Foto: Fenae

A primeira reunião da mesa permanente de negociações com a CAIXA em 2016, realizada nesta quinta-feira, 28, foi marcada pelo desrespeito do banco para com empregadas e empregados. Mesmo após a Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa), da qual a presidenta do Sindicato, Eliana Brasil, é integrante, ter protestado contra a postura intransigente nas últimas negociações, o banco manteve a mesma posição em relação à maioria dos temas.

Os representantes da CAIXA insistem em respostas evasivas e em manter o descumprimento de cláusulas acordadas nas duas últimas campanhas nacionais da categoria. Sobre contratação, o posicionamento do banco foi ainda pior. Além de ter não ter previsão de convocar novos concursados, os interlocutores da direção anunciaram a abertura de um novo Plano de Apoio à Aposentadoria (PAA) na próxima segunda-feira, 1º de fevereiro. Com isso, o banco espera o desligamento de aproximadamente 1.500 empregados.

Vestidos de preto, em forma de protesto contra a intransigência da CAIXA, os membros da Comissão Executiva cobraram o cumprimento dos pontos acordados.

A CEE/Caixa enfatizou que as medidas da atual gestão são contrárias à importância do banco para o país. Para os representantes dos empregados, é preciso fortalecer a CAIXA e assegurar melhorias nas condições de trabalho. Os trabalhadores ressaltaram que o enxugamento do quadro de empregados compromete a atuação do banco e vai contra o importante papel social da CAIXA no desenvolvimento econômico e social do Brasil.

Acordo assinado é para ser cumprido

Dos pontos da pauta da negociação permanente desta quinta-feira, cinco foram a respeito do descumprimento de questões acertadas com as representações dos trabalhadores. Três são relacionados ao cumprimento do ACT 2014/2015: contratação, destinação do superávit do Saúde Caixa e promoção por mérito. Outros referem-se a uma pendência da Campanha Nacional 2015: proposta para retorno do Adiantamento Assistencial Odontológico. Outros dois itens em discussão foram: incêndio da agência barco em Curralinho (PA) e reestruturação das GIRETs.

Os trabalhadores reforçaram que a resposta à transigência será a luta e a mobilização. Serão realizadas duas ações nacionais em defesa da CAIXA 100% Pública e contra o desrespeito da direção do banco. A primeira deverá ocorrer em 25 de fevereiro nas redes sociais. Já no dia 2 março, será realizado um Dia Nacional de Luta, com ações em todo o país.

Contratação

Se a falta de pessoal já é grave nas unidades de todo o país, o problema ficará ainda pior. A CAIXA confirmou que um novo Plano de Apoio à Aposentadoria (PAA) será aberto a partir do dia 1º de fevereiro, no qual o banco espera desligar em torno de 1.500 empregados. As adesões vão até 31 de março, e o prazo para desligamento será de 15 de fevereiro a 29 de abril. Os representantes do banco disseram que não haverá reposição das vagas, mas realocação de pessoal para as agências, sem informar como isso ocorrerá.

Ao ser questionada sobre o cumprimento da cláusula 50 do ACT 2014/2015, que previa a contratação de mais 2 mil empregados até 31 de dezembro do ano passado, a CAIXA alegou que cumpriu o que estava no acordo. Conforme os interlocutores do banco, de 1º de setembro de 2014 até o final de 2015 foram contratados 2.102 trabalhadores.

Os membros da CEE rebateram a informação, argumentando que quando o ACT foi fechado o banco contava com 101 mil empregados. O objetivo era que o número chegasse a 103 mil em 2015, o que já havia sido autorizado pelo órgão controlador. Porém, o que ocorreu foi uma redução drástica do quadro de pessoal. No final do ano, a empresa estava com quase cinco mil trabalhadores a menos. Com isso, empregadas e empregados sofrem com a sobrecarga de trabalho e o adoecimento, o que também compromete a qualidade do atendimento à população.

Saúde Caixa

A CEE também cobrou, na mesa, o cumprimento da cláusula 42 do ACT 2014/2015, que prevê a destinação do superávit do plano de saúde dos empregados da CAIXA. Em 26 de maio do ano passado, foi homologada na mesa de negociação permanente proposta com três medidas: redução do percentual de coparticipação de 20% para 15%, inclusão da remoção por ambulância no rol de serviços e a extensão de programas de qualidade de vida aos dependentes e titulares aposentados e pensionistas.

