantém a função efetiva dos atuais Caixas.

Proposta aniquila Saúde Caixa

Com relação ao Saúde Caixa, a direção da CAIXA apresentou a seguinte proposta: “A CAIXA oferece aos empregados e respectivos dependentes assistência à saúde, em modalidade, forma e condições modificáveis a qualquer tempo, respeitadas as normas da ANS e orientações estabelecidas pela CGPAR.”

A resolução 23 da CGPAR exclui os aposentados atuais e futuros do plano de saúde; elimina contribuição por grupo familiar; e “quebra a solidariedade”, o princípio pelo qual os empregados contribuem da mesma forma, independentemente do tempo de banco e idade.

“A proposta apresentada pela direção do banco é preocupante, porque além de reafirmar que o Saúde Caixa será submetido às resoluções da CGPAR, que praticamente aniquilam o convênio dos trabalhadores do banco, ainda abre a possibilidade de suas cláusulas serem ‘modificáveis a qualquer tempo’”, alertou Dionísio.

Proposta excludente aos aposentados

A proposta é especialmente excludente com relação aos aposentados, porque não garante uma série de direitos como isenção de tarifas e condições especiais de juros para empregados e ex-empregados e os exclui da cobertura do Saúde Caixa.

“É uma tristeza absoluta constatar que a CAIXA apresentou uma proposta totalmente excludente com relação aos aposentados, porque além de acabar com a cobertura do Saúde Caixa para essas pessoas que deram a vida pelo banco, ainda não garantiu a isenção de tarifas e condições especiais de juros para os empregados e ex-empregados”, afirmou Dionisio Reis.

“Essa proposta apresentada é inaceitável e os trabalhadores devem se mobilizar, fazer reuniões nos locais de trabalho comparecerem às assembleias e participarem do Dia do Basta na sexta-feira 10”, reforçou o dirigente.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT

 

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