O ex-presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo e assessor da CUT Nacional, Gilmar Carneiro, publicou em seu blog, nesta domingo, 13, um artigo em que destaca a Campanha Salarial vitoriosa promovida pela categoria bancária em todo o Brasil em 2013.

Leia o artigo completo:

Bancários – Uma greve com muitas vitórias

Muitas histórias para contar

Fazer uma Campanha Salarial numa cidade não é fácil. Fazer uma Campanha Salarial NACIONAL é muito mais difícil. Combinar a campanha entre bancos privados e bancos públicos é outra complicação.

Ter os bancos privados pressionando o governo para “aumentar as concessões”, ter os bancos públicos subordinados a órgãos controlados por tecnocratas do governo, além da disputa interna entre os burocratas do próprio banco e o funcionalismo também atrapalha muito.

Representantes dos bancos juraram que o reajuste salarial não chegaria a 7,5%! Os bancos defendem reduzir os aumentos de produtividades, como dizem seus economistas conservadores.

Os bancários tinham como referência de reajuste os 8% conquistados pelos metalúrgicos do ABC nas montadoras e pelos trabalhadores dos Correios (empresa estatal).

Manter a greve em todos os estados, manter o apoio da população, dos clientes, dos aposentados e, principalmente, dos bancários, é um desafio tão importante quanto saber negociar com os patrões e saber dialogar com a imprensa, com a polícia militar, com os juízes que são obrigados a decidir sobre concessão ou não dos famigerados Interditos Proibitórios.

Tudo isto requer muita competência, muita habilidade e muita tolerância, além de sangue frio. Os dirigentes sindicais bancários deram uma verdadeira aula de competência nesta Campanha Salarial. Conquistaram os 8% pretendidos, tiveram muitas outras conquistas, como o Vale Cultura, o Abono Assiduidade, tiveram conquistas fundamentais nos bancos públicos, especialmente no Banco do Brasil.

Uma outra conquista politicamente importante e que quase travou o final da campanha foi sobre o critério de descontos dos dias parados. Os bancos queriam descontar os 23 dias de greve e os dirigentes tinham um argumento muito bom para serem contra o desconto total:

Quem fez com que a greve demorasse tanto foram os banqueiros, se estes tivessem aceitado os 8% antes da greve, o acordo teria sido assinado sem greve. Como os banqueiros obrigaram os bancários a fazerem greve, logo, os bancários aceitavam compensar os dias parados apenas uma hora por dia e até 15 de dezembro. Conclusão: 71% dos dias parados não serão descontados nem compensados. Mais uma importante vitória!

Outro fator importante nesta Campanha Salarial e na solução da greve foi a contribuição do presidente nacional da CUT, Vagner Freitas. Vagner conversou com banqueiros, ministros, juízes e muita gente importante para que as negociações caminhassem para um bom acordo.

Hoje, o Estadão e a Folha não têm uma palavra sobre a Campanha Salarial vitoriosa dos bancários. Mas a imprensa sindical, os estudiosos e principalmente os próprios bancários devem registrar cada momento desta greve e desta campanha salarial.

Foi uma das maiores vitórias nos últimos 30 anos de lutas por melhores salários e condições de trabalho.

O Brasil agradece!

 

Fonte: Blog Gilmar Carneiro – 13/10/2013

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