Foto: Leopoldo Rezende

 

Em assembleia realizada nesta quarta-feira, 12 de setembro, na sede do Sindicato, os bancários da base de BH e Região decidiram pela deflagração de greve por tempo indeterminado a partir do dia 18, terça-feira. A decisão foi tomada diante do impasse nas negociações com a Fenaban. A assembleia deliberou ainda acerca da proposta de remanejamento a serem realizados em cargos da diretoria administrativa do Sindicato  e aprovou as moções contra as perseguições do Bradesco a diretores do Sindicato, contra as demissões em massa no banco Itaú e contra a utilização das imagens da greve em campanhas eleitorais. Novas assembleias serão realizadas no dia 17, para organizar a paralisação nacional.
 
 

O Comando Nacional considerou insuficiente a proposta dos bancos apresentada no dia 28 de agosto, de 6% de reajuste sobre todas as verbas salariais, o que significa aumento real de apenas 0,58%. Em nova rodada de negociação realizada no dia 4 de setembro, a Fenaban frustrou a expectativa dos bancários e não apresentou nenhuma nova proposta.
 
Os representantes dos bancários enviaram carta à Fenaban na quarta-feira, 5 de setembro, para informar sobre o calendário de mobilização aprovado pelo Comando e reafirmar que os sucessivos resultados positivos dos bancos permitem atender às demandas dos bancários.
 
Somente os cinco maiores bancos tiveram R$ 50,7 bilhões de lucro líquido em 2011, com uma rentabilidade de 21,2%, a maior do mundo. No primeiro semestre deste ano, as mesmas instituições apresentaram lucro líquido de R$ 24,6 bilhões, maior que em igual período do ano passado, mesmo com o provisionamento astronômico de R$ 37,34 bilhões para pagamento de devedores duvidosos, incompatível com a situação real de inadimplência.
 
 

Pesquisa realizada pela Contraf-CUT junto a entidades sindicais sul-americanas mostra que o piso salarial dos bancários brasileiros é um dos mais baixos no continente. Enquanto os bancos pagam piso de 1.090 dólares no Uruguai e de 1.200 dólares na Argentina, aqui no Brasil é de apenas 681 dólares (ou seja, R$ 1.400). Isso significa que o piso do bancário hoje é 58% do salário mínimo do Dieese de R$ 2.416, o que está sendo reivindicado.
 
 

Mas apesar dos números, os banqueiros recusam-se a discutir o emprego e mecanismos que dificultem as demissões imotivadas, além do fim da rotatividade, política deliberada que eles empregam para fechar postos de trabalho e reduzir a massa salarial da categoria.
 
 

Nos últimos oito anos, os bancários conquistaram com grandes mobilizações e greves 13,9% de aumento real nos salários e 31,7% no piso. Essas conquistas foram fruto da força dos bancários, que através de campanhas unificadas nos bancos públicos e privados conquistaram aumento real e ampliaram as conquistas da categoria.
 
 

Para a presidenta do Sindicato, Eliana Brasil, somente com a unidade e uma forte mobilização nesta campanha os bancários irão garantir e ampliar conquistas. ” O histórico das nossas campanhas mostra que somente com as greves a cada ano mais fortes nós conquistamos aumentos reais de salário e outros importantes avanços nos últimos oito anos. Mais uma vez vamos intensificar a mobilização para arrancar uma proposta digna dos banqueiros, pois afinal de contas está mais que provado que os bancos podem muito bem atender as nossas reivindicaçõess”, afirmou.

 

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