Arte: Fetrafi-MG/CUT

 

Bancárias e bancários do Mercantil do Brasil se reuniram, nesta quarta-feira, 1º de julho, para debater a pauta de reivindicações e ações de repúdio às recentes demissões promovidas pelo banco. O evento foi realizado virtualmente.

Em meio à pandemia da Covid-19, a instituição demitiu cerca de 60 de trabalhadores. Segundo o coordenador da COE do Mercantil do Brasil, Marco Aurélio Alves, que é diretor do Sindicato, o número de funcionárias e funcionários desligados pode ser ainda maior, já que a divulgação dos dados referentes às demissões não é transparente.

Marco Aurélio afirma que, segundo o Mercantil, as demissões ocorreram em função da transformação de várias agências bancárias em postos avançados de atendimento. “Esses postos de atendimento têm uma estrutura mais enxuta e não possuem retaguarda operacional. O banco alega que, nessa nova configuração de atendimento, não haveria espaço para esses profissionais. Muitos trabalhadores demitidos eram competentes, tiveram ascensão das carreiras e, por conta dessa ascensão foram dispensados – o que é uma grande contradição”, afirmou.

A economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Vivian Machado, destacou que o Mercantil do Brasil registrou lucro líquido de R$ 121,4 milhões em 2019, uma alta de 127,3% na comparação com o ano anterior. Os bons resultados do banco seguem uma tendência de crescimento em 2020. Nos primeiros três meses deste ano, o banco registou lucro líquido de R$ 46,9 milhões – com crescimento de 67,3% em doze meses e de 14% em relação ao 4º trimestre do ano passado, quando o lucro foi de R$ 41,1 milhões.

“As demissões não se justificam. O banco está indo muito bem. Foi muito bem no ano passado registrando um resultado que mais do que dobrou. Ao contrário da maioria dos bancos privados, o Mercantil cresceu mais de 60% no primeiro trimestre deste ano”, afirma Vivian.

O Mercantil do Brasil encerrou o 1º trimestre de2020 com 2.870 funcionários – fechando 65 postos de trabalho no período. Apesar das demissões, o banco criou quatro pontos de atendimento – totalizando 236 unidades em março de 2020.

A base de clientes também cresceu, totalizando, aproximadamente, 2,4 milhões ativos. Ainda segundo Marco Aurélio, mesmo diante de índices expressivos, as negociações das entidades representativas da categoria com o banco para tratar a questão das demissões não evoluíram.

Em repúdio e solidariedade às dezenas de pais e mães de famílias que perderam seus empregos em meio à pandemia, o encontro definiu o dia 8 de julho (quarta-feira), como o Dia Nacional de Lutas contra as demissões do Mercantil do Brasil. A data será marcada por uma série de intervenções urbanas e mobilizações virtuais. Os participantes também aprovaram a divulgação de uma moção de repúdio que será apresentada, no próximo sábado, 4, durante a 22ª Conferência Estadual dos Bancários de Minas Gerais.

O encontro também definiu uma minuta de reivindicações:

  • Assinatura de compromisso do Banco Mercantil do Brasil pela manutenção dos empregos durante o estado de calamidade da pandemia de Covid-19;
  • Resolução imediata da situação dos mais de 120 funcionários do grupo de risco do Banco Mercantil do Brasil que estão afastados, em casa, e sem home office;
  • Extensão do plano de saúde e indenizações, além das já previstas na CCT, para todos os bancários do Mercantil do Brasil demitidos em 2020;
  • Programa de vacinação universal e gratuita contra o vírus influenza H1N1 e Covid-19, quando for disponibilizada comercialmente, para todos os funcionários do Mercantil do Brasil e seus dependentes legais;
  • Testes de Covid-19 gratuitos para todos os bancários do Mercantil do Brasil;
  • Rodízio de funcionários do Mercantil do Brasil nas agências bancárias e departamentos.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Fetrafi-MG/CUT

 

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