Nesta segunda-feira, 31 de março o golpe militar de 1964 completa 50 anos.  Foram 21 anos de ditadura militar (1964 – 1985) com repressão política, tortura, mortes, censura e limitação da liberdade de expressão e de opinião que precisam ser lembrados para que ditaduras nunca mais aconteçam.
 
Trabalhadores, trabalhadoras e o movimento sindical foram um dos principais alvos da ditadura. Centenas de entidades sindicais sofreram intervenções, com sindicalistas combativos, de diretorias democraticamente eleitas, presos, torturados e até mesmo assassinados. Ataques aos direitos sindicais e trabalhistas foram aprovados pelos militares e empresários comprometidos com a ditadura, como a lei anti-greve, a lei de arrocho salarial e o fim da estabilidade no emprego. A intervenção militar trouxe uma série de derrotas aos trabalhadores. Os anos de chumbo também prejudicaram política e financeiramente uma série de pessoas e seus familiares, principalmente os filhos de militantes.

A ditadura também  trouxe anos difíceis para o Sindicato dos Bancários de BH e Região. A começar pela violação da liberdade, quando uma junta governativa foi indicada pelos militares para ocupar a entidade. Na intervenção, muito da memória do Sindicato se perdeu. Fotos, documentos e registros foram destruídos pelos militares. A junta foi substituída em 1965. Em setembro de 1967, a luta aberta foi deflagrada. Aquele era o momento ideal para expressar uma resistência sólida contra os militares e suas políticas públicas. Nem a tortura, tampouco a morte foram suficientes para calar o sentimento sindical contra a única voz se fazia ouvir no Brasil daqueles tempos que era a dos quartéis. Ao longo da ditadura o sindicato resistiu como pode para defender os interesses dos bancários.

Um pouco da História

Após renúncia do então presidente da República Jânio Quadros, em 1961, militares se mobilizaram para tomar o poder, impedindo o vice-presidente João Goulart de ocupar o cargo. A resistência dos militares se tornou ainda maior quando, ao assumir a presidência, Jango adotou discurso considerado de esquerda e implementou políticas voltadas ao trabalhador.

Isolado,  pouco pôde fazer para evitar o golpe. Com a economia do país em crise e sem forças para promover as reformas de base, principal bandeira de seu governo, ele deixa Brasília rumo ao Rio Grande do Sul no dia 1º de abril.

Alguns dias depois, e dando o golpe como irreversível, o presidente parte com a família rumo ao Uruguai, escoltado por militares que ainda mantinham lealdade à Constituição. Jango morre na Argentina 12 anos depois. Inicialmente apontada como infarto, a causa da morte de João Goulart é investigada até hoje.

Para o doutor em história e professor da Universidade de Brasília (UnB) Antonio Barbosa, os militares já haviam orquestrado uma espécie de golpe contra a democracia brasileira três anos antes. Com a renúncia de Jânio Quadros, em 1961, os militares atuaram para impedir a posse do vice, Jango, e o Congresso Nacional aprovou a mudança de sistema de governo, que passou do presidencialismo para o parlamentarismo, no qual o presidente da República não detém a chefia de governo.

Depois das eleições gerais de 1962, cujos resultados foram influenciados pela injeção de recursos norte-americanos que buscava eleger parlamentares favoráveis aos interesses daquele país e ainda influenciar os meios de comunicação em favor das teses conservadoras, Jango fica isolado, sem conseguir levar adiante as reformas de base.

Dois momentos foram cruciais para fortalecer a linha golpista das Forças Armadas e precipitar a derrubada da democracia: o comício de Jango na Central do Brasil, na sexta-feira 13 de março de 1964, com o palanque montado em frente ao Ministério da Guerra. Na ocasião, João Goulart fez um discurso duro em defesa do mandato e das reformas de base, o que soou como uma afronta aos militares. Uma semana depois, a resposta da direita veio com a Marcha da Família com Deus pela Liberdade.

Segundo o historiador Antonio Barbosa, ninguém se levantou para defender João Goulart. “Foi uma revolução absolutamente sem sangue e sem tiro. O país completamente mobilizado, ideologicamente falando. Mas não podemos esquecer que o Brasil era um país de população com mais de 75% de analfabetos e mais de 95% de religiosos que seguiam a Igreja Católica. E a igreja, naquele momento, estava completamente imbuída da luta anticomunista. Padres, no país inteiro – por dez anos eu vi isso – procurando alertar as pessoas de que o comunismo estava chegando.”

O golpe definiu a vitória da opção conservadora em um país que se desenvolvera ao longo do século 20, mas não havia modernizado suas relações sociais.

Ao longo de 21 anos, cinco generais se sucedem no comando do país, no que ficou conhecido como “anos de chumbo”. Uma geração política foi suprimida pela ditadura, milhares de pessoas foram torturadas e mortas e o país é devolvido à sociedade economicamente quebrado, vítima do endividamento acumulado no período militar.

Jango só voltaria ao Brasil morto, no dia 7 de dezembro de 1976, para ser enterrado em São Borja, sua cidade natal. É o único presidente da República que morreu no exílio. Em 1985, o regime militar chegou ao fim. Tancredo Neves foi eleito indiretamente e se tornou o primeiro presidente civil desde o golpe.
 
Ciclo de Debates
A Assembleia Legislativa de MG(ALMG) promove a partir desta segunda-feira, 31 de março o  Ciclo de Debates 50 Anos do Golpe Militar de 1964. Uma série de eventos de uma agenda unificada com as entidades parceiras, está programada para ser realizada no decorrer do ano para marcar a data: exposição, audiências públicas, atividades artístico-culturais e publicações, dentre outros.
 
Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT, CUT-MG e ALMG

 

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