O Comando Nacional dos Bancários, do qual faz parte o presidente do Sindicato, Cardoso, deixou claro aos bancos na primeira rodada de negociação da Campanha Nacional 2013 que não haverá acordo este ano sem solucionar o problema das metas abusivas, apontadas por dois terços dos bancários como o principal problema existente hoje nos bancos, segundo a Consulta Nacional dos Bancários. A reunião foi realizada nesta sexta-feira, 8, em São Paulo.

Os representantes dos bancários denunciaram que a  gestão de lucro com metas abusivas praticada pelos bancos estimula o assédio moral e causa adoecimentos na categoria, com uso crescente de uso de medicamentos tarja preta e até morte de trabalhadores.

Os dirigentes sindicais, que usaram fitas pretas na mesa de negociação em sinal de respeito aos mortos, mostraram os números que revelam a tragédia enfrentada pela categoria em função das más condições de trabalho.

Em 2012, segundo dados dos INSS, 21.144 bancários foram afastados do trabalho por adoecimento, dos quais 25,7% com estresse, depressão, síndrome de pânico, transtornos mentais relacionados diretamente ao trabalho. Outros 27% se afastaram em razão de lesões por esforços repetitivos (LER/Dort).

Somente nos primeiros três meses de 2013, 4.387 bancários já haviam se afastado por adoecimento, sendo 25,8% por transtornos mentais e 25,4% por LER/Dort.

Na recente consulta nacional, 18% dos que responderam declararam ter se afastado do trabalho por motivos de doença nos 12 meses anteriores e 19% disseram usar medicação controlada.

Em relação aos problemas de saúde, 66,4% dos bancários responderam na mesma consulta que as metas abusivas são o mais grave problema enfrentado hoje pela categoria. Outros 58,2% pedem o combate ao assédio moral, enquanto 27,4% assinalaram a falta de segurança contra assaltos e sequestros.

Fim das metas abusivas

A proposta sobre metas abusivas apresentada pelo Comando Nacional estabelece que os bancos devem garantir a participação de todos os seus trabalhadores na estipulação de metas e respectivos mecanismos de aferição, sendo obrigatoriamente de caráter coletivo (e não individual) e definidas por departamentos e agências. Deve-se ainda levar em consideração o porte da unidade, a região de localização, o número de bancários, a carteira de clientes, o perfil econômico local, a abordagem e o tempo de execução das tarefas.

Os bancários reivindicam ainda o fim da cobrança diária das metas e que elas deixem de ser mensais e passem a ser semestrais. Os trabalhadores denunciam que a atual gestão de metas, que envolve a organização do trabalho, virou um fator de risco para os bancários.

Os negociadores da Fenaban, no entanto, alegaram que as metas seguem orientações técnicas universais para que sejam eficientes e que não é possível os sindicatos discutirem o modelo de gestão, pois é estratégico para cada banco.

O Comando ainda denunciou que a cláusula 35ª da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), que proíbe a exposição do ranking individual dos funcionários, está sendo descumprida pelos bancos. A Fenaban se comprometeu a verificar a situação a fim de que os rankings não sejam mais tornados públicos.

Segurança bancária

O Comando também abriu os debates sobre segurança bancária, focando o conceito da proteção da vida das pessoas e apresentando as principais preocupações da categoria. Os bancários destacaram o aumento no número de assaltos, sequestros e arrombamentos nos últimos anos, assim como das “saidinhas de banco”.

No primeiro semestre deste ano, 30 pessoas foram mortas em assaltos envolvendo bancos, conforme pesquisa nacional da Contraf-CUT e Confederação Nacional dos Vigilantes (CNTV), com apoio do Dieese.

O número de sequestros também cresceu assustadoramente. Nos últimos sete dias, segundo levantamento do Comando, dez bancários foram vítimas nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná, Pernambuco e Pará, atingindo gerentes e tesoureiros, que levam as chaves do banco para casa.

O Comando cobrou que, além da prevenção seja garantida assistência médica, psicológica e medicamentosa, assim como a estabilidade aos funcionários que foram vítimas da violência nos bancos.

Foi também discutido o andamento do projeto-piloto de segurança bancária em Recife, Olinda e Jaboatão dos Guararapes. A lista das agências onde serão instalados os equipamentos previstos está sendo concluída e, posteriormente, serão definidos os nomes do grupo de acompanhamento e a data da primeira reunião de trabalho.

Mobilização para garantir avanços

Para o presidente do Sindicato, Cardoso, a mobilização é fundamental para garantir avanços na Campanha Nacional 2013. “Nesta primeira negociação, mostramos aos bancos que não aceitaremos acordos que não garantam condições dignas de trabalho e o fim das metas abusivas. Agora, continuaremos pressionando os banqueiros e a direção dos bancos públicos para conquistar novos direitos e exigir que respeitem a categoria e a saúde dos trabalhadores. Iremos às ruas e, com nossa força, venceremos mais esta Campanha Salarial”, afirmou.

As negociações sobre saúde, condições de trabalho e segurança bancária continuam nesta sexta-feira, 9.

A segunda rodada de negociação foi marcada para os dias 15 e 16, quando será tratado o tema do emprego.

O calendário da Campanha Nacional 2013 inclui também mobilização contra o PL 4330 em Brasília nos próximos dias 13 e 14 e um grande dia nacional de luta no dia 22, com passeatas em todo o país. Em Belo Horizonte, a concentração será realizada na Praça Sete às 17h30.

Calendário de mobilização

9 – Continuidade da primeira rodada de negociação entre Comando Nacional e Fenaban
9 – Primeira rodada de negociação entre Comando Nacional e a CAIXA
13 e 14 – Mobilização em Brasília contra PL 4330
14 – Primeira rodada de negociação entre Comando Nacional e Banco do Brasil
15 e 16 – Segunda rodada de negociação com a Fenaban sobre o tema Emprego.
22 – Dia Nacional de Luta, com passeatas dos bancários
22 – Dia Nacional de Luta dos empregados da CAIXA
28 – Dia do Bancário, com atos de comemoração e de mobilização
30 – Paralisação nacional das centrais sindicais pela pauta da classe trabalhadora

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT

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