Empregados demitidos, em 1991, gravaram depoimentos em Belo Horizonte – Foto: Fenae

 

No dia 7 de fevereiro, a cineasta Maria Augusta Ramos (Guta) lançou, em São Paulo, seu mais novo documentário: “Não Toquem em meu Companheiro”, produzido com apoio da Fenae. No evento de lançamento, a diretora – conhecida pelo filme “O Processo” sobre o golpe de 2016 – exibiu o longa para uma plateia com cerca de 800 empregados da CAIXA.

“Não Toquem em meu Companheiro” conta a história de solidariedade em torno de um grupo de 110 trabalhadores da CAIXA de unidades de Belo Horizonte, São Paulo e Londrina. Durante o governo Collor, os empregados foram atingidos pelas medidas “moralizantes” do serviço público. Eleito como “o caçador de marajás”, Collor não hesitou em colocar na rua os da “casta”, segundo a sua visão do funcionalismo.

No documentário, além do passeio histórico pela luta para manter – por meio de arrecadação de um percentual dos salários dos empregados – por um ano inteiro, os colegas demitidos, a discussão passa pela perda de direitos, a desvalorização do funcionalismo e a ameaça de privatização dos bancos públicos.

Os demitidos da CAIXA, por atos do então governo Fernando Collor de Mello, foram para a rua uma semana depois de terem concluído estágio probatório. Nem mesmo mulheres em licença-maternidade foram poupadas. As mobilizações foram mantidas até a reintegração de todos e o título do filme é o mesmo da campanha instituída para apoiar os demitidos em 1991.

Para Maria Augusta, trata-se de uma incrível história de solidariedade e luta dos empregados da CAIXA. “Também senti que seria um filme extremamente necessário, nesse momento pelo qual estamos passando no Brasil e no mundo, de ataque às relações de trabalho e aos direitos dos trabalhadores”, destacou.

As gravações ocorreram em Belo Horizonte (onde 50 trabalhadores foram demitidos); em São Paulo, (30) e em Londrina (30). O reencontro promovido por Guta para as gravações provocou emoção e lembranças do período de penúria, mas também promoveu discussões entre veteranos e jovens empregados da CAIXA. “Esses momentos são o coração do filme, pela beleza da história que eles carregam, pela emoção do reencontro dos demitidos e pela urgência de falar sobre essa luta em um momento onde os direitos do trabalhador – mas não só – voltam a ser atacados”, destacou Maria Augusta.

Exibição

“Não Toque em Meu Companheiro” passará a ser exibido nos vários estados do país em eventos promovidos pela Fenae e também por streaming.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Jornalistas pela Democracia (Denise Assis)

 

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