Sem qualquer justificativa plausível, a CAIXA tem criado um impasse desnecessário ao proceder com demora na definição da data de posse de Fernando Neiva (titular) e Maria Rita Serrano (suplente), eleitos no início de dezembro do ano passado os representantes dos empregados no Conselho de Administração do banco. Essa situação precisa de solução urgente, já que o problema é de responsabilidade exclusiva da empresa, a única da esfera pública que tentou empurrar critérios restritivos à participação dos trabalhadores, desde que a presidenta Dilma Rousseff regulamentou a lei nº 12.353/10, em março de 2011.

Na condição de conquista histórica e importante da categoria, como resultado da luta das entidades associativas e sindicais de todo o país, a participação dos empregados no órgão máximo de decisão do banco, através de seus representantes eleitos em votação direta, precisa ser devidamente respeitada. Afinal, a escolha de Fernando Neiva e Rita Serrano para atuar no CA representa a busca permanente pela valorização dos empregados. Ambos receberam 13.706 votos, 55,85% do total, e isto deve ser levado em conta com a celeridade necessária.

A Fenae, a Contraf-CUT e outras entidades do movimento dos empregados cobram, portanto, a imediata posse dos novos conselheiros, cabendo à CAIXA oferecer-lhes estrutura adequada ao cumprimento do mandato, cujo processo democrático consolida essa fundamental conquista dos trabalhadores.

A CAIXA, por outro lado, precisa conscientizar-se de que o impasse na definição da data de posse é uma agressão à vontade dos empregados expressa em urnas. Esse processo foi encerrado em 6 de dezembro do ano passado e, desde então, o silêncio do banco vem causando prejuízo aos trabalhadores, na medida em que as demandas dos empregados precisam ser atendidas adequadamente.

A expectativa era de que o ato de posse ocorresse ainda no fim do ano passado, mas a CAIXA não colaborou. Como resultado disso, o direito dos empregados participarem da instância máxima do banco público, onde são tomadas as decisões estratégicas, tem sido desrespeitado mais uma vez. A conduta do banco tem causado, inclusive, indignação e estranheza, já que macula todo o processo de escolha de novos conselheiros, que certamente foi realizado de forma democrática.

Como houve a derrubada da barreira que impedia a participação de empregados sem experiência gerencial nas eleições do CA, agora a pressão dos empregados precisa estar direcionada para garantir a imediata posse dos eleitos. Isto permitirá, inclusive, que Fernando Neiva e Rita Serrano possam dar cumprimento aos compromissos de sua plataforma eleitoral: valorização dos empregados, transparência na fixação de diretrizes para a atuação da CAIXA e fiscalização rigorosa dos atos da administração.

Portanto, a coerência exige da CAIXA sintonia com o seu apregoado discurso de buscar diferenciar-se no relacionamento com os trabalhadores e a população. Nesse caso, a posse dos novos conselheiros eleitos reafirma a necessidade de que o banco priorize seu papel social e sua natureza de banco público. Para isso, a CAIXA precisa adotar protagonismo positivo, guiado pelo reconhecimento ao esforço e pelo respeito aos direitos e às demandas dos empregados.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Fenae Net

Compartilhe: