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Foto: Fenae

A CAIXA voltou a frustrar os trabalhadores em rodada de negociação específica da Campanha Nacional 2016 realizada nesta terça-feira, 30, em Brasília. O banco não apresentou propostas para as reivindicações relacionadas a saúde do trabalhador e condições de trabalho, GDP, Saúde Caixa, Funcef, aposentados, infraestrutura das unidades, segurança bancária, terceirização, CAIXA 100% pública, contratação, jornada de trabalho/Sipon, carreira, isonomia, reestruturação e organização do movimento.

Em três reuniões, a resposta do banco aos pleitos foi sempre a mesma: não, não e não. Quando muito, a posição da CAIXA era marcada por evasivas. Também, na mesa, não houve o compromisso de garantia do pagamento da PLR social, uma conquista de campanhas anteriores.

Os debates da terceira rodada a respeito das principais reivindicações dos empregados foram marcados por sinais de retrocessos. O banco ignorou itens pendentes, como o fim do caixa minuto, o retorno da função de caixa, o combate à sobrecarga aos tesoureiros, a manutenção do pagamento da insalubridade aos avaliadores de penhor, o fim das horas extras negativas e sobre a manutenção do vale-cultura.

Também não houve avanços em temas como Funcef, aposentados, melhorias do Saúde Caixa, contratação, garantia da incorporação da função e fim dos descomissionamentos arbitrários, segurança bancária, jornada de trabalho e login único do Sipon, carreira, terceirização, infraestrutura das unidades e reestruturação/remodelagem.

“Agindo desta forma e inclusive sinalizando retrocessos, a CAIXA empurra os trabalhadores para a greve a partir do dia 6 de setembro. Realizaremos assembleia em nosso Sindicato, no dia 1º de setembro, e contamos com grande participação de empregadas e empregados para que possamos mostrar nossa insatisfação diante deste descaso”, ressaltou a presidenta do Sindicato, Eliana Brasil, que participou das mesas de negociação como representante da Fetrafi-MG/CUT.

Para saber mais sobre a Assembleia Geral Extraordinária desta quinta-feira, 1º de setembro, clique aqui.

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Foto: Fenae

Um dos momentos mais marcantes e surpreendentes da negociação foi a realização do ato em defesa da CAIXA 100% pública e por nenhum direito a menos. Os representantes dos empregados se levantaram da mesa e ficaram de pé, portando cartazes e estendendo banners reafirmando a luta para que a direção do banco apresente propostas efetivas contra a retirada de direitos e pela manutenção do papel social da empresa. O protesto reafirmou, ainda, que os empregados, junto com outros trabalhadores, estão mobilizados por mais democracia, mais diálogo e contra a retirada de direitos.

Para o diretor do Sindicato e vice-presidente da Fenae, Cardoso, que participou da reunião na condição de convidado, a hora é de mobilização. “A CAIXA não quer negociar com seriedade. Nada foi apresentado nas três rodadas que tivemos até agora. É o momento de lutar por nossas reivindicações”, afirmou.

Saúde do trabalhador

Mais uma vez, o banco recusou a atender praticamente tudo o que foi reivindicado em relação a essa cláusula. Na questão relacionada à criação de unidades específicas, com estruturas técnica e administrativa compatíveis com as respectivas atribuições e dimensões, a CAIXA reconheceu que houve redução das Gerências de Pessoas (Gipes), mas alegou que o item estava parcialmente atendido pela criação de canais de representação nas diversas regiões.

Para a reivindicação de criar protocolo de combate ao assédio moral e a todas as formas de violência organizacional, o banco afirmou que já vem adotando programas de prevenção próprios e campanhas educativas, o que tem provocado, segundo os negociadores da CAIXA, a diminuição gradativa de ocorrências.

Saúde Caixa

A CAIXA, novamente, não assumiu o compromisso de passar a utilizar o superávit anual para melhorias no plano, conforme está previsto em acordo aditivo à Convenção Coletiva de Trabalho há mais de dois anos e foi negociado no âmbito do GT Saúde Caixa.

Também não foi dada resposta para as reivindicações de segregação operacional contábil e financeira dos recursos do banco, com a criação de um fundo que os remunere, com auditagem externa, por empresa avalizada pelo Conselho de Usuários e pela CEE/Caixa. Ficou ainda sem resposta a transformação do caráter do Conselho de Usuários de consultivo para deliberativo, dentro do escopo de atribuições definidas no Regimento Interno dessa instância.

