Trabalhadoras e trabalhadores bancários realizaram, neste domingo, 4, na Conferência Nacional, uma mesa para discutir o futuro do trabalho, impactos e organização sindical. Os palestrantes convidados falaram sobre as mudanças no mundo do trabalho, os avanços tecnológicos e os desafios da representação dos trabalhadores nesta nova dinâmica.

O economista Marcio Pochmann narrou um panorama da história da organização do trabalho e sindical, abordando as revoluções tecnológicas e o atual quadro de redução generalizada dos postos de trabalho. Para ele, no atual cenário, é fundamental que os sindicatos repensem sua forma de atuação pois o novo mundo do trabalho oferece possibilidades, mas é preciso construir uma agenda de médio e longo prazo.

Para embasar as discussões, estiveram presentes também Vivian Rodrigues e Gustavo Machado, que são técnicos do Dieese. Em suas apresentações, abordaram o avanço tecnológico nos bancos e os impactos destas mudanças no emprego bancário.

Na chamada indústria 4.0, a atual revolução tecnológica baseada principalmente em dados (big data), Vivian explicou que os bancos investiram, desde 2014, R$ 97,7 bilhões de reais em tecnologia. A tendência é forte no Brasil e em todo o mundo, com investimentos voltados principalmente para a análise de dados e a inteligência artificial.

Neste cenário, vêm ocorrendo mudanças profundas no emprego bancário, com o crescimento no número de trabalhadores que estão no ramo financeiro, mas não compõem o núcleo duro da categoria bancária, encampado pela representação sindical e pela Convenção Coletiva de Trabalho.

Segundo Gustavo Machado, foram fechados 60 mil postos de trabalho bancário desde 2012 no Brasil. Porém, cresce o número de trabalhadores ligados ao ramo financeiro. No ano 2000, o país contava com 557 mil trabalhadores no ramo, sendo 72,2% bancários. Já em 2017, eram 843 mil trabalhadores no ramo, com apenas 55% sendo bancários.

As razões para este quadro incluem o crescimento das fintechs – empresas de tecnologia que atuam no sistema financeiro -, o aumento no número de correspondentes bancários e também o crescimento do trabalho autônomo, principalmente na área de tecnologia e de empresas de investimentos. De acordo com Gustavo, todas estas atividades geram lucros para os bancos, mas os trabalhadores não são encampados pela representação sindical bancária.

Já o advogado José Eymard Loguercio falou aos participantes sobre o panorama da organização sindical. Traçando uma linha do tempo desde a era Vargas, Eymard afirmou que a estrutura sindical no Brasil não sofreu alterações substanciais nas últimas décadas, mantendo-se baseada na representação por categorias e em bases territoriais.

Atualmente, porém, o governo Bolsonaro já anuncia que pretende fazer mudanças nesta organização. O processo de individualização das relações trabalhistas, reforçado com a reforma do governo Temer, tende a se aprofundar com a MP 881 e também com o fim da unicidade sindical.

Para o advogado, é necessário que os sindicatos se mobilizem e atuem como protagonistas destas prováveis mudanças. “O que deve estar em disputa é um discurso de modernização e liberdade sindical contra uma prática de desregulação da organização sindical. No momento atual, com a política dominada por um viés autoritário e espaços de debate e diálogo encurtados, os sindicatos precisam ter propostas e disputar essa regulação”, afirmou

 

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