A intransigência dos banqueiros, que insistem em não reabrir o diálogo e apresentar uma proposta decente para a categoria, levou os bancários a entrarem nesta segunda-feira, 10 de outubro, na terceira semana em greve por tempo indeterminado.

O movimento se mantem forte em todo o país e na base de BH e região. Na última sexta-feira, 7 de outubro, a greve atingiu 86% de agências e centros administrativos de bancos públicos e privados na Capital e do interior do estado. Dados da Contraf-CUT dão conta de que nacionalmente a greve também se ampliou e atingiu 8.951 agências e centros administrativos de bancos públicos e privados paralisados em 26 estados e Distrito Federal.

Em assembleia realizada na última sexta-feira,  7 de outubro, às 15h, em frente a agência Século da CAIXA, rua Carijós, 218, esquina com rua Espírito Santo, os bancários deliberaram pela continuidade da greve por tempo indeterminado. Na sexta-feira, os bancários realizaram o Dia do Vermelho para demonstrar a indignação da categoria contra o silêncio dos banqueiros que se recusam a reabrir o diálogo e retomar as negociações. Após a assembleia, os bancários saíram em passeata pelas principais ruas do centro da Capital para denunciar a irresponsabilidade e o descaso dos bancos em relação às reivindicações da categoria.

Nesta segunda-feira, dia 10 de outubro, às 18 horas, os bancários realizam nova assembleia na sede do Sindicato, na rua Tamoios, 611 ? Centro, para discussão sobre os rumos do movimento.

Os bancários entraram em greve por tempo indeterminado após a quinta rodada de negociações com a Fenaban, ocorrida dia 23 de setembro, em São Paulo. Os trabalhadores rejeitaram a proposta de reajuste de 8% sobre os salários. Os bancários reivindicam reajuste de 12,8% (5% de aumento real), valorização do piso, maior Participação nos Lucros e Resultados (PLR), mais contratações, fim da rotatividade, melhoria do atendimento aos clientes, fim das metas abusivas e do assédio moral, mais segurança e igualdade de oportunidades.

Para o presidente do Sindicato, Cardoso, o descaso dos bancos para com as reivindicações da categoria foi o que levou os bancários a entrarem na terceira semana de greve. “É um absurdo a irresponsabilidade dos bancos que se recusam a abrir o diálogo com os representantes da categoria e apresentar uma proposta digna que contemple as nossas reivindicações. Se os banqueiros estão apostando no enfraquecimento da greve nesta semana, vão quebrar a cara, porque a mobilização continua forte na Capital e no interior do estado. Vamos fortalecer ainda mais a nossa greve para pressionar os bancos a retomarem as negociações”, ressaltou.

Impasse na greve dos Correios

Segundo notícia veiculada no site da Contraf- CUT, nesta sexta-feira, 7 de outubro, por falta de acordo entre a direção dos Correios e os representantes dos trabalhadores, a decisão sobre a greve da categoria deve ir a dissídio coletivo pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) na próxima terça-feira (11). Se não houver uma nova negociação até lá, a questão será analisada pelo ministro Maurício Godinho Delgado, da Seção Especializada em Dissídios Coletivos (SDC).

Em uma última tentativa de conciliação, o presidente do TST, ministro João Oreste Dalazen, apresentou nesta sexta-feira, (7), uma proposta que previa um abono de R$ 800 para ser pago imediatamente e aumento real de R$ 60 a partir de janeiro do ano que vem, além de um reajuste linear do salário e dos benefícios de 6,87%. A proposta foi acatada pela empresa, mas os trabalhadores não aceitaram.

Em relação aos dias parados, o ministro propôs a devolução do valor correspondente aos seis dias de greve que já foram descontados dos trabalhadores, com o desconto posterior em 12 parcelas a partir do ano que vem.

Os outros dias de greve que não foram descontados seriam compensados com trabalho extra nos finais de semana e feriados, de acordo com a necessidade da empresa. Essa proposta também não foi aceita pelos funcionários, que querem a compensação de todos os dias de greve, sem desconto de salário.
O ministro Dalazen alertou os trabalhadores para a possibilidade de que, ao julgar o dissídio coletivo, o TST acabe determinando o desconto de todos os dias de greve dos trabalhadores. ?Se o dissídio for a julgamento, muito provavelmente sofrerão o desconto de todos os dias parados e, possivelmente, sem parcelamento?, disse. Segundo ele, a qualquer momento, as partes podem chegar a um acordo, evitando o julgamento pelo TST.

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