Sob a assessoria da Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa), representantes dos empregados se reuniram com a CAIXA nesta terça-feira, 26, e voltaram a cobrar o aceleramento das contratações. Pelo Acordo Coletivo de Trabalho-ACT 2014/2015, o banco deve contratar, até o final do ano, mais dois mil novos empregados. Entretanto, pelos números apresentados durante a mesa permanente de negociação, o ritmo de admissões está muito aquém das necessidades reais nas unidades de trabalho.

De 1º de março a 30 de abril, foram realizadas apenas 48 admissões e 1.341 desligamentos. O número de desligados pode ser ainda maior, considerando que nesta sexta-feira, 29 de maio, termina o prazo para os trabalhadores que aderiram ao Plano de Apoio a Aposentadoria (PAA) efetivarem seu afastamento.

Os trabalhadores deixaram claro que a CAIXA deve, além de contratar mais dois mil novos empregados, fazer a reposição de todos que deixam o banco por causa do PAA. Quando o ACT foi fechado, não havia perspectiva de realização do Plano e a CAIXA negava, nas negociações, que pretendia lançar um novo plano de apoio a aposentadoria. Naquela época, o movimento dos empregados já denunciava a sobrecarga de trabalho nas agências.

Números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho divulgados nesta terça-feira confirmam a retração de contratações na CAIXA. O banco que, até as pesquisas divulgadas anteriormente, era o único a criar vagas enquanto os outros demitiam, apresentou saldo negativo de 634 vagas no mês de abril. Nos quatros primeiros meses de 2015, a CAIXA cortou 977 empregos.

Contratando a passos lentos, a CAIXA impõe condições precárias de trabalho e de atendimento à população. Membros da CEE/Caixa relataram, mais uma vez, o funcionamento de agências com número reduzido de pessoal, algumas delas com apenas cinco empregados.

O banco contestou a denúncia e alegou que a média por unidade é de sete empregados e que não há previsão de redimensionamento do quadro de pessoal. A Comissão solicitou que o banco apresente, na mesa permanente, os conceitos da metodologia utilizada para definir o quantitativo de funcionários por unidade. Os interlocutores da CAIXA ficaram de avaliar com a área responsável a possibilidade de atender à reivindicação.

Outra questão que preocupa as representações dos trabalhadores é a vinculação da lotação das unidades à produtividade. Os representantes da CAIXA admitiram que este é um dos critérios levados em conta pela área de gestão ao definir novas contratações. Ou seja, faz parte da estratégia do banco reforçar o quadro de pessoal das agências que apresentam maior produtividade e rentabilidade.

Na avaliação da CEE, se a empresa mantiver essa política há risco de fechamento de agências e precarização do atendimento à população mais carente. Os representantes dos trabalhadores reforçaram a defesa de uma CAIXA 100% pública, com manutenção e avanços em seu importante papel social.

A CAIXA informou que está fazendo um redimensionamento da rede de atendimento, por conta de restrições orçamentárias. Em 2015, devem ser abertas 15 agências.

Substituições

A CAIXA tem adotado outras medidas que precarizam as condições de trabalho e restringem os direitos dos seus empregados. Uma delas foi a CE 055, em vigor desde 13 de abril, que restringe, por períodos menores que sete dias, as substituições “em cascata” de empregados que executam temporariamente funções gratificadas e cargos em comissão.

No dia 7 de maio, a CEE/Caixa reivindicou, em ofício encaminhado à direção do banco, a revogação desta circular. Na negociação permanente, os interlocutores da CAIXA afirmaram que não há intenção de revogar a medida. Para a CEE, isso representa um desrespeito ao direito do empregado que substitui.

A Comissão Executiva dos Empregados cobrou, também, o cumprimento da cláusula 56 do ACT, que prevê melhorias nas condições de trabalho dos tesoureiros. O segmento sofre com problemas de estrutura física, segurança, falta de pessoal e sobrecarga de trabalho, entre outros problemas.

A CAIXA alegou que já foram implementadas algumas ações, como a revisão das atividades com a melhoria dos processos, digitalização dos documentos, acertos operacionais e conta acerto centralizada na Gerência de Retaguarda. Para o segundo semestre, estão previstas a conferência de cheques diretamente pela Giret e a automação da rotina de custódia.

Outro segmento que o banco ainda não contemplou é a tecnologia. Na ata de fechamento do acordo 2014/2015, a CAIXA se comprometeu a apresentar, até o final do primeiro semestre desse ano, uma proposta de carreira da TI.

