O Sindicato dos Bancários de BH e Região atua, firmemente, há décadas, em defesa da saúde dos trabalhadores. Na década de 1990, a entidade enfrentou a explosão de casos de LER e teve atuação forte frente aos bancos que, diante de uma verdadeira epidemia de doenças, tentava a todo momento demitir e descaracterizar a situação.

Os casos de LER não desapareceram na categoria bancária e o Sindicato continuou recebendo queixas de problemas na coluna, braços e ombros. No entanto, os casos de doenças mentais relacionadas ao trabalho representam hoje 95% dos atendimentos. Este adoecimento se dá por diversos motivos e as queixas se referem à jornada extensa, falta de reconhecimento e valorização no trabalho, metas absurdas, a forma abstrata do trabalho, a obrigação de empurrar produtos para os clientes, muitas vezes de forma desumana, e o assédio moral.

Muitos trabalhadores desenvolvem síndrome de pânico e sequer conseguem passar pela porta de uma agência bancária. Além disso, o trabalhador que já se encontra na situação de adoecimento enfrenta culpa pela situação, relutando em se afastar do trabalho com medo do preconceito. Isto requer um grande trabalho de conscientização para que o bancário aceite o tratamento.

O Sindicato conta com parceria com a PUC São Gabriel, que realiza atendimento psicológico aos bancários. Neste atendimento, é feita entrevista, sessões de tratamento e relatório de encaminhamento a perícia, em complemento ao relatório do médico assistente. Carlos Eduardo Carrusca é o coordenador deste projeto e desenvolve pesquisas sobre as doenças mentais dos trabalhadores em banco e vigilância.

O Sindicato, através do seu Departamento de Saúde, trava uma luta diária para que os bancos cumpram também a Convenção Coletiva de Trabalho e as leis e normas vigentes. Com este trabalho, a entidade conseguiu, ao longo dos anos, obrigar muitos bancos a cancelarem demissões de trabalhadores doentes por vias administrativas.

O trabalho do Sindicato subsidia ainda o trabalho das COEs e se faz presente, também, nos fóruns de saúde do trabalhador juntamente com a CUT, além de atuação juntamente com o Ministério Público.

Em parceria com o Departamento Jurídico, o Sindicato oferece também atendimento previdenciário, visando a garantia de direitos dos trabalhadores constantemente ameaçados pelos banqueiros. A atuação do Departamento Jurídico também já conquistou várias reintegrações de trabalhadores demitidos doentes, além de condenações importantes na garantia de direitos.

Além disso, o Sindicato se destaca pelo Carnaval Sem Aids/DST organizado pelo Departamento Cultural. O projeto leva, na semana do carnaval, esquetes culturais às agências para conscientizar os bancários sobre a prevenção, o diagnóstico e o tratamento das doenças sexualmente transmissíveis. O Carnaval Sem Aids/DST conta ainda com o Bloco do Pirulito, que sai às ruas em Belo Horizonte e outras cidades da base de BH e região para levar informação à população, com a distribuição de folders e preservativos. O trabalho de conscientização se repete também no Dia Mundial de Luta Contra a AIDS, em 1º de dezembro.

Para Luciana Duarte, diretora do Sindicato, “lutar pela preservação da saúde do trabalhador nesta conjuntura nos impõe um desafio muito grande. Os trabalhadores são os que mais sofrem com as alterações que estão sendo propostas pelo atual governo e que colocam em risco os avanços que conquistamos. Não podemos permitir nenhum retrocesso”.

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