O dia 28 de fevereiro foi eleito pelos trabalhadores, desde 2000, o Dia Internacional de Combate às LER-Dort. Com o intuito de discutir as causas e combater as Lesões por Esforços Repetitivos e Distúrbios Osteomusculares relacionados ao trabalho, o Sindicato ressalta a importância da luta por melhores condições de trabalho e por mais respeito a bancárias e bancários que vêm sofrendo com as LER-Dort.

De acordo com estudos do Ministério da Previdência Social, as LER-Dort atingem todos os setores produtivos, com grande incidência no setor financeiro, onde lideram as causas dos afastamentos junto aos transtornos mentais. Conforme dados do movimento sindical, em 2012, 21.144 bancários foram oficialmente afastados de suas funções pelo INSS com problemas de saúde. Deste total, 27% se afastaram em razão de LER-Dort.

No Brasil, mais de 45% dos benefícios previdenciários concedidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) são referentes a estas lesões. Elas são acarretadas por atividades desenvolvidas diariamente no ambiente de trabalho, resultando em dor e sofrimento ao trabalhador e podendo, inclusive, atingir estágios irreversíveis.

Segundo o documento “Dia internacional de combate às LER-Dort: manifesto em defesa da humanização do trabalho e das perícias médicas”, divulgado pela CUT, essa é uma terminologia guarda chuva que engloba várias alterações das partes moles do sistema musculoesquelético devido a uma sobrecarga que vai se acumulando com o passar do tempo e comprometendo seriamente – muitas vezes de forma irreversível – os tendões, articulações e músculos.

Nos bancos, a forma de organização do trabalho, com metas abusivas e pressões constantes, jornadas excessivas e condições precárias são a maior causa dos problemas de saúde.

A diretora de Saúde do Sindicato, Luciana Duarte, ressaltou que são décadas de lutas contra o adoecimento e que pouquíssimo foi feito por parte dos empresários, especialmente os banqueiros, na prevenção às doenças ligadas ao trabalho. “Os números de LER-Dort continuam alarmantes e os transtornos mentais estão, cada vez mais, acometendo milhares de trabalhadores. Neste dia, estamos novamente cobrando a responsabilidade social dos banqueiros para com os trabalhadores, que são vistos pelos patrões apenas como geradores de lucro e peças descartáveis, uma vez que doentes viram alvo para a demissão”, afirmou.

GT do Adoecimento

O acesso à informação sobre dados de afastamentos por motivos de saúde, reivindicação que vinha sendo feita insistentemente pelos bancários nos últimos anos, foi mais uma vitória da Campanha Nacional dos Bancários em 2013.

No grupo, os bancos se comprometeram a fornecer dados sobre afastamentos que geraram benefícios previdenciários, tanto de acidentes de trabalho como por problemas de saúde, que possibilitarão fazer uma radiografia do que vem ocorrendo com a saúde dos bancários. Os dados são referentes aos seis maiores bancos: BB, Caixa, Itaú, Santander, HSBC e Bradesco, onde trabalham 90% dos bancários do país.

Abrangerão também todos os benefícios previdenciários concedidos no âmbito da categoria bancária (aposentados por invalidez, reabilitados e beneficiários do auxílio- acidente) e serão enviados à Contraf-CUT na primeira semana de fevereiro de 2014.

Os representantes dos trabalhadores cobram também o acesso a dados de afastamentos por menos de 15 dias, já que muitos bancários adoecem e tiram licença sem entrar no INSS. Estes dados darão mais clareza ao processo de surgimento dos problemas de saúde dentro dos bancos.

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