Foto: Fenae

A CAIXA  frustrou os representantes dos empregados  durante a primeira rodada específica de negociação da Campanha 2012 realizada nesta sexta-feira , dia  10, em Brasília. O banco assumiu posição de intransigência e rejeitou a maioria das reivindicações dos empregados, como isonomia de direitos entre novos e antigos, pagamento do ticket alimentação aos aposentados, fim do voto minerva na Funcef e definição de critérios para descomissionamento.

Funcef

Os primeiros pontos discutidos foram relacionados à Funcef. A representação dos empregados cobrou solução para o contencioso jurídico, problema que vem se agravando a cada dia, por conta do elevado número de ações judiciais contra a Fundação, mas que na verdade são de responsabilidade da patrocinadora, porque foram originados pela política de recursos humanos da Caixa, como a cobrança do Complemento Temporário Variável de Ajuste de Mercado (CTVA).

Os representantes dos trabalhadores sugeriram a criação de uma comissão paritária para debater soluções para o contencioso jurídico, proposta que não foi aceita pela empresa. A CAIXA também rejeitou a reivindicação para acabar com o voto minerva, que confere à patrocinadora o poder de decidir sobre um assunto em caso de empate na votação entre os integrantes do colegiado. Segundo os representantes da empresa, o voto minerva está previsto em lei e no estatuto da Funcef.

No quesito Funcef, a CAIXA concordou apenas com a manutenção da campanha permanente de filiação, que vem sendo realizada conjuntamente com a Fundação e entidades sindicais e associativas.

Isonomia

Os representantes dos empregados cobraram equiparação de direitos de todos empregados em relação à licença-prêmio e ao Adicional por Tempo de Serviço (ATS). A empresa não aceitou a proposta.

Representante dos empregados no Conselho de Administração

O Comando Nacional cobrou mudança no estatuto da CAIXA, que prevê que somente os gestores podem ser candidatos a representante dos trabalhadores no Conselho de Administração da empresa. Segundo os trabalhadores, esse critério é restritivo, excluindo quase 90% dos empregados do processo eleitoral.

Os negociadores da empresa alegaram que essa alteração não foi aprovada pelo Conselho de Administração e que irá levar a reivindicação dos trabalhadores para a direção da CAIXA.

Carreira

PSI

Os trabalhadores cobraram ajustes no formato do Processo Seletivo Interno. Eles reconhecem a importância desse instrumento para o encarreiramento, mas reivindicam transparência nos critérios e universalização das participações.

Descomissionamento

A CAIXA não deixa claro para os trabalhadores quais os critérios utilizados para descomissionar e essa medida vem sendo feita de forma unilateral, deixando a cargo do gestor a retirada de função.

Carreira de tecnologia

O Comando Nacional cobrou atenção especial para a área de tecnologia, com a criação de cargos e funções específicas de TI com remuneração compatível com o mercado e outros órgãos públicos, implantação da proposta de carreira de TI que mantenha a possibilidade de 6 horas nas funções técnica e técnico-gerencial e migração para as novas funções sem PSI.

A empresa informou que está desenvolvendo uma proposta de reestruturação da carreira, mas não estabeleceu um prazo para conclusão desse trabalho.

Mais contratações

A CAIXA reassumiu o compromisso, firmado no acordo coletivo de 2011, de aumentar seu quadro de pessoal para 92 mil empregados até 31 de dezembro deste ano.

Para o Comando Nacional, o nível de contratações não tem acompanhado o ritmo de abertura de novas agências em todo o país, gerando sobrecarga de trabalho.

Para a empregada da CAIXA  e presidente do Sindicato, Eliana Brasil, a enrolação do banco durante essa primeira rodada de negociação mostra que somente a mobilização e o envolvimento dos bancários  irão dobrar a intransigência da CAIXA durante esta campanha salarial. “A CAIXA teve lucro líquido de R$ 2,8 bilhões no primeiro semestre deste ano, que correspondeu a uma expansão de 25,2% em comparação ao obtido no mesmo período do ano passado. Todo este lucro é resultado do empenho dos empregados que deram o melhor de si para que o banco cumprisse as suas metas e a sua função social. A  CAIXA deveria reconhecer o empenho dos seus empregados, mas pelo que vimos na reunião de sexta-feira, somente com muita mobilização vamos conseguir arrancar novas conquistas”,  afirmou.
 
A próxima negociação específica com a CAIXA ocorrerá na próxima sexta-feira, dia 17, a partir 12h, e terá como pauta Saúde Caixa e saúde do trabalhador.

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