Foto: Cristiane Mattos/O Tempo

 

A CAIXA não é um banco como outros. Responsável pelo pagamento de praticamente todos os programas sociais do governo federal – inclusive o auxílio emergencial de R$ 600 recém-aprovado pelo Congresso Nacional –, a instituição padece de falta de visão de governos que não respeitam sua função primordial.

Nos anos 2000, a CAIXA chegou a se fortalecer e passar dos 100 mil bancários, mantendo em crescimento seus ativos que entre 2007 e 2015 aumentaram 195%. Diversos acordos coletivos de trabalho, celebrados entre governo e sindicatos, dispunham inclusive sobre compromissos de novas contratações.

Mas, desde o golpe de 2016 e da chegada de Jair Bolsonaro à Presidência da República, o banco e seus funcionários voltaram a sofrer – e consequentemente os clientes e usuários. Nesse período, acentuaram-se ameaças de privatização, cobrança por metas absurdas e programas de demissão tornaram a rotina nas unidades do banco público ainda mais estafante. A situação se agravou de forma alarmante com a pandemia do novo coronavírus.

A CAIXA é o único banco responsável por pagar o auxílio emergencial a mais de 45 milhões de brasileiros. Trabalhadores que estão na linha de frente das agências se esforçam para administrar o caos provocado pelo governo federal.

Tristeza e sofrimento

A demora na liberação do auxílio emergencial, a burocracia em torno da liberação dos R$ 600 do auxílio e a falta de informações mais claras e assimiláveis, justamente para a população que mais precisa e tem dificuldade nesse acesso via internet, transformou as agências da CAIXA em barris de pólvora, prontos a explodir. A preocupação com o contágio dos cidadãos e dos funcionários é uma constante entre os representantes dos bancários.

Os sindicatos têm percorrido, diariamente, os locais de trabalho para tentar auxiliar os bancários. Nas entradas das agências, é comum ver idosos sem máscara. Da forma que estão, as agências viraram foco de propagação do vírus.

Governo incompetente

Desde o começo da pandemia, o Comando Nacional dos Bancários estabeleceu negociação com a federação dos bancos, a Fenaban. O objetivo foi resguardar condições de saúde, trabalho e emprego para os trabalhadores.

Em relação à CAIXA, os trabalhadores insistiram muito para que houvesse agendamento prévio dos atendimentos. Porém, a incompetência e a insensibilidade do governo estão expondo justamente as pessoas mais vulneráveis. Até mesmo o repasse de informações por parte do banco tem sido lento.

Parte da população vulnerável, que precisa do auxílio emergencial, não tem acesso à internet, não sabe onde buscar informação. Quando liga no 111, muitas vezes o serviço não funciona.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Rede Brasil Atual

 

Compartilhe: