A segunda mesa da Conferência Nacional, neste sábado, 3, debateu a importância da luta em defesa da soberania nacional. Convidados falaram a bancárias e bancários sobre os ataques ao patrimônio dos brasileiros e a intensificação deste processo no governo Bolsonaro.

A mesa teve início com a fala do economista Ladislau Lowbor, que tratou das formas utilizadas pelo sistema financeiro globalizado de se apropriar das riquezas dos países. Entre os exemplos citados, estão as extorsivas taxas de juros cobradas no Brasil e as tarifas bancárias.

“No processo de globalização, há um mecanismo pouco visível, que é a presença do capital financeiro e dos bancos em cada pequena transação por meio das tarifas cobradas pelos cartões. Não é a apenas a apropriação da Amazônia ou do petróleo. A perda da soberania está também nesse sistema de extração de recursos improdutivos. O sistema financeiro é global, enquanto os governos são nacionais, sem peso correspondente para enfrentar essa máquina”, afirmou Ladislau.

Já o dirigente nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, ressaltou que a soberania diz respeito ao direito de um povo ao seu próprio futuro. Nesse contexto, Stédile afirmou que é preciso que os setores progressistas deixem de lado antigos preconceitos para lutar pelas grandes pautas nacionais.

“Está cada vez mais claro que a burguesia brasileira não é nada nacionalista e não tem qualquer interesse em defender a nação. Atualmente, no governo Bolsonaro, estamos assistindo a retomada agressiva de todas aquelas tentativas desnacionalização e dilapidação do patrimônio nacional que vimos nos governo Collor e FHC”, afirmou o dirigente.

Para Stédile, há importantes pontos de unidade dos setores progressistas e, entre eles, está a defesa da soberania nacional, que deve ser encampada de forma ampla, e não apenas por diferentes setores isoladamente. Além dela, há também a defesa da educação, a luta contra a reforma da Previdência e a defesa de Lula livre.

Para concluir os debates sobre soberania, esteve presente o senador Jaques Wagner (PT-BA), que defendeu a complementação entre a mobilização nas ruas, a atuação no Congresso Nacional e também a utilização das novas ferramentas e tecnologias para combater o discurso do atual governo.

“É assustadora a petulância e a coragem com que o atual governo está alterando tudo que foi construído no Brasil. E enquanto Bolsonaro fala asneiras, Paulo Guedes coloca em prática o objetivo principal do governo, que é dilapidar o patrimônio brasileiro, roubando o que temos de oportunidade de futuro”, afirmou Jaques Wagner.

Em relação às novas tecnologias, o senador salientou que os setores progressistas devem conquistar a juventude e encontrar novas formas de se comunicar com as bases. “Estamos em uma esquina civilizatória, que coloca em risco a própria democracia. Reconheço o tamanho do desafio e precisamos pensar além dos conteúdos. É preciso estarmos atentos às novas tecnologias e nos apropriar destas ferramentas”, explicou.

 

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