“O resultado do processo de inclusão nos bancos”. Este foi o tema de uma audiência pública realizada na Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado nesta segunda-feira, 28. Presidida pelo senador Paulo Paim (PT/RS), a mesa contou com representantes da Contraf-CUT, da Procuradoria Regional do Trabalho da 10ª Região, da ONG Educafro e da consultoria legislativa do Senado.

A discriminação dentro do setor bancário foi abordada por todos. A Contraf-CUT ressaltou que os bancos não cumprem a cota de pessoas com deficiência que deveriam ser contratadas, nos termos da Lei 8.213/1991. Conforme o censo da Febraban de 2014, há 3,6% de PCD nas instituições financeiras, quando este número deveria ser de, no mínimo, 5% das vagas.

Em relação à presença de negros e negras nos bancos, o diretor-executivo da ONG Educafro, Frei David Santos, afirmou que as instituições não têm cumprido metas para a inclusão de afro-brasileiros. Ele também defendeu a criação de cotas para negros, já que correspondem a 53,7% da população, mas apenas 16% estão no quadro de funcionários das instituições financeiras.

“Subiu para 16% o número de negros por quê? Porque nós, negros, marcamos em cima, exigindo nossos direitos. Mas, mesmo assim, nesse ritmo, quantos anos a Febraban vai levar para atender a nossa real demanda? Nós, afro-brasileiros, somos 53,7% da população. Em quatro anos, a Febraban subiu em apenas quatro pontos percentuais a quantidade de negros contratados”, disse Frei David.

A Febraban foi convidada para a audiência, mas não mandou representante.

Ao final dos debates, o presidente da CDH, senador Paulo Paim, se comprometeu a promover o diálogo entre representantes do movimento sindical, a Educafro e os bancos. Ele também anunciou que vai solicitar à Febraban dados consolidados sobre a inclusão de negros, deficientes e mulheres nas instituições financeiras.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT

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