Jornada

Os representantes dos trabalhadores cobraram da CAIXA o cumprimento da jornada de seis horas e a adoção do login único para evitar fraudes no registro do Sistema de Ponto Eletrônico (Sipon).

Foi lembrado que a realidade nas unidades de todo o país é de sobrecarga de trabalho, que força os empregados a trabalharem além da jornada. Nesta situação, é comum os trabalhadores sofrerem pressão para não fazer horas extras ou não registrar corretamente o ponto. Os trabalhadores denunciaram, também, as condições de trabalho a que vêm sendo submetidos os tesoureiros por causa do excesso de atribuições.

Ainda com relação à jornada, a representação dos empregados defendeu o pagamento de horas extras a todos os trabalhadores. Os bancários destacaram a ilegalidade do registro negativo de horas, reivindicando o fim da utilização do banco de horas, dado que isto não está previsto no Acordo Coletivo de Trabalho.

Carreira

A CAIXA voltou a rejeitar a adoção de critérios objetivos para descomissionamentos, a serem elaborados previamente com os empregados. Outro objetivo é retirar do gestor o poder discricionário, com direito a ampla defesa e recurso da decisão pelo empregado.

Foi reivindicada a criação do comitê de acompanhamento dos PSICs e do banco de habilitados e oportunidades e banco de sucessores, com participação dos empregados e um membro da Gipes. São cobrados critérios objetivos e transparentes, de modo a eliminar a possibilidade de nomeação pela gestão, aumentando assim a abrangência dos PSICs para impedir que isto fique restrito à unidade demandante.

Outra questão considerada importante é o aperfeiçoamento do modelo do PFG, incluindo progressão horizontal em cada cargo/função, por tempo de exercício. A representação dos empregados defende também a abertura de negociação sobre o PFG.

Funcef

Os representantes dos empregados reivindicaram, mais uma vez, a quitação do contencioso da CAIXA para com a Funcef, relacionado às ações que tenham origem em descumprimento de direitos trabalhistas. Também foi cobrado o aporte de recursos referentes ao serviço proveniente de condenações e manutenção do Fundo de Revisão de Benefícios, previsto no artigo 115 do regulamento do REG/Replan saldado e no artigo do Novo Plano, como instrumento permanente da política de aumentos reais para os benefícios.

Desde o ano passado, a CAIXA tinha assumido o compromisso de montar um grupo tripartite com a Funcef para a discussão do tema, mas isto não ocorreu. A iniciativa de criar o grupo nasceu na mesa permanente de negociação para solucionar questões relativas à Fundação.

Infraestrutura das unidades

Foi reivindicada, mais uma vez, a alteração do RH 184, com a extinção do caixa minuto, avaliador minuto e tesoureiro minuto. O banco, apesar de dizer o contrário, manteve a extinção da função de caixa, e não garantiu a participação dos empregados na discussão sobre a estrutura física e de pessoal das agências.

Reestruturação

A forma como está sendo encaminhada a reestruturação também foi contestada pelos trabalhadores. Seja em que circunstância for, a reivindicação é para que essa reestruturação ou remodelagem seja debatida previa, objetivamente e com transparência com as entidades representativas.

Foi cobrada, ainda, a imediata reversão do processo de extinção da Rerets, com o retorno dos trabalhadores para as unidades de origem. Os trabalhadores também reivindicaram a revisão da metodologia de agência deficitária.

Isonomia

A CAIXA negou a extensão da licença-prêmio e ATS para todos os empregados admitidos a partir de 1998, além de outras questões de isonomia.

CAIXA 100% pública

Em princípio, os negociadores do banco mostraram-se favoráveis em relação ao não fatiamento da CAIXA e à manutenção de todas as participações acionárias que a empresa mantém anualmente. Disseram, porém, que a definição desse item fica na dependência das políticas de governo.

Mas a representação dos empregados lembrou ser cada vez mais nítida a possibilidade de venda da loteria, cartões de crédito e da seguradora, combinada com o risco que representa a saída do FGTS da gestão do banco e dos trabalhadores.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Fenae

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