Fotos: Alessandro Carvalho

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Nesta sexta-feira, 21 de outubro, delegadas e delegados sindicais da CAIXA e do Banco do Brasil, eleitos para representar suas unidades de trabalho, tomaram posse no Hotel Dayrell, no centro de Belo Horizonte. O evento contou com a presença do cientista político Emir Sader, que falou aos delegados sobre as ameaças representadas pelo governo Temer e a importância da mobilização para resistir aos ataques às conquistas sociais e aos direitos dos trabalhadores.

Ao realizar um panorama sobre a situação política no Brasil, Emir Sader destacou que estão em risco importantes conquistas sociais com o fim do período vivido desde 2003. O cientista político afirmou que o governo Temer prioriza o ajuste fiscal em detrimento da população e dos serviços básicos, como a saúde e a educação públicas.

“Uma das bases do ajuste é a PEC 241, que segue a obsessão dos empresários em desvincular recursos e que pretende impor aos brasileiros a mesma política durante 20 anos. Com isso, ela retira o mais importante, que são as políticas públicas, e retira também o direito dos brasileiros de elegerem um governo com uma concepção diferente em 2018. Nenhum governo, principalmente um que não foi eleito, tem o direito de comprometer a decisão soberana dos brasileiros sobre suas vidas”, afirmou Emir.

Foto: Alessandro Carvalho

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Para o cientista político, o governo Temer prega que pretende colocar a economia nos trilhos, mas estes trilhos seriam aqueles que beneficiam apenas os banqueiros e grandes empresários. “O país tem dinheiro, mas uma grande parte está na especulação, na sonegação de impostos e nos paraísos fiscais. O capital financeiro atual não financia a produção ou o consumo, mas sim vive da crise e do endividamento do governo, de empresas e de pessoas. Por isso, eles crescem na crise. E isto irá se consolidar ainda mais se continuarmos com este governo”, explicou.

Emir Sader destacou que Temer governa com base nos princípios da privatização do patrimônio público, na desvinculação, no corte de investimentos sociais e na retirada de direitos dos trabalhadores. “Neste cenário, nosso papel é mostrar à população como seus direitos serão afetados. Acredito que podemos reverter esta situação e derrotar estas estratégias. É hora de fortalecer os sindicatos e mostrar que é este o local de defesa dos trabalhadores. Estamos lutando pela democracia do Brasil e temos que mostrar, neste momento de disputa, que a massa da população será afetada. Temos que deixar claro que esta mudança política, além de injusta e ilegal, é contra o povo brasileiro”, afirmou.

Durante a posse, os delegados sindicais da CAIXA e do BB foram também presenteados com o livro “O Brasil que Queremos”, que reúne textos de diversos autores, com organização de Emir Sader, sobre o que se deseja para o país no futuro. A obra está também disponível online de forma gratuita através do site http://www.lpp-uerj.org

O funcionário do Banco do Brasil e secretário Geral do Sindicato, José Adriano, destacou durante a posse que a organização é essencial. “Já sofremos muitas ameaças em governos anteriores e agora estamos sofrendo novamente. Temos que nos organizar para resistir ao que virá. Este momento tem sua grandeza e o BB e a CAIXA só existem hoje como grandes bancos públicos porque muitos lutaram em sua defesa”, explicou.

Para a presidenta do Sindicato, Eliana Brasil, a atuação dos delegados sindicais é de fundamental importância, principalmente no atual momento. “Agradecemos a presença de todas e todos e contamos com a importante atuação dos delegados sindicais. Temos que fazer um trabalho grande de conscientização sobre a atual conjuntura e sobre as ameaças que sofremos. Só a luta nos garante e por isso temos que estar em mobilização permanente para resistir, neste momento em que tentam massacrar os trabalhadores brasileiros”, destacou.

 

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