Após denúncia do Sindicato, o Ministério do Trabalho realizou, na última sexta-feira, 7, audiência entre representantes dos trabalhadores e do Banco do Brasil para discutir as práticas antissindicais e perseguição contra funcionários que aderiram à última greve por parte do banco. Estiveram presentes os funcionários do Banco do Brasil e diretores do Sindicato, Wagner Nascimento e José Adriano Soares, além do diretor jurídico, Fernando Neiva, e do advogado da entidade, José Sávio Leite.

O Sindicato denunciou o assédio do banco contra os funcionários, através de cancelamento de férias e abonos e a abertura de processo disciplinar. Além disso, funcionários do Centro de Suporte Operacional (CSO) e da Agência Belo Horizonte denunciaram a alteração de abonos acordados com os gestores para faltas não abonadas.

Na reunião, o Banco do Brasil negou que haja atitude institucional de perseguição aos funcionários que fizeram greve. O banco assumiu o compromisso de verificar os casos denunciados de cancelamento de férias até o dia 10 de dezembro e os de abonos alterados de funcionários até o dia 14 de dezembro. Os representantes da diretoria do BB sustentaram, a todo momento, a afirmação de que os problemas apontados foram locais, e não uma prática orientada pelo banco.

Os representantes do Sindicato questionaram o Banco do Brasil sobre a possibilidade de abertura de processo disciplinar para os casos de não cumprimento integral da compensação das horas de greve. O BB não negou a possibilidade desse desdobramento, afirmando que analisaria caso a caso.

Uma segunda mesa redonda foi realizada para tratar denúncia dos trabalhadores sobre as chamadas “mesas de crédito” das agências. O Sindicato reconhece que a oferta de crédito é um serviço importante da política do banco e faz parte da atividade bancária, mas exige que o banco ofereça melhores condições de trabalho aos funcionários deslocados para esta função, com adequação de mobiliário e respeito à jornada reduzida e às pausas regulamentadas pela Norma Regulamentadora 17 do Ministério do Trabalho, que trata das atividades de telemarketing e teleatendimento.

Também nesta questão, o banco negou que estivesse fora dos padrões exigidos e o Sindicato prontamente solicitou fiscalização do Ministério do Trabalho nas centrais de crédito das agências para garantir que a saúde física e mental dos bancários e bancárias do BB não seja prejudicada.

Para o funcionário do Banco do Brasil e diretor do Sindicato, Wagner Nascimento, é importante que os bancários compreendam que a entidade está lutando para atender às suas demandas e para exigir do banco o fim dos abusos. “Pudemos expor ao Ministério do Trabalho os problemas que acontecem dentro do Banco do Brasil. A diretoria do banco, porém, nega que tenha orientado perseguição e os gestores locais apontam a diretoria do BB como a responsável. Quem entende isso?”, questiona.

O diretor jurídico do Sindicato, Fernando Neiva, lembra que é essencial a intermediação da Delegacia Regional do Trabalho diante das fortes denúncias do Sindicato contra os absurdos praticados, que eram negados com veemência pelo Banco do Brasil. “Ficamos indignados com a atitude de desdém do banco diante das denúncias que levamos à mesa, a ponto de um dos representantes do banco se questionar sobre o propósito da reunião e outro acusar os bancários que aderiram à greve de terem viajado durante a paralisação. Isto apenas comprova, mais uma vez, o descaso do banco com seus funcionários e com os abusos que são cometidos contra eles”, afirmou.

Banco proíbe Sindicato de realizar registro fotográfico da reunião

O Banco do Brasil proibiu, numa atitude estranha, o registro fotográfico da audiência. Em todas as negociações com os bancos, é comum realizar este registro. O fato consta na ata da reunião.

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