O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas de Moraes, esteve no Vale do Aço nesta terça-feira, 29. Ele falou aos sindicalistas sobre os 30 anos da CUT e fez uma análise da conjuntura pela qual passa a classe trabalhadora no Brasil. Coordenada pela presidenta da CUT-MG, Beatriz Cerqueira, a reunião contou com a presença de três federações estaduais, três confederações e representantes de dezenas de sindicatos cutistas da região, dentre eles, Bancários, Metalúrgicos, Educação, Comerciários e de Funcionários Públicos Municipais.

Para Vagner Freitas, a classe trabalhadora ainda não tem noção da transformação “que ajudou a promover neste país de maioria machista e ceticista, principalmente por ter sido eleito um retirante de Garanhuns e a primeira mulher presidente do Brasil”.

“A capacidade de organização, de mobilização, de luta e de conquistas dos trabalhadores e trabalhadoras brasileiros/as é incontestável e a CUT é o seus principal instrumento de luta. Até a ONU já reconheceu isso. Elegemos um presidente da República operário em um país conservador e preconceituoso. Fizemos muito mais do que nos 500 anos do desgoverno que imperou no Brasil, mas ainda é pouco”, ressaltou.

Vagner vem participado de plenárias nas CUTs estaduais de todo o País com o objetivo de fazer um balanço dos 30 anos de luta da Central, completados em agosto último, e discutir com os dirigentes de cada região estratégias de lutas regionais e nacionais para os próximos anos. O dirigente tem reforçado em todas as plenárias – já foram realizadas em Pernambuco, Maranhão, Paraná e Bahia – que, em primeiro lugar, é preciso parar para pensar no que foi feito, pois muitos cutistas parecem não ter ideia da importância da sua atuação, de suas conquistas.

“Em função das demandas cotidianas”, disse Vagner, “nunca paramos para analisar o quanto realizamos. Precisamos reconhecer nossa resistência, combatividade, defesa dos direitos dos trabalhadores, conquistas e capacidade para apresentar um projeto de sociedade diferente”.

O dirigente ressaltou que as disputas contra o capital e a elite política e os próximos enfrentamentos  requerem uma reflexão do que foi feito no passado e também do que está ocorrendo no presente.

Fim do fator previdenciário, redução das taxas de juros e correção da tabela do IR

Vagner destacou que os próximos e mais importantes embates serão as lutas pelo fim do fator previdenciário –  fórmula de cálculo criada no governo FHC para dificultar o acesso à aposentadoria – , contra o aumento das taxas de juros como forma de combater a inflação e pela correção da tabela do imposto de renda.

No próximo dia 12 de novembro, a CUT e as demais centrais sindicais vão fazer manifestações e paralisações em todo o país reivindicando o fim do fator previdenciário.

“Em função da pauta e das mobilizações da classe trabalhadora, o governo estabeleceu uma mesa de negociação, chamou vários ministros, representantes das centrais sindicais, estabeleceu um prazo de 60 dias para apresentar uma proposta para acabar com o fator ou implementar o 85/95, mas não fez nada”, criticou Vagner.

Para o dirigente, “um governo democrático-popular, como esse que ajudamos a eleger, tem obrigação de acabar com o fator”.

Já no dia 26 de novembro, outro grande ato será realizado na porta do Banco Central, em Brasília, e na frente dos prédios do BC nos estados contra a política econômica equivocada de aumentar taxas de juros para controlar a inflação.

Vagner disse que o COPOM, precisa ouvir mais a sociedade. “Queremos alteração no Conselho Monetário Nacional e participar do Copom”.

Outra luta será pela atualização da tabela do Imposto de Renda. O governo deveria corrigir a tabela todos os anos porque, caso contrário, o imposto corrói os reajustes que os/as trabalhadores/as conquistam com muita luta em suas campanhas salariais. “Todos os anos, a tabela de imposto de renda tem de ser corrigida para beneficiar, principalmente, os trabalhadores de baixa renda que são mais prejudicados”, argumentou Vagner.

Orgulho de ser CUT

Voltando a falar sobre os 30 anos de luta da maior central sindical da América Latina, o presidente da CUT destacou o estudo feito pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) entre 2009 e 2010. Segundo o estudo, “a CUT e seus sindicatos resistiram e fortaleceram sua ação coletiva, combinando greves e protestos com negociações. A unidade e a autonomia dos sindicatos e sua crescente vinculação com a política nacional, através do Partido dos Trabalhadores (PT), alcançaram um novo status de autonomia em um país onde a crise não provocou fortes processos de desindustrialização”.

