O Encontro Nacional dos Funcionários do Itaú foi encerrado nesta quinta-feira, 4, em Embu das Artes, interior de São Paulo, e os bancários aprovaram uma pauta específica de reivindicações que será entregue dentro de 15 dias para a direção do Itaú. O Sindicato foi representado no evento, que reuniu 160 dirigentes, pelos funcionários do Itaú e diretores Kennedy Santos, Paulo Faria, Edmar Costa, Cléber Wolbert e Tárcio Chamon.

Os representantes dos trabalhadores irão lançar uma campanha nacional pelo fim das demissões e da rotatividade, pela defesa do emprego, valorização dos funcionários, e previdência complementar para todos.

Com o objetivo de monitorar as demissões a nível nacional, será disponibilizada uma planilha eletrônica para registrar as homologações em cada sindicato. Também foi aprovada a realização de um seminário nacional sobre remuneração, com o objetivo de elaborar uma proposta de plano de cargos e salários para ser negociada com o Itaú.

Os bancários prometeram intensificar a mobilização e as pressões para garantir conquistas nas negociações específicas com o banco.

Nos próximos dias serão divulgadas mais informações sobre a pauta específica de reivindicações e demais encaminhamentos do Encontro Nacional.

Ousadia, esperança, unidade nacional e mobilização

Em fala durante o evento, o presidente da Contraf-CUT, Carlos Cordeiro, ressaltou a necessidade de ousadia, esperança, unidade nacional e mobilização para garantir a proteção de empregos dignos e de qualidade.

Os bancários prometeram lutar contra as demissões e a rotatividade e contribuir para a transformação da estrutura social, política e econômica do país, assumindo o desafio de transformar o crescimento econômico em desenvolvimento econômico com distribuição de renda.

O diretor de Cultura, Gente e Recursos Humanos do Itaú, Marcelo Orticelli, foi convidado para fazer a apresentação institucional do Itaú Unibanco durante uma hora. Ainda em sua presença, no momento em que foi dada a palavra aos representantes das federações, o funcionário do banco e diretor do Sindicato, Kennedy Santos, representando a Fetraf-MG, criticou a postura da instituição durante o ano de 2012. Sobre o tema Igualdade de Oportunidades, Kennedy ressaltou que o banco discriminou os PCDs, concentrando-os nas áreas operacionais. “Se para o banco o PCD não tem capacidade de assumir cargos gerenciais, então por que são pressionados e obrigados a vender produtos no caixa sob ameaça de demissão?”, questionou. 

Nos temas Previdência Complementar e Planos de Saúde, o diretor informou que as discussões do Itaú giraram em torno de como resolver os déficits apresentados por meio de reajustes. “O banco transformou um benefício em produto e não consegue administrar seus planos. Enquanto na CAIXA os empregados querem discutir o destino do superávit do Saúde Caixa, no Itaú estamos discutindo déficit”, afirmou. 

No tema Segurança Bancária, Kennedy Santos criticou a implantação do horário estendido nas agências, que força os bancários a fazerem mais horas extras, trazendo os riscos de sair mais tarde. “Além disso, o banco adota a prática de compensar as horas extras ao invés de pagá-las”, denunciou.

Nos temas Saúde, Condições de Trabalho e Metas Abusivas, o diretor também criticou o banco por causa das pressões que os funcionários sofrem, tendo como consequências adoecimento e afastamento. “Vários funcionários não estão suportando tanto assédio e estão deixando o Itaú”, afirmou. 

Nos temas Remuneração e Emprego, Kennedy Santos criticou o desconto da PR na PLR. “Depois de muito esforço dos funcionários para cumprir as metas abusivas, a PR foi compensada na PLR conquistada pelos bancários na Convenção Coletiva Nacional, tornando nulo todo o desempenho”, explicou.

Finalmente, foi registrada a crítica ao número de demissões que o banco promoveu. Desde a fusão do Itaú com o Unibanco, já foram contabilizadas 13 mil perdas de postos de trabalho e quase 8 mil demissões ocorreram somente em 2012. “O banco ficou devendo responsabilidade social aos seus empregados em 2012”, afirmou Kennedy Santos.   

Moção de repúdio

Ao final do Encontro Nacional, os participantes aprovaram uma moção de repúdio ao deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP), exigindo a saída imediata do parlamentar da presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. 

Foto: Roberto Parizotti – Contraf-CUT

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT

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