A redução da coparticipação deveria entrar em vigor em janeiro deste ano, o que não aconteceu. A CAIXA alegou que a proposta, apesar de contar com o referendo das áreas técnicas da empresa envolvidas na discussão e dos trabalhadores, foi debatida e rejeitada pelo Conselho Diretor. A proposta do banco foi que o tema voltasse para o GT Saúde Caixa para formulação de uma nova alternativa, o que foi rejeitado pela CEE/Caixa.

Os representantes dos empregados destacaram que é obrigação do banco cumprir com o que foi acordado. O prazo inicial previsto para conclusão dos debates sobre o superávit era 15 de dezembro de 2015, data sugerida pela própria CAIXA. Após três adiamentos por parte do banco, as discussões do GT foram concluídas e a proposta referendada na mesa permanente.

Adiantamento Odontológico

Apesar da CAIXA ter assumido o compromisso no encerramento da Campanha Nacional de que até o dia 31 de dezembro do ano passado apresentaria uma solução para a retomada do Adiantamento Assistencial Odontológico, o banco chegou à mesa de negociação sem nenhuma proposta.

Os representantes da CAIXA argumentaram que não havia previsão de quando isto iria acontecer, e que os técnicos da área não conseguiram encontrar uma saída para o problema. Após a pressão dos membros da CEE/Caixa, os interlocutores do banco se comprometeram, mais uma vez, a apresentar uma proposta em até 30 dias.

Reestruturação

Os representantes da CAIXA admitiram, pela primeira vez, que um projeto piloto de reestruturação está sendo executado em Brasília. A CEE/Caixa solicitou detalhes sobre as mudanças, mas o banco argumentou que, por se tratar de um piloto, nada pode ser divulgado no momento.

Os trabalhadores denunciaram que a falta de transparência por parte do banco já vem ocorrendo há algum tempo. Sempre que foram solicitados esclarecimentos sobre boatos de reestruturação, especialmente na retaguarda, o banco alegou que estava realizando estudos. Segundo a CAIXA, o Processo de Seleção Interna por Competência (PSIC) está suspenso em razão da reestruturação.

Promoção por mérito

Os interlocutores do banco reafirmaram que os reajustes da promoção por mérito serão creditados na folha salarial de fevereiro, com valores retroativos a janeiro. Eles explicaram que o adiamento ocorreu devido a uma inconsistência no sistema, mas não repassaram informações sobre as porcentagens de trabalhadores que receberão um ou dois deltas, bem como os que não alcançaram promoção em 2015. Esses dados devem ser apresentados à comissão que formulou a sistemática até 5 de fevereiro.

As regras da promoção por mérito 2015, com reflexos neste ano, foram definidas por uma comissão paritária e divulgadas no dia 25 de maio do ano passado. Esta foi uma das conquistas da Campanha Nacional de 2014. A sistemática garantiu um delta com 40 pontos, 10 a menos que na metodologia anterior. Também foram considerados critérios subjetivos, que garantiram até 20 pontos.

Ampliação dos fóruns

A CAIXA anunciou que, devido à avaliação positiva dos seis pilotos dos fóruns regionais de condições de trabalho (Brasília, Campinas, Curitiba, Fortaleza, Rio de Janeiro e São Paulo), estes serão ampliados para todo o país. Uma reunião do fórum nacional foi agendada para 16 de março, quando serão definidos os detalhes sobre a expansão para todas as Gipes. Essas instâncias foram uma conquista da Campanha Nacional 2014. As entidades também avaliaram como positiva a implantação dos pilotos.

A Comissão Executiva dos Empregados cobrou um posicionamento do banco sobre a agência barco da Ilha de Marajó, no Pará, que foi destruída por um incêndio no dia 21 de janeiro. Não houve vítimas. A CAIXA informou que está investigando o acidente e que começou a avaliar uma nova embarcação para retomar as atividades em 90 dias. Segundo o banco, os empregados receberam a assistência necessária e estão trabalhando em suas unidades de origem.

Os representantes da CAIXA informaram ainda que, assim que for divulgado o balanço de 2015, o que só deve ocorrer na última semana de fevereiro, será paga a segunda parcela da Participação nos Lucros e Resultados (PLR). O ACT 2015/2016 prevê que isso deve ocorrer até 31 de março. No ano passado, a segunda parcela foi creditada no dia 28 de fevereiro.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Fenae

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