Segundo Vagner, a força da CUT e a gestão do presidente Lula na presidência da República alertaram a burguesia e a elite política do país que nunca esperaram que a classe trabalhadora tivesse essa capacidade de organização, luta e conquistas.

“A burguesia percebeu nossa ousadia. Não esperava que um operário, metalúrgico, com o 4º ano primário, virasse presidente da República. E pensava que, se ele chegasse lá, não ficaria nem seis meses. Mas aconteceu o contrário, pois o povo brasileiro não só elegeu Luiz Inácio Lula da Silva, como ele se tornou o melhor presidente da história do país. A estabilidade econômica, a inclusão social, a distribuição de renda e a geração de empregos estão aí para comprovar”, enfatizou.

O Presidente Nacional da CUT lembrou ainda que o povo brasileiro não só elegeu o presidente Lula como foi para as ruas defender o seu mandato quando tentaram derrubá-lo. “Fomos mais ousados ainda e elegemos a primeira mulher presidenta da República. Hoje, o Brasil é exemplo para o mundo. Todos nos chamam para que falemos sobre a nossa trajetória, nossas conquistas e até para que apontemos caminhos para que saiam da crise”, ressaltou.

Vagner lembrou também que nos governos Lula e Dilma, a CUT fez greves, foi às ruas para reivindicar melhorias na saúde, educação e transporte coletivo, lutou por melhores salários, trabalho decente, conquistou a política de valorização do salário mínimo e quase 90% das categorias filiadas a sindicatos cutistas tiveram aumento real de salário.

“Este é um balanço dos 30 anos muito positivo, mas ainda há muito por fazer”, disse Vagner. “Quando digo que fizemos pouco, estou me referindo a mudanças estruturais. As estruturas do Brasil continuam inalteradas. O Estado brasileiro continua patrimonialista, defensor da propriedade, controlado pela burguesia, inclusive no caso do Judiciário controlado, com os latifúndios dando as regras da nossa organização agrária e agrícola”, frisou.

Outros pontos discutidos pelo presidente da CUT  foram o Projeto de Lei 4.330/2004, o fator previdenciário, o imposto sindical, o pré-sal e o consórcio no Campo de libra. Ao final, destacou a importância que os dirigentes sindicais cutistas têm para construir uma sociedade justa, fraterna e igualitária.

O presidente da CUT Nacional também ressaltou a  importância do marco regulatório da comunicação, principalmente em Minas Gerais, onde o governador Anastásia, juntamente com o senador Aécio Neves, amordaçam e censuram os meios de comunicação.

Às 17 horas desta terça-feira, 29, o presidente da CUT  se encontrou com dirigentes do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Belo Horizonte (Sindibel), primeira entidade de Minas Gerais que promoverá um plebiscito com a categoria para aprovar a filiação a uma central sindical. O plebiscito será entre os dias 18 e 22 de novembro.

Às 19 horas, Vagner Freitas fez análises de conjunturas política e econômica no auditório da sede da CUT/MG (rua Curitiba, 786, 2º andar, Centro, Belo Horizonte).

Visita ao acampamento dos trabalhadores e trabalhadores em educação

Às 9 horas desta quarta-feira, 30, o Presidente Nacional da CUT visitou o acampamento que trabalhadores e trabalhadoras da educação montaram na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Os educadores, que ocuparam o estacionamento do Palácio das Mangabeiras, residência oficial do governador Antonio Anastasia, de 30 de agosto a 16 de outubro, mudaram o acampamento para acompanhar o cotidiano dos deputados estaduais e a tramitação do projeto de lei do Executivo, que prevê reajuste dos salários dos servidores. O projeto está sendo aguardado no Legislativo.

Às 10 horas, na Sala de Imprensa da Assembleia Legislativa, o presidente da CUT concedeu entrevista coletiva e, às 13 horas, participou do programa “Chamada Geral”, da rádio Itatiaia. Vágner Freitas encerrará sua agenda em Minas Gerais às 18 horas, com um encontro com sindicalistas, juntamente com a presidenta da CUT/MG, Beatriz Cerqueira, no Sindicato dos Trabalhadores no Ramo Financeiro de Juiz de Fora e Sul de Minas – Sintraf-JF (rua Batista de Oliveira, 745, Centro, Juiz de Fora).

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com CUT-MG

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