Delegadas e delegados realizaram, neste sábado, 8, um debate sobre a conjuntura nacional. O panorama sobre a situação política e econômica foi traçado pela presidenta da CUT-MG, Beatriz Cerqueira, que tratou dos ataques aos direitos e do desmonte do Estado brasileiro desde o golpe que colocou Temer no poder.

Em sua fala, Beatriz destacou que a luta contra o desmonte será longa e que é necessário compreender esta conjuntura como algo de longo prazo. “Eles tentam impor um novo ciclo ao país, um ciclo de décadas. Estão impondo um novo Estado brasileiro, rasgando a Constituição e rasgando a CLT através destas reformas, seja por projetos de lei ou mesmo medidas provisórias”, afirmou.

Para a presidenta da CUT-MG, é preciso deixar claro que, assim como em 1964, o Brasil sofreu um golpe em 2016. E estes dois golpes têm em comum a característica de destruir um projeto nacional. “Nós entramos na rota do golpe a partir do momento em que o Brasil passou a se posicionar de forma contra hegemônica internacionalmente. A partir do momento que descobrimos o pré-sal. Esta ruptura democrática também tem um viés internacional”, explicou.

A mídia também teve papel fundamental para que o país chegasse a este ponto, segundo Beatriz. Isso se deu com a construção de uma narrativa de combate à corrupção e de falta de governabilidade para que se pudesse derrubar o governo Dilma.

“Estamos diante do estabelecimento de outra constituição sem uma constituinte. Nós não outorgamos aos deputados e senadores esse poder mas, por várias frentes, e também por decisões do STF, eles estão fazendo isso. Estamos enfrentando uma disputa de orçamento público, de transferência de recursos para a iniciativa privada, e a PEC do congelamento vai cumprir essa tarefa”, afirmou a presidenta da CUT-MG.

Beatriz reforçou que, diante dessa conjuntura, é preciso compreender a importância da articulação a luta de uma forma mais geral. “Nenhuma campanha salarial dos bancários será exitosa com essa política econômica que está aí. Nenhuma luta na educação será exitosa se o professor tiver que estar em sala de aula por 49 anos. Nenhuma luta poderá ser exitosa com o ataque que as mulheres estão sofrendo nas reformas da Previdência e trabalhista”, destacou.

Por isso, a presidenta da CUT-MG também destacou que é fundamental fortalecer o discurso pelas Diretas Já. “Corremos risco concreto de não existirem as eleições de 2018. Deram um golpe para ficar lá nas próximas décadas. Por isso fizeram todo o processo em 2016 e continuam na mesma dinâmica cada vez mais acelerada. A luta pela Diretas Já significa dizer que o que está aí é ilegítimo. É preciso traçar estratégias de curto, médio e longo prazo e investir cada vez mais em uma luta geral, de classe, de enfrentamento coletivo”, concluiu.

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