Foto: Alessandro Carvalho

Depois de cinco dias consecutivos de negociações e de muita pressão sobre os bancos, a Fenaban procurou o Comando Nacional dos Bancários, que estava em plantão neste sábado, 24, para apresentar uma proposta global de encerramento da Campanha Nacional 2015. Além dos reajustes de 10% para os salários, para a PLR e para o piso e o de 14% para os vales refeição e alimentação, já ofertados na sexta-feira , 23, os banqueiros aceitaram abonar 63% das horas dos trabalhadores de 6 horas, de um total de 84 horas, e 72% para os trabalhadores de 8 horas, de total de 112 horas. Assim, um dia após a assinatura do acordo, os trabalhadores, compensariam, no máximo, uma hora por dia útil, até o dia 15 de dezembro.

A nova proposta da Fenaban, apresentada no 19º dia da greve, significa a manutenção do modelo que vinha sendo colocado em prática nos últimos anos, de reposição integral da inflação mais aumento real e abono parcial dos dias parados. Na proposta inicial, que levou os bancários à greve, os banqueiros se negavam até mesmo a repor a inflação do período e tentaram reconstruir um modelo ultrapassado de abono salarial.

Foi a força da greve, uma das maiores da história em volume de unidades paralisadas, que pressionou os bancos e reverteu tanto a proposta de reajuste abaixo da inflação quanto a tentativa de punir os bancários que aderiram ao movimento.

Em razão desta conquista, o Comando Nacional indica a aceitação da nova proposta, que garante aumento real de salário pelo décimo segundo ano consecutivo. Até lá, a greve continua.

“As bancárias e os bancários de Belo Horizonte e região estão de parabéns, pois mostraram muita determinação para defender os direitos da categoria. Nossa greve, que chega ao 21º dia nesta segunda-feira, deixou clara a capacidade de organização e a força dos trabalhadores, que aderiram em massa e enfrentaram com muita coragem o desrespeito dos banqueiros. Depois de seis dias consecutivos de negociações exaustivas, conquistamos uma nova proposta, com aumento real, e derrubamos a intenção dos bancos de descontar os dias parados. Agora, vamos às assembleias para debatermos de forma democrática a contraproposta apresentada pelos banqueiros. Daí a importância da participação de todas e todos?, afirmou a presidenta do Sindicato, Eliana Brasil.

Saúde

Os bancos apresentaram um termo de entendimento, a ser assinado entre os seis maiores bancos e o movimento sindical bancário, com mesas específicas para tratar de ajustes na gestão das instituições de modo a reduzir as causas de adoecimento e afastamento. As comissões de empresa acompanharão o processo para garantir a melhoria das condições de trabalho.

Assembleias

Nesta segunda-feira, dia 26 de outubro, às 18h30 em primeira convocação e às 19h em segunda convocação, bancárias e bancários da base de Belo Horizonte e região realizam assembleias para discutir e deliberar sobre a proposta da Fenaban e propostas específicas dos bancos públicos. Serão três assembleias, em locais distintos, conforme abaixo:

Os funcionários de bancos privados realizarão a assembleia na sala Minas Gerais do hotel Othon Palace, na avenida Afonso Pena, 1050, no centro de BH.

Já os empregados da CAIXA realizam assembleia para votar a proposta da Fenaban e a proposta específica da CAIXA na sala Tiradentes do hotel Othon Palace, na avenida Afonso Pena, 1050, no centro de BH.

Os funcionários do Banco do Brasil, por sua vez, discutem a proposta da Fenaban e a proposta específica apresentada pelo BB em assembleia na sede do Sindicato, na rua dos Tamóios, 611, no centro de Belo Horizonte.

A nova proposta da Fenaban

Reajuste: 10%.

Pisos: reajuste de 10%.

– Piso de portaria após 90 dias: R$1.377,62

– Piso de escriturário após 90 dias: R$1.976,10

– Piso de caixa após 90 dias: R$2.669,45 (que inclui R$470,75 de gratificação de caixa e R$222,60 de outras verbas de caixa).

PLR regra básica: 90% do salário mais valor fixo de R$2.021,79, limitado a R$10.845,92. Se o total apurado ficar abaixo de 5% do lucro líquido, será utilizado multiplicador até atingir esse percentual ou 2,2 salários (o que ocorrer primeiro), limitado a R$23.861,00.

PLR parcela adicional: 2,2% do lucro líquido distribuídos linearmente, limitado a R$4.043,58.

Antecipação da PLR até 10 dias após assinatura da Convenção Coletiva: na regra básica, 54 % do salário mais fixo de R$1.213,07 limitado a R$6.507,55. Da parcela adicional, 2,2 % do lucro líquido do primeiro semestre, limitado a R$2.021,79.  O pagamento do restante será feito até 01 de março de 2016.

Auxílio-refeição: de R$26 para R$29,64 por dia.

Cesta-alimentação: de R$431,16 para R$491,52

13ª cesta-alimentação: de R$431,16 para R$491,52

Auxílio-creche/babá: de R$ 358,82 para R$394,70 (para filhos até 71 meses). E de R$306,96 para R$337,66 (para filhos até 83 meses).

Requalificação profissional: de R$ 1.227,00 para R$1.349,70

Histórico

A entrega da minuta de reivindicações dos bancários ocorreu em 11 de agosto. A partir daí, foram realizadas cinco rodadas de negociações. Em 19 de agosto, foi debatido emprego. Nos dias 2 e 3 os temas foram saúde, condições de trabalho e segurança. Em 9 de setembro, igualdade de oportunidades. A rodada extra do dia 15 de setembro discutiu adoecimento da categoria. E, no dia 16 de setembro, remuneração.

No dia 25 de setembro, a Fenaban não só frustrou, como agiu de forma desrespeitosa com os bancários, ao apresentar uma proposta para a categoria, com um reajuste de 5,5% no salário, também na PLR e nos auxílios refeição, alimentação, creche e abono de R$ 2.500,00.

Depois de 16 dias de greve, no dia 20 de outubro, a Fenaban apresentou uma nova proposta, de 7,5% de reajuste. No dia seguinte, o índice foi de 8,75%. Ambas foram recusadas na mesa.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT

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