Foto: Fenae

As entidades que participaram do Seminário em Defesa das Empresas Públicas, realizado nesta quarta-feira, 7, em Brasília, lançaram uma carta aberta em que a reafirmam posicionamento contrário aos projetos de privatização do governo Michel Temer. “Não há como pensar num país soberano se estas empresas passarem às mãos do capital privado, cujo único interesse é a lucratividade, sem qualquer contrapartida à sociedade”, ressaltam no documento.

O Sindicato participou do evento, que também contou com representantes das Apcefs, Fenae, outros sindicatos, federações e de entidades de classe representativas de trabalhadores de diversas estatais federais e estaduais como a Federação Nacional dos Petroleiros (FUP), Associação Nacional dos Empregados do Banco do Nordeste, Banrisul e Banpará, entre outros.

No encerramento do seminário, o vice-presidente da Fenae e diretor do Sindicato, Cardoso, lembrou que a Federação, juntamente com as Apcefs, tem contribuído com a construção da mobilização em defesa das empresas públicas e outras iniciativas que visam barrar as tentativas de ataque ao patrimônio dos brasileiros. “Os trabalhadores têm adotado ações de resistência com apoio do movimento sindical e do Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas”, afirmou.

O presidente da Fenae, Jair Pedro Ferreira, lembrou que o objetivo das entidades é defender o Estado. “Esses debates são importantes, porque os trabalhadores das empresas públicas sãos seus principais defensores. Mas temos buscado ampliar a nossa mobilização, mostrando à sociedade a importância de cada uma dessas empresas. Nós já vivemos a ameaça de privatização nos anos 1990 e somente com nossa luta e união foi possível assegurar que muitas estatais não fossem privatizadas. A Fenae se coloca mais uma vez nesse embate, para defender o estado brasileiro forte para todos nós”, enfatizou.

Diretores do Sindicato participaram do Seminário – Foto: Fenae

Debates

Antes do lançamento da carta aberta, ocorreu debate sobre os projetos em tramitação no Congresso Nacional, que representam ameaça para empresas públicas e as articulações das entidades sindicais e associativas contra estas proposituras.

Segundo o advogado e professor universitário Luiz Alberto dos Santos, já é possível verificar o quanto as estatais estão sendo atingidas pelo ajuste fiscal adotado pelo governo Temer, tendo como impactos a redução salarial e de pessoal. “Verificamos isso a partir da redução dos investimentos pelas estatais federais – que em 2016 voltaram aos níveis de 2008 – uma redução geral que afeta, particularmente, as empresas do grupo Eletrobrás. Os investimentos na infraestrutura e no setor elétrico estão sofrendo redução. Essa política tem afetado também as empresas do setor produtivo e do setor financeiro, como os bancos públicos”, declarou.

Confira a apresentação (formato PowerPoint) do professor Luiz Alberto dos Santos.

Neuriberg Dias, analista político e assessor legislativo do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP), fez análise da atual conjuntura política e dos principais projetos em tramitação no Congresso que, se aprovados, poderão causas graves danos às estatais. “No atual cenário político, a agenda do mercado é a que vai prevalecer. Com a reforma da Previdência, a reforma trabalhista e os projetos específicos dirigidos às empresas públicas -que altera o estatuto jurídico das estatais, transformando-os, o quadro é de desafio para o movimento sindical”, alertou.

Para ele, o caminho é intensificar a mobilização e, em 2018, renovar a composição do Congresso Nacional. Do contrário, novos ataques contra os direitos dos trabalhadores vão surgir. “Precisamos de mais representantes dos trabalhadores na Câmara e no Senado”, acrescentou.

Confira a apresentação (formato PowerPoint) de Neuriberg Dias.

Revista “Se é público, é para todos”

O Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas distribuiu também, durante o Seminário, uma revista que reúne textos da série de reportagens “Públicas sob Ataque”. Ela aborda as ameaças e ações privatistas já consolidadas pelo governo de Michel Temer nas seguintes empresas: Petrobras, BNDES, Casa da Moeda, Embrapa, Eletrobras, Banco do Brasil, CAIXA e Correios.

Confira a revista, na íntegra, aqui.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Fenae

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