O Dia Nacional da Consciência Negra, em 20 de novembro, tem uma importância singular em 2018. Nunca foi fácil para a comunidade negra lutar por seus direitos e emancipação e por uma sociedade justa, sem qualquer forma de discriminação.

Desde Zumbi dos Palmares, um dos pioneiros da resistência contra a escravidão, passando por João Cândido, que liderou a revolta contra o uso da chibata como forma de castigo, na Marinha, o movimento negro, ainda hoje, enfrenta uma sociedade profundamente racista e desigual.

Ao longo dessa jornada, foram conquistados avanços importantes, como as políticas afirmativas, reparando uma dívida social histórica do processo civilizatório brasileiro por meio das cotas, e programas socais que estimulam a ascensão social e ampliam as oportunidades. Porém, há um projeto que quer colocar tudo a perder.

Este ano, o mês da Consciência Negra coloca a sociedade diante de um grande desafio: enfrentar o maior retrocesso desde o início do século XX. O discurso e o projeto que tiveram a maioria dos votos dos brasileiros nas últimas eleições desmitificam de vez a ideia de “democracia racial” e explicitam que a sociedade brasileira é extremante conservadora e preconceituosa.

Para Almir Aguiar, secretário de Combate ao Racismo da Contraf-CUT, “são inaceitáveis discursos como o do vice-presidente da República eleito, o general Hamilton Mourão, de que nós brasileiros, herdamos ‘a indolência (preguiça) do índio’ e a ‘malandragem’ do negro e a patética declaração do presidente eleito, Jair Bolsonaro, se referindo à comunidade quilombola com a insinuação de que a medida de peso para os negros é a ‘arroba’”.

“Não são frases soltas, mas um discurso político e ideológico que precede práticas de um governo que representa as oligarquias mais atrasadas, mesquinhas e preconceituosas. O ataque às cotas raciais é parte deste projeto que tenta impor um retrocesso sem precedentes no Brasil moderno. Não vamos permitir. O atraso não vai triunfar”, completou Almir.

Números da desigualdade

Os negros representam 64% da população carcerária e apenas 12,8% dos estudantes de nível superior. Nos últimos dez anos, os assassinatos de mulheres brancas caíram 8%, enquanto entre as negras aumentaram 15,4%.

“Com a política de recrudescimento da ação policial, proposta pelos vencedores das eleições deste ano, o banho de sangue certamente atingirá ainda mais e em cheio os pobres, em sua maioria negros. Se hoje, em cada dez pessoas assassinadas no Brasil, sete são negras, que dirá com a concretização da política de extermínio”, comentou o secretário de Combate ao Racismo da Contraf-CUT.

“Nosso desafio é reorganizar e fortalecer a resistência ao aprofundamento da opressão e da espoliação no Brasil. Enfrentar o ranço de uma elite mesquinha, egoísta, ranzinza e racista. Não basta derrotar o retrocesso vigente. É preciso retomar o sonho de uma nação justa, com oportunidades para todos, sem qualquer forma de preconceito e discriminação. E já provamos que isto é perfeitamente possível. Só depende de nós”, destacou Almir Aguiar.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT

 

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