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Foto: Jailton Garcia – Contraf-CUT

No último dia 9 de junho, a Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Bradesco cobrou da direção do banco responsabilidade social sobre o emprego, devido ao número de demissões. Porém, nesta quarta-feira, 22, durante nova reunião da mesa de negociação, em São Paulo, o banco afirmou que não há um processo de demissões devido à reestruturação em decorrência da compra do HSBC.

Mais uma vez, o banco negou a onda de demissões, alegando que os cortes são de ordem natural, ou seja, por motivo de desempenho, pedidos de demissões e aposentadorias. Porém, os trabalhadores reafirmaram que a realidade é outra.

Segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), no primeiro trimestre de 2016, o Bradesco teve lucro líquido ajustado de R$ 4,113 bilhões. Mesmo assim, o banco manteve sua política de cortes. Em apenas um ano, de março de 2015 a março de 2016, foram 3.581 empregos a menos no segundo maior banco privado do país.

A COE apontou que, com o cruzamento das informações referentes às homologações feitas por sindicatos em todo o país, a realidade não condiz com as informações trazidas pelos representantes do banco.

Durante a reunião, o banco admitiu que hão houve contratações no mesmo volume de desligamentos em todo o território nacional e assumiu o compromisso de ter um olhar mais minucioso em todo o país, começando nas regiões onde há maior defasagem de trabalhadores para fazer o devido ajuste. Ainda afirmou que as contratações não ocorreram do mesmo tamanho devido à crise.

Os representantes dos trabalhadores vão fazer os levantamentos devidos para acelerar o processo de preenchimento de vagas nos postos de trabalho.

Reivindicações específicas

Na mesa de negociação, o Bradesco deu retorno sobre as reivindicações específicas dos funcionários. Em relação ao fim do assédio moral e das metas abusivas, haverá uma reunião específica para que haja aprofundamento maior sobre este tema.

Sobre a implantação do Plano de Carreira, Cargos e Salários, o banco manteve a sua posição de empresa com plano de carreira fechado, porém afirmou que há um novo sistema de oportunidades, através do SAP (trilhas). Desta forma, fica mais objetivo o processo de ascensão, de promoção ou de oportunidades em outras áreas do banco. De acordo com o Bradesco, junto com o grupo de trabalho que será criado para acompanhar o ponto eletrônico, o sistema será apresentado aos representantes dos funcionários.

Em relação à rede de atendimento do plano de saúde e odontológico, o banco se comprometeu a reativar as reuniões por federações com o intuito de realizar a ampliação.

Sobre a garantia dos direitos dos funcionários lesionados, que tenham passado por sequestro, afastados do trabalho, e sobre a construção de programa de retorno ao trabalho, o tema deve ser aprofundado com a retomada do Grupo de Trabalho de Saúde.

Em relação ao parcelamento do desconto do adiantamento do salário de férias, o Bradesco afirmou que formulará proposta que deve ser apresentada em breve.

Já sobre o programa Treinet no horário de trabalho, atendendo a uma reivindicação dos trabalhadores, o banco implementou travas para que se consiga fazer o treinamento somente no horário comercial.

No item sobre licença adoção, o Bradesco também se comprometeu a estudar o tema e dar retorno o mais breve possível.

Na pauta específica, os bancários reivindicaram do banco também que fosse oferecida uma opção de percentual para fracionar e distribuir os valores entre os vales refeição e alimentação, considerando aquilo que lhe seja mais favorável. O banco se comprometeu a estudar este tópico e dar retorno.

Para o funcionário do Bradesco e diretor do Sindicato, Welington Cruz Marinho, que integra a COE, ficou claro que só com a mobilização da categoria será possível avançar. “Mesmo o banco alegando que não há um processo de demissões em curso, basta verificar os números de demitidos em nossa base, que neste ano já ultrapassa a marca de mais de 70 desligamentos no geral. Seguiremos pressionando o Bradesco para que atenda nossas reivindicações e coloque fim às demissões”, afirmou.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT

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