O Comando Nacional dos Bancários propôs à Fenaban, em negociação realizada nesta terça-feira, 12, em São Paulo, a mudança do caráter do Censo da Diversidade Bancária. A ideia é que ele traga não apenas uma fotografia da realidade do setor, mas se torne também uma ferramenta de formação e de mudança da cultura discriminatória que ainda persiste no sistema financeiro e na sociedade brasileira.

“Com a mudança do caráter do Censo, podemos contribuir com a capacitação da categoria e possibilitar que cada bancário se torne agente da diversidade, do respeito e da igualdade em toda a sociedade, inclusive nos locais de trabalho”, ressaltou a presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira, depois de ter apresentado uma série de dados sobre a discriminação e a violência contra as mulheres, negros, pessoas com deficiência (PCDs) e LGBTs.

Os representantes dos trabalhadores ressaltaram que o Censo é de extrema importância, mas deve vir juntamente com outras ações que levem à transformação do cenário de discriminação. Entre as sugestões, está a elaboração de uma cartilha para ser distribuída à categoria.

A Fenaban aceitou a proposta e apresentará um cronograma de atividades para sua implantação na próxima reunião da mesa de igualdade de oportunidades, que está prevista para ocorrer no dia 10 de abril.

Canal de atendimento às mulheres

Além da mudança no caráter do Censo da Diversidade, o Comando Nacional dos Bancários propôs a criação, pela Fenaban, de um canal de atendimento às bancárias vítimas de violência, seja doméstica ou as ocorridas em outros ambientes sociais, inclusive no trabalho.

O objetivo é acolher as bancárias vítimas de violência e orientá-las, inclusive com assistência jurídica e psicológica, no acompanhamento específico dos casos.

Para a presidenta da Contraf-CUT, a criação do canal de atendimento pode contribuir para a melhoria do desempenho no trabalho. “Uma pesquisa realizada pela Universidade Federal do Ceará mostra que a violência doméstica gera uma perda de R$ 1 bilhão por ano ao mercado de trabalho. O estudo diz que, em média, as vítimas precisam se ausentar 18 dias do trabalho após sofrer a violência”, explicou Juvandia.

A Fenaban levará a proposta para os bancos analisarem e apresentará uma resposta na próxima reunião da mesa de negociações.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT