A intenção do governo golpista de acabar com a CAIXA ficou clara, mais uma vez, nesta terça-feira, 29, durante coletiva de imprensa para anunciar os resultados de 2016. Além de apresentar resultados abaixo do esperado pelas projeções anunciadas no ano passado, presidente da instituição, Gilberto Occhi, disse que cerca de 100 a 120 unidades deficitárias passarão por uma “intervenção” neste ano. Segundo ele, as alternativas são fechamento, fusão, diminuição de estrutura ou remanejamento para outro local. Occhi revelou ainda que o processo deve ser iniciado ao fim do processo de demissão voluntária (PDV), no qual ele calcula a adesão de 5 mil funcionários.

Para os trabalhadores, esta é uma clara indicação do desmonte da CAIXA. A tática é a mesma usada durante o governo neoliberal de FHC, com o enfraquecimento da empresa pública para que se possa privatizá-la usando, como justificativa, a afirmação de que é a melhor saída para o governo.

Além disso, a CAIXA está recorrendo na Justiça sobre a convocação de 2 mil aprovados em concursos públicos. De acordo com o presidente do banco, haverá ainda reestruturação das áreas do banco, com a participação das vice-presidências no processo.

Ele também anunciou que a CAIXA está negociando com o governo federal mudanças no Saúde Caixa, plano de saúde que atende cerca de 250 mil pessoas, entre empregados, dependentes e aposentados. Em janeiro, a CAIXA já tinha reajustado o valor das mensalidades pagas pelos empregados, de 2% para 3,46% do salário, e o percentual de coparticipação de 20% para 30%, além do limite de coparticipação anual subir de R$ 2,4 mil para R$ 4,2 mil. Estas medidas foram suspensas por uma liminar da Justiça do Trabalho de Brasília após ação do Sindicato juntamente com a Contraf-CUT, Fenae e outros sindicatos, destacando que a mudança nas condições do plano fere os direitos adquiridos.

Para a presidenta do Sindicato, a mobilização dos trabalhadores é fundamental, mais do que nunca, para defender a CAIXA. “Já enfrentamos, na década de 90, a tentativa do governo Fernando Henrique de sucatear e vender a CAIXA. Foi nossa luta nas ruas que impediu a privatização e garantiu o fortalecimento deste importante banco público. Diante dos ataques deste governo, temos que estar cada vez mais atentos e mobilizados para defender o patrimônio e os direitos dos brasileiros”, afirmou.

Números precisam ser explicados

A direção da CAIXA também precisa explicar os números apresentados de que o banco teve lucro líquido de R$ 4,1 bilhões no ano passado. Trata-se de queda de 41,8% em relação a 2015. No ano passado, também de acordo com o balanço, a CAIXA injetou R$ 712,5 bilhões na economia brasileira.

Em setembro, quando o lucro acumulado era de R$ 3,4 bilhões, projetava-se fechar o ano com quase R$ 7 bilhões. No balanço, a CAIXA destaca a melhoria do resultado operacional, da margem financeira e da carteira de crédito, bem como a queda do índice de inadimplência.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT

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