Durante a rodada de negociação que começou hoje, às 16 horas e se estendeu até o início da noite desta quinta-feira, 13 de outubro, em São Paulo, entre os representantes dos bancários e a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos), os representantes dos bancos apresentaram uma proposta de 8,4% de reajuste salarial. A proposta foi rejeitada na mesa de negociação pelo Comando Nacional dos Bancários. As negociações foram suspensas e serão retomadas às 10 horas desta sexta-feira, 14 de outubro. As negociações específicas com as direções da CAIXA e do Banco do Brasil que estavam previstas para ocorrem logo após as negociações com a Fenaban não aconteceram.

Os representantes dos bancários argumentaram que os bancos brasileiros são os que mais lucram na América Latina e que, no entanto, pagam um piso salarial menor do que o recebido por argentinos e uruguaios, além de pagar bônus milionários para seus altos executivos.Conforme pesquisa do Dieese e da Contraf-CUT, o salário de ingresso nos bancos no Brasil em agosto de 2010 era equivalente a US$ 735, mais baixo que o dos uruguaios (US$ 1.039) e quase metade do recebido pelos argentinos (US$ 1.432). ?Reafirmamos para os representantes dos banqueiros que não abrimos mão do aumento real, PLR maior, valorização dos pisos, reajustes maiores para vale refeição e cesta alimentação, além de melhores condições de trabalho?, ressaltou o presidente do Sindicato, Cardoso.

A reabertura das negociações foi fruto da pressão da greve, que entra hoje no seu 18º dia e paralisa mais de 9 mil agências de bancos públicos e privados em todos os 26 estados e no Distrito Federal. A greve já é a maior da categoria nos últimos 20 anos e foi deflagrada no dia 27 de setembro, depois que as assembleias dos sindicatos rejeitaram a proposta de reajuste de 8% feita pela Fenaban na quinta rodada de negociação. Nesta quinta-feira, 13, às 15 horas, os bancários realizaram assembleia em frente o banco Itaú, na rua Carijós, 455, esquina da rua Espírito Santo, quando deliberaram pela continuidade.

Hoje, 14 de outubro, a partir das 15 horas, os bancários fazem ato público em frente a agência Século da CAIXA, na rua Carijós, 218, esquina com a rua Espírito Santo e em seguida sairão em passeata pelas principais ruas do centro da Capital. Após a passeata os bancários realizam nova assembleia para decidir sobre os rumos da greve.

Os bancários reivindicam reajuste de 12,8% (aumento real de 5% mais inflação do período), valorização do piso, maior Participação nos Lucros e Resultados (PLR), mais contratações, extinção da rotatividade, fim das metas abusivas, combate ao assédio moral, segurança contra assaltos e sequestros, igualdade de oportunidades, melhoria do atendimento dos clientes e inclusão bancária sem precarização, dentre outros itens.

Para Cardoso, apesar de não ter avanços, a negociação desta quinta-feira foi importante pois marcou a retomada das negociações. “A retomada das negociações com os banqueiros só aconteceu por causa da pressão da nossa greve que é uma das mais fortes da nossa história. Agora é fundamental que mantenhamos a mobilização para dobrar a intransigência dos bancos públicos e privados e arrancar uma proposta que contemple as nossa justas reivindicações”, afirmou.

Foto: Leopoldo Rezende

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