Na última mesa do segundo dia de Conferência Estadual, o sociólogo Emir Sader falou aos delegados e delegadas sobre a conjuntura política nacional. Entre os temas tratados, estiveram a crise pela qual passa o Brasil e as perspectivas futuras para o combate aos retrocessos e o retorno da agenda popular ao governo do país.

Segundo o sociólogo, mesmo com a crise econômica no segundo mandato de Dilma Rousseff, ainda havia avanços sociais. Emir analisou que, desde a chegada de Lula à presidência, o Brasil vinha implantando um programa de governo que prioriza as políticas sociais, a luta contra a desigualdade e contra a exclusão social.

“Nunca se incorporou tanta gente aos direitos sociais fundamentais. E isto foi possível porque Lula constituiu uma aliança em que éramos hegemônicos”, afirmou Emir, lembrando também que o governo priorizava a integração regional, a não subserviência aos interesses dos países mais ricos.

O sociólogo também destacou que as políticas sociais implantadas foram muito exitosas, mas enfrentaram um grande obstáculo que dificultou seu pleno desenvolvimento: a hegemonia do capital financeiro especulativo, que vive da compra e venda de papeis sem gerar empregos ou riquezas para o país. E esta hegemonia não pode ser quebrada por se tratar de uma questão que ultrapassa os limites do Brasil.

Com a ascensão de Temer ao governo, segundo Emir Sader, com a chegada de Temer ao poder através do golpe, quem governa realmente o Brasil são os bancos. Outro reflexo foi a quebra da boa imagem do país na comunidade internacional, passando de um país que combate as desigualdades para um país marcado pela corrupção.

“Quem levou adiante o golpe de 2016 e quem está aprovando os retrocessos é o Congresso Nacional mais reacionário que já tivemos. Montaram o golpe baseados no monopólio dos meios de comunicação, na maioria parlamentar e na falta de ação do Judiciário”, afirmou Emir, ressaltando também que, hoje, estes mesmos setores tentam se livrar de Temer para manter a agenda do desmonte.

Por outro lado, o sociólogo afirmou que o processo está aberto e em disputa, sendo necessário conscientizar a população sobre os avanços dos governos anteriores e o retrocesso imposto atualmente. “Temos que reelaborar uma estratégia democrática para o Brasil, passar por uma nova transição democrática”, explicou.

Ainda neste sábado, 8, delegadas e delegados da Conferência Nacional se reúnem em grupos para debater propostas e estratégias de luta da categoria bancária de Minas Gerais. O evento se encerra neste domingo, 9 de julho.

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