Assembleia da CAIXA – Foto: Patricia Penna

Após 23 dias de uma greve histórica em que duas propostas dos bancos foram recusadas, os bancários da base de BH e Região aprovaram por ampla maioria, em assembleias realizadas na sexta-feira, 11, as propostas apresentadas pelos banqueiros e pelas direções do Banco do Brasil e da CAIXA e decidiram pelo fim da greve. O movimento nacional foi o maior dos últimos 20 anos, com grande adesão de bancárias e bancários, e conquistou novas cláusulas e avanços econômicos e sociais para a categoria.

As propostas da Fenaban, da CAIXA e do Banco do Brasil aprovadas pelos bancários foram apresentadas ao Comando Nacional durante negociações realizadas em São Paulo que tiveram início na quinta-feira, 10, e avançaram na madrugada da sexta, 11.

O impasse surgiu quando os bancos propuseram a compensação dos dias parados durante a greve em 180 dias a partir da assinatura da Convenção Coletiva de Trabalho. Diante da dura resistência do Comando, os bancos recuaram e aceitaram, ao final da negociação, compensar no máximo uma hora extra diária até 15 de dezembro. Esta é uma grande conquista da categoria, que venceu a intransigência dos bancos com sua forte mobilização e unidade.

Assembleia Banco do Brasil – Foto: Alessandro Rodrigues

Assembleia dos bancos privados – Foto: Kika Dardot

Na Campanha Nacional 2013, os bancários conquistaram reajuste de 8,0% sobre os salários e as verbas (aumento real de 1,82%), 8,5% sobre o piso salarial (ganho real de 2,29%) e 10% sobre o valor fixo da regra básica e sobre o teto da parcela adicional da PLR (Participação nos Lucros e Resultados). O lucro líquido a ser distribuído linearmente na parcela adicional da PLR também foi elevado, de 2% para 2,2%.

Com a aprovação da proposta, os bancários consolidam um acúmulo de aumento real nos salários de 18,33% e 38,7% no piso desde 2004.

A mobilização da categoria conquistou ainda três novas cláusulas neste ano: proibição de os bancos enviarem SMS aos bancários cobrando resultados, abono-assiduidade de um dia por ano e adesão ao programa de vale-cultura do governo, no valor de R$ 50,00 por mês.

No acordo específico da CAIXA, os empregados conquistaram a garantia do pagamento, ao invés da compensação, de todas as horas extras nas agências com até 15 empregados, a manutenção da PLR Social (distribuição linear de 4% do lucro líquido entre todos os empregados), entre outros avanços.

A proposta específica do Banco do Brasil que foi aprovada pelos funcionários contempla reivindicações importantes, como melhorias no plano de funções, alterações na carreira de mérito dos caixas, efetivação de caixas substitutos e o aumento do número de funcionários, com 3 mil contratações.

Para o presidente do Sindicato, Cardoso, os bancários estão de parabéns pela grande participação na maior greve realizada pela categoria nos últimos 20 anos. “Um dos pontos altos desta greve histórica foi a grande participação de bancários e bancárias que lotaram as assembleias para debater intensamente as propostas apresentadas pelos bancos. Após recusar as duas primeiras propostas que não atendiam às justas reivindicações da categoria, ampliamos a mobilização e pressionamos os bancos a apresentar esta proposta que foi aprovada nas assembleias. Mais uma vez, ficou provado que a unidade é a nossa maior arma no enfrentamento contra o setor que mais lucra no país, que são os bancos. Viva as bancárias e os bancários”, afirmou.

Clique aqui para ler a proposta da CAIXA

Clique aqui para ler a proposta do Banco do Brasil

Proposta da Fenaban aprovada em assembleia
> Reajuste: 8,0% (1,82% de aumento real).

> Pisos: Reajuste de 8,5% (ganho real de 2,29%).
– Piso de portaria após 90 dias: R$ 1.148,97.
– Piso de escriturário após 90 dias: R$ 1.648,12.
– Piso de caixa após 90 dias: R$ 2.229,05 (que inclui R$ 394,42 de gratificação de caixa e R$ 186,51 de outras verbas de caixa).

> PLR regra básica: 90% do salário mais valor fixo de R$ 1.694,00 (reajuste de 10%), limitado a R$ 9.087,49. Se o total apurado ficar abaixo de 5% do lucro líquido, será utilizado multiplicador até atingir esse percentual ou 2,2 salários (o que ocorrer primeiro), limitado a R$ 19.825,86.

> PLR parcela adicional: aumento de 2% para 2,2% do lucro líquido distribuídos linearmente, limitado a R$ 3.388,00 (10% de reajuste).

> Antecipação da PLR até 10 dias após assinatura da Convenção Coletiva: na regra básica, 54% do salário mais fixo de R$ 1.016,40, limitado a R$ 5.452,49. Da parcela adicional, 2,2% do lucro do primeiro semestre, limitado a R$ 1.694,00. O pagamento do restante será feito até 3 de março de 2014.

> Auxílio-refeição: de R$ 21,46 para R$ 23,18 por dia.

> Cesta-alimentação: de R$ 367,92 para R$ 397,36.

> 13ª cesta-alimentação: de R$ 367,92 para R$ 397,36.

> Auxílio-creche/babá: de R$ 306,21 para R$ 330,71 (para filhos até 71 meses). E de R$ 261,95 para R$ 282,91(para filhos até 83 meses).

> Requalificação profissional: de R$ 1.047,11 para R$ 1.130,88.

> Adiantamento emergencial: Não devolução do adiantamento emergencial de salário para os afastados que recebem alta do INSS e são considerados inaptos pelo médico do trabalho em caso de recurso administrativo não aceito pelo INSS.

> Gestores ficam proibidos de enviar torpedos aos celulares particulares dos bancários cobrando cumprimento de resultados.

> Abono-assiduidade (novidade): 1 dia de folga remunerada por ano.

> Vale-cultura (novidade): R$ 50,00 mensais para quem ganha até 5 salários mínimos, conforme Lei 12.761/2012.

> Prevenção de conflitos no ambiente de trabalho – Redução do prazo de 60 para 45 dias para resposta dos bancos às denúncias encaminhadas pelos sindicatos, além de reunião específica com a Fenaban para discutir aprimoramento do programa.

> Adoecimento de bancários – Constituição de grupo de trabalho, com nível político e técnico, para analisar as causas dos afastamentos.

Compromissos

> Inovações tecnológicas – Realização, em data a ser definida, de um Seminário sobre Tendências da Tecnologia no Cenário Bancário Mundial.

> Prevenção de conflitos no ambiente de trabalho – Reunião específica para discutir aprimoramento do processo.

> Discutir um novo modelo de PLR antes da campanha nacional de 2014.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT e Seeb-SP

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