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Dando início ao segundo dia da 18ª Conferência Estadual, delegadas e delegados participaram de um painel que discutiu a atual conjuntura política e econômica em nível internacional, nacional e estadual. Diante da crise mundial e do cenário vivido no Brasil, foi destacada a necessidade de ampliar a mobilização e que os movimentos representativos dos trabalhadores dialoguem com toda a sociedade sobre os direitos ameaçados e o que realmente está em jogo.

A mesa foi composta pelo economista e presidente da Fundação Perceu Abramo, Marcio Pochmann, pela presidenta da CUT-MG, Beatriz Cerqueira, pela diretora da Fetrafi-CUT/MG, Carolina Gramiscelli e pela diretora do Sindicato dos Bancários de Divinópolis e Região, Synara Nicolau.

Em sua análise sobre a conjuntura nacional e internacional, Marcio Pochmann destacou que vivemos hoje dois importantes eventos: a crise do capitalismo, que leva a uma desordem mundial, e o esgotamento do ciclo político vivido no Brasil desde a redemocratização que teve início em 1985, após o fim da ditadura militar.

Para o economista, o momento grave representa também uma oportunidade. “Temos uma grande responsabilidade diante das circunstâncias em que estamos envolvidos. A crise dá ao Brasil a oportunidade de dar um salto de qualidade, e isso passa não apenas por um esforço intelectual, mas também por uma articulação com a sociedade, com o movimento social”, explicou.

Além disso, o cenário de desorganização mundial, com a perda de poder por parte dos Estados Unidos e o esgotamento do padrão de acumulação vivenciado nas últimas décadas, permite ao Brasil se reposicionar mundialmente. “Nos últimos anos, o Brasil deu importantes passos através da aproximação dos Brics, a criação da Unasul, entre outras iniciativas. Porém, esta política ativa e altiva de enfrentamento não agrada aos Estados Unidos e teve papel determinante para chegarmos ao atual momento de instabilidade política”, afirmou.

Marcio Pochmann ressaltou, também, que a falta de reformas profundas desde a redemocratização fez com que chegássemos a este estágio de esgotamento político, com pouca representatividade. “Fizemos a transição da ditadura para a democracia, mas vivemos, até os dias de hoje, em um sistema construído pelos militares. Um sistema irracional que estimula a criação de partidos sem base ideológica, que permite a eleição de candidatos para o poder Executivo que não conseguem colocar em prática seu programa de governo pela falta de apoio no Legislativo”, explicou.

Alertando para os desafios trazidos pelas mudanças na classe trabalhadora e nos anseios da sociedade brasileira, o economista lembrou que o atual período é especial e exige reflexão. “Não temos soluções definitivas ou em curto prazo. Temos a possibilidade enorme de fazer mudanças, e só não as faremos se aceitarmos a derrota que querem nos impor”, concluiu.

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A presidenta da CUT-MG, Beatriz Cerqueira, também lembrou que a situação vivida hoje no Brasil não se resolverá em pouco tempo e exigirá muito enfrentamento ideológico. “Vivemos uma falência do sistema político que leva governos a agirem de acordo com a governabilidade, e não de acordo com o programa com o qual foram eleitos”, explicou.

Beatriz destacou que a conciliação de classes se esgotou e que é necessário construir alternativas. “O atual governo ilegítimo é um governo de classes, e não de conciliação. O golpe, que também se desenha no governo estadual de Minas Gerais, veio com o claro propósito da retirada de direitos e traz também a criminalização das esquerdas. Com a implantação da agenda liberal que perdeu as eleições em 2014, o que nos espera é a privatização de tudo o que for possível, o mais rápido possível. Com isso, estão em risco não apenas as empresas públicas, mas também a educação pública, o SUS e o desmonte das políticas públicas. Precisamos fazer as pessoas compreenderem o real impacto negativo desta política nas suas vidas”, afirmou.

A dirigente sindical alertou ainda para o crescimento de uma onda fascista, com a negação da política, que ameaça a democracia e o crescimento do autoritarismo.

“Sozinhos já estamos derrotados e o momento político exige unidade. É fundamental que possamos construir frentes de luta, baseadas na aliança entre diversos movimentos sociais. Para ampliar a mobilização, construir nossa luta e frear o golpe que está em curso, o diálogo com toda a população é fundamental”, afirmou Beatriz.

Regimento Interno

Logo após a realização da mesa sobre conjuntura, os participantes da Conferência Estadual realizaram a leitura e aprovaram o Regimento Interno do evento.

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