O dia 28 de abril é lembrado pelo movimento sindical dos trabalhadores como o “Dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho”. No Brasil e em vários países do mundo, a data é um importante momento para que sejam realizadas reflexões em torno dos problemas que envolvem os acidentes, as doenças e o mundo do trabalho.

Dentre as muitas categorias profissionais existentes no Brasil, os bancários estão entre os mais atingidos pelas novas formas de gestão do trabalho e pela reestruturação produtiva. A introdução de novas tecnologias e a terceirização, com a intensificação do trabalho, exigem do bancário um ritmo de trabalho intenso, com inúmeras tarefas e responsabilidades para cumprir.

Bancárias e bancários ainda sofrem dentro dos ambientes de trabalho, desgastando a sua saúde física e mental ao longo de jornadas de trabalho extenuantes, tendo de dar conta de inúmeras tarefas. A categoria sofre com as metas inalcançáveis, cada vez maiores, e o assédio moral é constante, não havendo espaço nos locais de trabalho para discutir as dificuldades de se atingir as metas. Além disso, a categoria ainda tem que conviver com a tensão e os riscos de assaltos e sequestros.

Por isso, a mobilização deve ser permanente e uma das principais pautas de todos os debates da categoria é a saúde do trabalhador. Nesta quarta-feira, 27, por exemplo, o Coletivo Nacional de Saúde do Trabalhador da Contraf-CUT realizou reunião itinerante na sede da Fetrafi-MG, em Belo Horizonte, para discutir estas questões e elaborar estratégias de luta.

Democratização das relações de trabalho

A saúde da trabalhadora é do trabalhador é um direito humano fundamental, um direito inalienável, que não pode ser legitimamente negado a uma pessoa por nenhum governo. Ou seja, nenhuma autoridade tem competência para negar esse tipo de direito, uma vez que ele faz parte da essência humana.

É com esse princípio que o movimento nacional dos bancários tem discutido e negociado a questão da saúde dos trabalhadores da categoria com a representação patronal.

Sendo um direito inalienável, a saúde dos milhares de bancários e bancárias não pertence aos bancos, aos convênios particulares, aos departamentos médicos e muito menos à Fenaban. Não cabe ao empregador determinar todo o processo e organização do trabalho unilateralmente, adoecer os trabalhadores e depois definir o que deve ser feito em caso de acidente ou doença.

Aos bancos, cabe cumprir a legislação vigente no país sobre a saúde dos trabalhadores, respeitar os prazos prescritos pelo médico para a recuperação da saúde. Além disso, devem implementar, sempre de forma negociada, programas de retorno ao trabalho, respeitando regras para um processo gradativo, com intervenção no posto de trabalho, ritmo e intensidade.

Para o estabelecimento de um ambiente de trabalho saudável, que leve em consideração a participação ativa dos trabalhadores em matéria de saúde, é urgente avançar na democratização das relações de trabalho entre as empresas do setor financeiro e os trabalhadores e seus representantes.

“A luta da categoria, portanto, é pela democratização das relações de trabalho. Que todas as decisões e práticas que afetam diretamente a saúde e a qualidade de vida dos trabalhadores sejam democraticamente negociadas. Não podemos aceitar que os bancos, em busca dos lucros, coloquem em risco a saúde física e mental da categoria ou que tratem os trabalhadores como coisas descartáveis. Continuamos em luta permanente para garantir melhores condições de trabalho e o respeito integral à dignidade humana de todos os bancários e bancárias”, afirmou a presidenta do Sindicato, Eliana Brasil.
 
 
Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT

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