Sob a justificativa de enfrentar a crise causada pela pandemia do coronavírus, a MP 927, publicada pelo governo Bolsonaro em 22 de março, altera uma série de direitos dos trabalhadores e, assim, beneficia os empregadores. O Santander saiu na frente das demais instituições financeiras e anunciou que irá adotar um dos pontos da Medida Provisória: o banco de horas.

A MP 927 estabelece que empresas possam estabelecer acordo de banco de horas diretamente com os empregados, sem a necessidade de participação dos sindicatos, para que o empregado possa compensar futuramente eventuais horas de inatividade devido à pandemia. O banco de horas devido pelo trabalhador poderá ser compensado em até 18 meses após o término da crise, e com duas horas extras por dia, limitado a uma jornada de dez horas.

Para o movimento sindical, é absurdo que o Santander faça uso dessa MP e que o setor financeiro, o mais lucrativo do país, se aproveite deste momento de crise sanitária mundial. Ao aplicar a medida, o Santander fará com que bancários saiam do atual momento caótico devendo horas de trabalho.

As entidades representativas destacam que algumas medidas para sobreviver à crise deveriam ser adotadas apenas por pequenas e médias empresas, mas nunca por bancos que lucram bilhões todos os anos. Só em 2019, o Santander lucrou R$ 14,5 bilhões no Brasil.

Além disso, no atual momento de crise, o governo estuda liberar R$ 1,2 trilhão para “salvar” os bancos. Mesmo com lucro altíssimo e um pacote de vantagens, o Santander não mediu consequências para implementar os seus interesses. Diante da situação, o movimento sindical cobra negociação com o banco.

Em relação à MP 927, que coloca o ônus da crise apenas nas costas do trabalhador, as centrais sindicais, junto com parlamentares, já apresentaram dezenas de emendas que visam impedir os prejuízos aos trabalhadores.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Seeb-SP

 

Compartilhe: