Em resposta à intransigência dos banqueiros e das direções dos bancos federais que se recusam a atender as reivindicações da categoria, os bancários da base de BH e Região decidiram somar forças ao movimento nacional e entrar em greve por tempo indeterminado a partir da 00h desta terça-feira, 18. Os bancários consideraram insuficiente a proposta dos bancos apresentada no dia 28 de agosto, de 6% de reajuste sobre todas as verbas salariais, o que significa aumento real de apenas 0,58%.

A postura mesquinha e gananciosa dos bancos causou grande indignação aos trabalhadores, já que o setor financeiro é o que mais lucra no país. Estudos comprovam que os bancos continuam batendo recordes de lucratividade mesmo maquiando os balanços. Para se ter uma ideia, somente os cinco maiores bancos brasileiros tiveram R$ 50,7 bilhões de lucro líquido em 2011, com uma rentabilidade de 21,2%, a maior do mundo. No primeiro semestre deste ano, as mesmas instituições apresentaram lucro líquido de R$ 24,6 bilhões, maior que em igual período do ano passado, mesmo com o provisionamento astronômico de R$ 37,34 bilhões para pagamento de devedores duvidosos, incompatível com a situação real de inadimplência. Além disso, os bancos premiam seus altos executivos com remuneração milionária cada vez maior, enquanto pagam aos bancários salários mais baixos que nos países vizinhos.

Pesquisa realizada pela Contraf-CUT junto a entidades sindicais sul-americanas mostra que o piso salarial dos bancários brasileiros é um dos mais baixos no continente. Enquanto os bancos pagam piso de 1.090 dólares no Uruguai e de 1.200 dólares na Argentina, aqui no Brasil é de apenas 681 dólares (ou seja, R$ 1.400). Isso significa que o piso do bancário hoje é 58% do salário mínimo do Dieese de R$ 2.416, o que está sendo reivindicado.

 Apesar dos números favoráveis, os banqueiros recusam-se a discutir o emprego e mecanismos que dificultem as demissões imotivadas, além do fim da rotatividade, política deliberada que eles empregam para fechar postos de trabalho e reduzir a massa salarial da categoria.

Foi através de grandes mobilizações e greves que nos últimos oito anos, os bancários conquistaram 13,9% de aumento real nos salários e 31,7% no piso. Essas conquistas foram fruto da força dos bancários, que através de campanhas unificadas nos bancos públicos e privados conquistaram aumento real e ampliaram as conquistas da categoria.

A presidenta do Sindicato, Eliana Brasil, ressaltou a importância da participação de todos neste momento inicial da greve quando cada adesão é contada como uma conquista. “Nós sabemos que somente com uma grande mobilização e uma greve forte faremos uma campanha salarial vitoriosa. Daí, a importância de cada bancário e cada bancária marcar sua presença nas assembleias e demais atividades do Sindicato. Este é o momento de conversar e convencer o colega e a colega de que somente com muita união iremos arrancar uma proposta digna que atenda as nossas reivindicações”, afirmou.

 


Chega de Truques, banqueiro! Os bancários reivindicam:

 

Reajuste salarial de 10,25% (5% de aumento real)
PLR de três salários mais R$ 4.961,25 fixos.

 

Piso da categoria equivalente ao salário mínimo do Dieese (R$ 2.416,38).

 

Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) para todos os bancários.

 

Auxílio-educação para graduação e pós-graduação.

 

Auxílio-refeição, cesta-alimentação e auxílio creche/babá: R$ 622,00 cada.

 

Igualdade de oportunidades.

 

Emprego: aumentar as contratações, acabar com a rotatividade, fim das terceirizações, aprovação da Convenção 158 da OIT (que inibe demissões imotivadas) e universalização dos serviços bancários.

 

Cumprimento da jornada de 6 horas para todos.

 

Fim das metas abusivas e combate ao assédio moral para preservar a saúde dos bancários.

 

Mais segurança nas agências e postos bancários.

 

Previdência complementar para todos os bancários.

 

Contratação total da remuneração, o que inclui a renda variável.

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