Os representantes dos empregados lembraram que essa foi uma expectativa criada pelo próprio banco na última Campanha Nacional, quando o vice-presidente da área prometeu aos trabalhadores da área que sua reivindicação seria atendida. Os representantes da CAIXA informaram que está sendo feito estudo e que o tema será apreciado pelas instâncias do banco. A CEE solicitou celeridade no processo.

A CEE/Caixa pediu também informações sobre reestruturação da área meio. O banco alegou que contratou uma consultoria para fazer melhorias de processos.

A Comissão também solicitou esclarecimentos sobre os contratos de vigilantes e telefonistas. Os representantes da CAIXA alegaram que os contratos estão sendo renovados na medida em que vencem os prazos de vigência.

Fóruns Regionais e Condições de Trabalho

Ficou definida a prorrogação, até 31 de agosto, do prazo para conclusão dos trabalhos dos pilotos dos Fóruns Regionais de Condições de Trabalho. A prorrogação foi solicitada pela CEE/Caixa visando assegurar o aprofundamento dos debates.

O objetivo é buscar medidas para prevenir e combater problemas relativos ao cumprimento da jornada de trabalho, assédio moral, cobrança por metas abusivas e falta de estrutura das unidades.

A criação desses fóruns regionais, integrados por representantes dos trabalhadores e do banco, foi um desdobramento das discussões realizadas no ano passado pelo Fórum Nacional de Condições de Trabalho, uma conquista da Campanha Nacional 2014 e das negociações permanentes.

Ficou agendada para 16 de junho a primeira reunião do Fórum Nacional de Condições de Trabalho.

Saúde Caixa

A Comissão Executiva dos Empregados referendou o acordo para destinação do superávit do Saúde Caixa com uma ressalva: que a redução da coparticipação de 20% para 15% entre em vigor em 1º de julho deste ano. A CAIXA defende que isto só ocorra a partir de janeiro de 2016 e informou que a reivindicação será levada para discussão.

A redução da coparticipação foi uma das três propostas sugeridas pelo grupo de trabalho instalado em 30 de outubro do ano passado para debater A metodologia de utilização do superávit do plano de saúde. O acordo prevê, ainda, estudo para estender aos dependentes dos beneficiários um dos programas de promoção à saúde utilizados pelo banco e a remoção por ambulância em situações de emergência.

Banco de Habilitados

A CEE/Caixa registrou, na mesa permanente, protesto contra o processo seletivo para o banco de habilitados. Segundo a representação dos empregados, falta transparência e credibilidade na seleção. Pelas regras estabelecidas unilateralmente pelo banco, os candidatos não podem recorrer dos resultados.

A comissão recebeu várias queixas referentes às provas para assistente júnior e assistente pleno realizadas no início deste mês. Problemas como cobrança indevida de conteúdo, questões mal redigidas e falta de local adequado para realização das provas foram relatados.

Foi reivindicado pelos trabalhadores que seja suspensa a trava de seis meses para garantir que candidatos não aprovados nessa seleção, e que se sentiram prejudicados, possam se inscrever em novo processo. A CAIXA ficou de levar as denúncias e a reivindicação para a área responsável.

Adiantamento odontológico

A CAIXA confirmou que o adiantamento foi suspenso porque sua metodologia vai ser revista. Os representantes dos trabalhadores solicitaram celeridade no posicionamento do banco, pois o adiantamento foi criado para custear serviços que não são cobertos pelo Saúde Caixa.

Incorporação do REB

A proposta de metodologia para incorporar o REB ao Novo Plano, já aprovada pelo Conselho de Administração da CAIXA, ainda não foi enviada ao Dest segundo informaram os representantes do banco.

Agência Barco

A CAIXA informou que realizará, na última semana de junho, visitas técnicas nas agências barcos para averiguar as condições de funcionamento dessas unidades. A CEE/Caixa reivindicou que o trabalho seja acompanhado por representantes das entidades sindicais e os representantes do banco acataram o pedido.

Escala de Revezamento

A CAIXA ajustou o Sipon na data limite (13 de abril) prevista na cláusula 19 do ACT 2014/2015, para atender as áreas que estão sujeitas a escala de revezamento.

Nova negociação

A próxima reunião da mesa permanente de negociação foi agendada para o dia 20 de julho.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT e Fenae

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