O economista e professor titular do Instituto de Economia da Unicamp, Luiz Gonzaga Belluzzo, palestrante convidado para abertura dos congressos nacionais de trabalhadores dos bancos públicos, destacou a importância dos bancos públicos para a recuperação do país em momento de crise, como o que estamos vivendo.

“Não há nenhuma possibilidade da economia brasileira se recuperar sem a atuação dos bancos públicos. Vemos isso no atual momento. O governo disponibilizou recursos para os bancos emprestarem para pequenas e médias empresas, mas os bancos privados não estão emprestando. Somente os bancos públicos estão liberando os recursos. Os bancos privados têm medo de calote e eles estão certos, porque o Estado não deu as garantias necessárias para que os bancos emprestassem. Somente os bancos públicos podem socorrer as empresas”, observou o economista.

Belluzzo explicou que vivemos um momento de ruptura de cadeias econômicas e que, em situações como esta, o Estado precisa socorrer a sociedade, socorrer a economia e garantir a renda da população.

“As pessoas vão usar os recursos para consumir e estes recursos vão para as empresas e isso gera receita fiscal para o Estado. O efeito líquido na economia é muito maior do que se não houver o gasto necessário para socorrer a população”, explicou Belluzzo.

O economista explicou, ainda que isso pode ser observado ao longo da história da sociedade capitalista. “Se olharmos a história do capitalismo, desde o período mercantil, observamos uma presença permanente do Estado no gasto público, nas políticas sociais, sem falar do pós-guerra, que foi um período em que o Estado reconstruiu não só a sociedade mas economia capitalista, sendo o responsável por todas as políticas públicas e pelo crescimento econômico”, disse.

Paralisia do governo

Para a presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Juvandia Moreira, que é uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários, o atual Governo Federal não atua desta forma.

“Na verdade, o Governo Bolsonaro não tem atuado para socorrer a população. Quando a pandemia chegou ao Brasil, a primeira ação foi socorrer o sistema financeiro. Mas, para garantir o auxílio emergencial para as classes mais baixas, foi preciso que as centrais sindicais e partidos de oposição fizessem pressão sobre o governo e Congresso Nacional. O governo queria dar apenas uma parcela de R$ 200 para os mais pobres”, lembrou a presidenta da Contraf-CUT.

“As falas do presidente do Banco do Brasil (Rubem Novaes) vão no sentido de que tudo deve ser concedido ao mercado. Segundo ele, tivemos que flexibilizar as leis trabalhistas e a reforma da Previdência para ajudar o mercado, para a economia crescer. Mas, feitas as reformas, não temos visto isso. Antes da pandemia a economia já patinava. E o discurso ideológico do governo continua sendo o de proteger o mercado”, disse o coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), João Fukunaga.

“No início da pandemia chegamos a ver o discurso da importância dos bancos públicos para o Estado brasileiro, mas já voltou a ganhar a mídia as filas nos entornos da Caixa, com o objetivo de prejudicar a imagem do banco público e dos empregados e forçar a necessidade de vender o banco. Mas, a população sabe a importância desses bancos e, por isso, cerca de 70% da população é contra a privatização”, destacou o coordenador da Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa Econômica Federal, Dionísio Reis.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT

 

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